Baiana lança disco de rock em São Paulo

Nem vatapá, nem mugunzá. No tabuleiro da baiana Pitty, de 25 anos, tem Nirvana, tatuagens, rebeldia, Metallica, piercing, punk rock e ficção científica. Ex-vocalista da banda de hardcore Inkoma, ela faz o show de lançamento de seu disco de estréia, ´Admirável Chip Novo´, e quer mostrar que na Bahia não tem só axé. "O axé tem mais projeção para o resto do País porque tem mais estrutura mas, a Bahia sempre teve uma cena de rock muito forte", garante. "Esse estigma criado a respeito da música baiana não é justo, mas é uma conseqüência natural. Não tenho nada contra o axé, sou contra a falta de opção. Falta espaço para todo mundo que tem talento mostrar seu valor." Para Pitty, a chance caiu do céu com um telefonema do ex-integrante do grupo Baba Cósmica, Rafael Ramos - produtor de bandas como Ultraje a Rigor, João Donato, Ritchie e Raimundos. Ele é filho de João Augusto, diretor artístico e dono da Deck Disc, gravadora que tem lançado boas novidades no mercado. Rafael, fã do Inkoma, ligou para Pitty para ouvir as novas composições da cantora. Ele gostou e assinou a produção de ´Admirável Chip Novo´. O nome do álbum é uma referência ao livro de Aldous Huxley, ´Admirável Mundo Novo´, considerado um clássico da ficção científica. Tanto ele quanto Stanley Kubrick, Isaac Asimov e George Orwell estão na lista de agradecimentos da Pitty como "profetas". "É um gênero que gosto muito, nunca me esqueço a primeira vez que assisti a ´Blade Runner´ na adolescência", diz. "Mas é algo que me atrai desde guria, eu adorava ´Os Jetsons´ e acreditava que, no futuro, todos teriam uma empregada-robô." O gosto pela ficção científica, no entanto, não é a único resquício que a baiana roqueira guarda da adolescência. "Sempre tive um diário e ainda escrevo até hoje. É o meu divã, minha reza. É o jeito que encontrei para conversar comigo", explica. "Quando eu era criança, era uma coisa bem inocente, escrevia coisas tipo ´Marcelo olhou para mim hoje´, sabe? Mas, no final de 2000, decidi que não queria mais ter passado, fiz uma pilha com todas as anotações e queimei tudo. No ano passado, voltei a escrever." Para esquecer o passado, ela botou fogo no diário Apesar da tentativa de jogar a infância na fogueira, é fácil identificar reflexos daquela inocência nas letras de Pitty. Em ´Máscara´, por exemplo, ela canta: "Ninguém merece ser só mais um bonitinho/ Nem transparecer... Consciente ou inconsciente/ Sem se preocupar em ser adulto ou criança". Mesmo sem muita inspiração nas letras, a faixa já chegou às FMs e está em primeiro lugar há mais de uma semana na Rádio Cidade, do Rio de Janeiro, e começa a tocar na paulista 89 FM. Ela também já invadiu a TV: seu videoclipe, dirigido por Maurício Eça, já está entre os 20 mais pedidos na MTV. Parece que a mídia encontrou uma versão roqueira para o romantismo da Sandy e o dance da Kelly Key. Carisma - e beleza - para isso, ela tem.SERVIÇO:: Pitty, às 22h, no Blen Blen (R. Inácio Pereira da Rocha, 520. Tel. 3815-4999)

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