Magdalena Wosinska/The New York Times
Magdalena Wosinska/The New York Times

Australiano Troye Sivan, a sensação das rádios dos EUA, prepara segundo disco

“Esse novo álbum vai refletir essas mudanças pelas quais passei e vivi nos últimos tempos. Precisei encontrar quem eu sou, fiz bons amigos. Tudo tem sido bem interessante”, disse o artista ao 'Estado'

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

04 Junho 2018 | 06h00

Troye Sivan, nascido na África do Sul e criado em Perth, na Austrália, tem, nas suas primeiras memórias da infância, a lembrança de assistir a uma performance de Michael Jackson na TV. O rapaz tinha seus 4 ou 5 anos na época (por volta de 1999 e 2000) e Michael Jackson estava prestes a deixar as turnês.

No vídeo antigo, contudo, o Rei do Pop provava o motivo de receber a alcunha de realeza da música radiofônica. Dançava como se seus pés tivessem vida própria, para frente, para trás, para um lado e para o outro. Cantava com desenvoltura também, como se tivesse dois pulmões, um para jogar oxigênio para seus músculos e continuar a dança e outro somente para dar conta de soltar a voz. Hipnotizado, Sivan percebeu que ali estava seu futuro, de alguma forma. 

Realizou-o, aos pouquinhos. Com um início no cinema, na carreira de ator. Hoje, aos 22 anos, morando em Los Angeles, nos EUA, o rapaz é um dos mais quentes artistas do pop atual. No mês passado, sua música My My My!, lançada no início deste ano, chegou ao prestigiado topo da parada Dance Club Songs, especializada em identificar as músicas mais tocadas por DJs nas festas de música eletrônica dos Estados Unidos – em 2016, outra música do guri, chamada Youth, também chegou ao topo da lista. 

O fato só coloca mais expectativa sobre Bloom, o segundo álbum do artista, cuja data de lançamento (31 de agosto) foi anunciada enquanto ele cantava a mesma My My My! em uma participação no show de outra poderosa do pop atual, Taylor Swift – tudo isso ajuda a entender a força das credenciais do rapaz, mesmo que ele ainda seja um nome em crescimento para os ouvintes brasileiros.

Seus números por aqui aumentam consideravelmente a cada novo single. No Spotify, o público brasileiro já é o quarto maior do mundo; no número de visualizações do clipe de My My My!, que beira os 30 milhões, os brasileiros ocupam a segunda posição na audiência dividida por países, de acordo com dados fornecidos pela gravadora do rapaz, a Universal Music. 

É provável também que o grande público já tenha visto o rosto de Troye nos cinemas e não o tenha relacionado ao rapaz da foto acima. Aos 9 anos de idade, ele interpretou a versão jovem do herói Wolverine no filme X-Men Origens – Wolverine, um dos mais decepcionantes longas feitos sobre o personagem tão amado dos quadrinhos. Ainda passou por outros filmes e séries menos badalados antes de encontrar o sucesso como músico com o álbum Blue Neighbourhood, de 2015. 

De Los Angeles, a finalizar o novo álbum, Troye fala como um misto de pós-adolescente com artista maduro. Ele celebra a intensidade dos compromissos profissionais desde que lançou o álbum de estreia e passou a entrar em turnê. “Hoje, vivo indo e voltando, de lugar em lugar”, explica o rapaz sobre sua moradia atual, na ponte aérea entre Austrália e a Costa Oeste dos Estados Unidos, principalmente.

“Esse novo disco (Bloom) vai refletir essas mudanças pelas quais passei e vivi nos últimos tempos. Precisei encontrar quem eu sou, fiz bons amigos. Tudo tem sido bem interessante”, diz. 

Sem medo do pop, Troye assume a sua forma mais pura, de batidas que inebriam e versos açucarados – mesmo quando tratam de temas como solidão e desamor. O material mostrado de Bloom até agora sugere um trabalho mais festivo do que o anterior, contudo.

“A música é universal”, ele avalia, “por isso, não importa a língua que você fale. Ela deve conectar e ajudar os outros.” 

No Tumblr, uma plataforma de blogs, Troye arrecadou ainda mais seguidores ao escrever sobre temas de gênero e identidade sexual. “Faz tempo que não escrevo lá”, admite ele – o último texto publicado foi em 2017. “Mas gostaria muito de voltar. Eu amo escrever.”

Para o jovem, passar a ser uma referência para a comunidade LGBT tem início na ideia de viver a sua vida da melhor forma que puder. “Viver, do jeito que posso, é o melhor exemplo que posso dar”, ele diz. “Sou aberto. E espero que isso afete as outras pessoas”, explica o rapaz. 

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