Badi Assad apresenta seu novo CD Wonderland em SP

Cantora, compositora e violonista virtuosa, Badi Assad tem a música impregnada do dedão do pé até as pontas de suas longas madeixas. Essa ligação vem de família. O pai era bandolinista e a mãe cantava. Seus irmãos mais velhos, Sérgio e Odair, tomaram aulas de violão para acompanhar os pais em serestas e há tempos estão na estrada como Duo Assad. Foi aquela história: Badi fez primeiro carreira internacional para só depois ser "descoberta" pelos brasileiros. Por aqui, ela acaba de lançar seu segundo CD depois de voltar a morar no País, o Wonderland, e faz show de sua nova turnê sábado e domingo, no Sesc Pompéia, em São Paulo. O disco foi lançado pelo selo alemão Deutsche Grammophon, com distribuição da Universal, o que confirma que a cantora continua com o pezinho no estrangeiro."O espaço conquistado fora do Brasil tem de ser cuidado. Vou continuar viajando. Minha gravadora é alemã e estou com agente nos EUA, é uma conquista muito saudável. Agora a conquista do coração é aqui", explica. "Quando eu estava com meu primeiro material pronto, procurando gravadora, não conseguia nem chegar na secretária para marcar reunião. Mas meu trabalho chegou a uma gravadora nos EUA e, em menos de duas semanas, estava com o contrato assinado."Badi vem com um novo CD que, aparentemente, pode remeter a um agradável universo à la "Alice no País das Maravilhas" (Alice in Wonderland, no título original). No entanto, ao ouvir esse repertório com um pouco mais de atenção, se percebe que nem tudo é plena alegria e perfeição. Assim como os personagens ambíguos de Lewis Carroll, as letras das músicas selecionadas por Badi falam dos problemas do mundo e da fragilidade humana, camufladas pela leveza dos ótimos arranjos, grande parte deles assinada pelo irmão Sérgio e pela sobrinha Clarice.Segundo ela, a escolha de cada uma das canções foi feita de forma inconsciente. Reflexo de um momento difícil pelo qual estava passando na vida pessoal, quando começou a estruturar o CD. Grávida e no meio de uma turnê internacional, a cantora recebera a notícia de que a gravadora queria o trabalho pronto até o final do ano passado. Começou a correr. Chamou, por e-mail, o respeitado Jacques Morelenbaum para assumir a produção do disco, que, também por e-mail, aceitou o convite. No meio da turnê, Badi perdeu o bebê.De volta ao Brasil, passou a garimpar canções, puxar outras da memória, acatar sugestões da gravadora. O tom do repertório, fatalmente, seria outro. "Cheguei a umas 50 músicas. Todas elas tinham algo de desconforto. Caiu a ficha: o inconsciente me fez escolher essas músicas."Só para sentir o teor de Wonderland (nome, aliás, sugerido por Chico César e que, para Badi, traduz o conceito do CD), há Acredite ou não (de Lenine e Bráulio Tavares, extraído do disco Olho de Peixe), que descreve um mundo bizarro e estranho. O samba A Banca do Distinto, de Billy Blanco, escancara o preconceito contra o pobre e o negro. Já Black Dove, da compositora e cantora americana Tori Amos, fala de estupro. Famoso na voz de Zeca Pagodinho, Vacilão, de Zé Roberto, trata do alcoolismo e, no disco de Badi, virou um blues, com participação do cantor Seu Jorge nos vocais. Ele é presença confirmada nos shows dela em São Paulo.No início, ela diz que mal conhecia Seu Jorge. Sabia que ele tinha participado do filme Cidade de Deus e ponto. Viu o cantor numa festa no Supremo Musical, mas só o conheceu melhor mesmo num festival francês, do qual os dois participaram. "Voltamos para Paris no mesmo trem. Falei para meu marido para irmos ao vagão dele. Quando entramos lá, Seu Jorge estava com violão, outro com pandeiro, outro com cavaquinho, no maior pagodaço." Ele então convidou o casal para visitá-lo mais tarde em seu apartamento e foi lá que apresentou Vacilão para Badi. Ela adorou.Além de Seu Jorge, Wonderland conta ainda com a participação de Elisa Lucinha recitando um fragmento da poesia Libação, em A Banca do Distinto. Badi se mostra compositora em O Que Seria? e Zoar (esta feita em parceria com Chico César). São suas únicas músicas dentro do CD. "Minha forma de interpretar as canções de outros compositores é tão própria que no momento que estou cantando é como se fossem minhas", observa ela. "Acho que mais para frente, virá um disco autoral, mas sem muita pressão da minha parte."Badi Assad. Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, 3871-7700, Pompéia. São Paulo. Sábado (22), 21 h; dom., 18 h. De R$ 5 a R$ 15.

Agencia Estado,

20 de abril de 2006 | 23h12

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