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Austríaco Thomas Zehetmair reinventa repertório tradicional e abre espaço para novas composições

Em dois discos, violinista e regente mostra um nível extraordinário de qualidade

João Marcos Coelho, Especial para O Estado de S. Paulo

12 de fevereiro de 2014 | 18h00

O violinista e regente austríaco Thomas Zehetmair, de 52 anos, tem um talento múltiplo. Seu diferencial: um nível extraordinário de qualidade. Seja como violinista, seja como líder do quarteto de cordas Zehetmair. A estas qualidades, ele acrescenta a de regente. Desde 2002 é titular da Northern Sinfonia na Inglaterra e assumiu, na temporada 2012/13, como diretor artístico da Orquestra de Câmara de Paris.

Em dois lançamentos, Zehetmair brilha nas três funções. No álbum do selo Naïve, sola e rege Ravel e Debussy. Do primeiro, constrói uma interpretação irretocável e flamejante da diabolicamente difícil Tzigane. E rege com segurança e expressividade peças arquiconhecidas dos dois maiores compositores franceses das primeiras décadas do século 20, como a Pavana e Le Tombeau de Couperin, de Ravel; e a Petite Suite e a Danse Sacrée et Profane de Debussy. Ambos ainda aparecem juntos&misturados, com Ravel orquestrando uma sarabanda e uma dança de Debussy.

Como líder de seu sensacional quarteto de cordas, Zehetmair acaba de lançar um álbum duplo pelo selo ECM onde abre espaço para uma de suas preferências, a música contemporânea. Um itinerário fascinante e ao mesmo tempo desafiador, que abre com o último dos dezesseis quartetos de Beethoven, o opus 135, escrito em outubro de 1826. É de uma modernidade explícita, exige muito dos intérpretes. Na sequência, uma obra rara para esta formação, o único quarteto de cordas assinado por Anton Bruckner; e o quarteto nº 2 de Heinz Holliger. Um tributo do quarteto à sua primeira violoncelista, Françoise Groben, morta em 2011, completa este álbum duplo excepcional: uma performance de 2002 do segundo quarteto do compositor alemão Karl Amadeus Hartmann (1905-1963). Ao contrário de muitos músicos e compositores alemães que emigraram para os Estados Unidos nos anos 30, ele fez um torturado exílio interno. Permaneceu silencioso na Alemanha nazista (compôs muito, não publicou nada). O segundo quarteto é de 1945: é difícil imaginar música mais torturada do que esta, que contempla a ruína e a destruição do país.

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