Backstreet fazem show sem surpresas

No palco, tudo correu como o planejado. O show de Pollyanna, irmã de Howie D, durou 15 minutos e o de Krystal, outra cantora da abertura, meia hora. Os Backstreet Boys cantaram exatamente 22 músicas - entre elas, os sucessos Larger Than Life, Quit Playing Games With My Heart e As Long As You Love Me - e fizeram as mesmas brincadeiras da apresentação no Rio de Janeiro, nos mesmos momentos. Mas fora de cena, tudo parecia ser improviso. Talvez para não deixar isso em evidência, os fotógrafos foram proibidos de circular. Foram obrigados a deixar suas câmeras na sala de imprensa e só puderam usá-las enquanto os Backstreet Boys cantavam a música de abertura, Everyone. As fãs - a maioria adolescente - enfrentaram a desorganização da fila e o tumulto que beirou o caos nas proximidades do palco. Andressa Romão, que veio de Foz de Iguaçu com a mãe, Marlene, chorava compulsivamente enquanto ouvia a balada How Do I Fall In Love. O show foi seu presente de aniversário de 15 anos. "Estávamos na frente, mas depois que os rapazes entraram fomos prensadas contra a grade e tivemos que ser tiradas pelos seguranças", conta Marlene. Enquanto na fila do gargarejo as pessoas se acotovelavam, no fundo do estacionamento a situação era tranqüila. O equivalente a 1/3 do espaço reservado ao público estava vazio. Segundo a Polícia Militar, havia 35 mil pessoas, mas nem parecia.O atendimento nos postos médicos funcionou. As 400 pessoas retiradas do meio da multidão foram levadas diretamente para um dos cinco postos, onde eram recebidas por vários médicos e enfermeiras. O diagnóstico para a maioria dos casos: "Piti", afirmou a médica Magda Costa e Silva. Uma garota apresentou deslocamento da mandíbula, "talvez por ter gritado demais", supõe a doutora. A platéia incluía famosos, como a esposa de Pelé, Assíria, que levou a filha Gemina, de 10 anos. "O que ela queria, mesmo, era falar com eles, mas não sei se vamos conseguir isso", avaliava Assíria. Os pais queriam menos tumulto e os produtores, talvez, mais ingressos vendidos. Mas as fãs dos Backstreet, muitas delas ainda pequenas, mal conseguindo enxergar uma forma humano no palco distante, deram-se por satisfeitas. O barulho ensurdecedor e o tumulto funcionaram como aditivo para a excitação que as deixou roucas de tanto gritar. Estar no mesmo local que seus ídolos, respirando o mesmo ar poluído, compensou as horas em pé na multidão. "Não vou esquecer deste dia pelo resto da minha vida", murmurou Bia R., de 11 anos, ao fim do show.

Agencia Estado,

07 de maio de 2001 | 11h43

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