Bahia faz a festa da música independente

Mais encorpado que o Abril Pro-Rock, mais estável que o festival de Ruth Escobar, mais ambicioso queo festival de Curitiba, menos restritivo que o Percpan. Trata-se do Mercado Cultural - Strictly Mundial, um megaevento que reunirá 70 companhias e grupos musicais de todo o mundo entre 4e 9 de dezembro, em Salvador.O festival-feira existe desde 1999, criado pelo ator e diretor de teatro baiano Ruy Cesar, que partiu de uma premissa muito simples para o projeto. "A indústria não privilegia o quetem melhor qualidade artística", diz ele, que dirige a ONG baiana Casa Via Magia, organizadora da mostra.Cesar produz seu grande projeto com um custo de R$ 2,5 milhões, mas ainda precisa fechar patrocínio de R$ 400 mil. O Mercado Cultural tem apoio da Lei Rouanet, o que permite a dedução do investimento no Imposto de Renda.Entre as atrações de dezembro, estão fechados nomes como Pífanos do Bendegó (Bahia), Bilja Krstic (Iugoslávia), Carrapa do Cavaquinho (Brasília), Comadre Fulozinha e Lia de Itamaracá(Pernambuco), Cravo Carbono (Pará), D. Ivone Lara (Rio de Janeiro), DJ Dolores (Pernambuco), DJ Marky (São Paulo), Dona Tetê (Maranhão), Lila Downs (México) e Maracatu Leão Coroado(Pernambuco)."Só o Maracatu Leão Coroado vem com 50 integrantes", diz Cesar. A mostra, diz ele, tem como principal objetivo apresentar de maneira organizada para o mundo a arte brasileirae latino-americana. Seu festival ocupa praticamente todos os teatros de Salvador, dos grandes (como o Castro Alves, com 5 millugares) asos pequenos e as praças públicas, como o Pelourinho."Nós recebemos este ano cerca de 800 inscrições de todo o mundo", conta Cesar. Além dos 70 grupos escolhidos, eles também recebem centenas de especialistas para discutir questõescomo pirataria, difusão cultural, tecnologia, MP3, Internet e outros assuntos afins."São três aspectos que formam o conceito: a mostracultural ao vivo, a feira e as conferências", afirma. Os debates e workshops são organizados em sintonia com a Rede Latino-Americana de Produtores Culturais e o Fórum Europeu deFestivais de Música do Mundo.Ruy Cesar começou a produzir eventos de naturezamulticultural há alguns anos, em Salvador. Organizava uma mostra intitulada Celebração da Herança Africana, com representantes doCaribe, Brasil e África. Esse foi o embrião do Mercado Cultural, que expandiu a discussão.A Casa Via Magia, que ele dirige, é um centro deeducação e arte formado há 20 anos em São Paulo e que está há 18 anos em Salvador. Ao mesmo tempo, Cesar também dirige um grupo de teatro, que está há 19 anos em atividade.Na área musical, Cesar conta com alguns curadoresconvidados, como o músico, compositor e pianista Benjamim Taubkin. Além de manifestações folclóricas e tradicionais, como os maracatus pernambucanos, o Mercado Cultural também acolheartistas que trabalham numa região entre a produção alternativa e a indústria, como Mônica Salmaso, Arnaldo Antunes e Ná Ozzetti(de São Paulo).Outros são expressões históricas da música, como Riachão (Bahia) e Pereira da Viola (Minas Gerais). Entre as companhias brasileiras de dança, vão a Salvador a Quasar (Goiânia) e AnaVitória (Rio de Janeiro).

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