Autor de tema de "Um Homem e uma Mulher" passa férias no Rio

O compositor Francis Lai, autor de canções de filmes que são clássicos, como Um Homem e uma Mulher, Love Story, Uns e Outros e Olhos Negros, está de férias no Rio. Ele chegou sem alarde no fim de junho para uma viagem romântica: veio comemorar de forma inusitada o aniversário de sua mulher, Dagmar. Uma amiga, Gil Menzel, fez uma festa típica daqui, com fogos de artifício, forró e a presença de brasileiros e europeus, contou ele.Lai já tinha vindo ao Brasil em 1967, como jurado de um Festival Internacional da Canção (FIC). Estava no auge da popularidade porque o filme Um Homem e uma Mulher tinha sido a maior bilheteria do ano anterior e a música-tema, com letra de Pierre Lelouh, hit onipresente, desbancava até os Beatles."Foi o Barrouh quem me apresentou ao Brasil, me mostrou os discos de João Gilberto e a poesia de Vinícius de Morais. Foi uma emoção enorme, porque era uma música, ao mesmo tempo romântica e cheia de inspiração", teoriza ele. "Agora que fiquei esses dias no Rio, vendo esse mar azul-esverdeado e essa luminosidade, compreendi por que as melodias são tão belas. Aqui é mais ou menos como o paraíso."O motivo de ter passado 30 anos sem voltar ao Brasil é prosaico. "Morro de medo de viajar de avião e quase não saio da França", explica. Mas Lai tem lembranças felizes daquela viagem. Quase nada do Festival. "Havia barulho, muita gente e não dava para perceber o que acontecia", justificou-se. "Mas saímos de barco, eu, Jacques Brel e Quincy Jones, que também eram do júri do festival, e passamos o dia numa ilha de pescadores, sem carros ou qualquer outro veículo. Foi extraordinário."Da música brasileira, ficou a amizade com Vinícius e Baden Powell, outro que Barrouh lhe apresentou, e a admiração pela geração seguinte. "Gosto de Caetano Veloso, Edu Lobo, Milton Nascimento e outros desse período. Infelizmente, não conheço ninguém da novíssima geração", disse Lai. "O que me seduz nos músicos brasileiros não é só o fato de serem bons instrumentistas. Eles tocam com o coração e a música é uma linguagem universal. Posso dialogar com um músico mesmo que não conheça o idioma que ele fala."No cinema, sua música é mais que um complemento para as cenas. Depois de mais de 120 trilhas sonoras e 500 canções-temas Lai considera o diretor francês Claude Lelouch o parceiro ideal de mais de 30 filmes, desde a bem-sucedida estréia com Um Homem e uma Mulher. "Trabalhamos num esquema especial. Em vez de eu colocar a música em cima de imagens já prontas, ele me conta como será a história, quem são os personagens e escrevo a música", ensinou Lai. "A partir da canção ele roda as cenas. A música é um personagem, narra o que acontece no filme. Mas só faço isso com Lelouch, com os americanos, sigo o método tradicional."Atualmente, Francis Lai compõe uma ópera pop, com libreto da canadense Gina Bausson. "É a minha primeira ópera e trabalho há um ano. Nem sei quando termino. É uma comédia musical, mas sua montagem é muito mais complicada que um filme" adiantou ele. "Para fazê-la, parei com todas as outras atividades."Lai vai embora nesta quarta-feira e pretende voltar o mais cedo que puder. "Estou perdendo o medo de avião", prometeu. "Não quero passar mais 30 anos porque estarei muito velho para voltar ao Brasil."

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