Aumenta a tensão no julgamento de Michael Jackson

Michael Jackson chegou tarde nesta quinta-feira, ao julgamento do caso em que é acusado de molestar sexualmente um garoto de 13 anos que sofria de câncer e que hoje tem 15 anos, sob pena de ser preso ou de ter confiscados os US$ 3 milhões que pagou a título de fiança para permanecer em liberdade durante o julgamento.Mas o juiz não imputou nenhuma pena ao cantor na abertura da sessão na Corte de Santa Maria, onde os jurados assistiram hoje ao segundo testemunho do jovem que acusa Jackson. Ele disse que o cantor lhe deu vinho para beber.O juiz da Corte Suprema Rodney S. Melville emitiu uma ordem de prisão contra Jackson se ele não chegasse na hora, e deu ao advogado do cantor Thomas Mesereau Jr. o prazo de uma hora para que Jackson se apresentasse no tribunal.Mesereau disse ao juiz que Jackson sofreu um sério problema na coluna e que estava em tratamento num hospital, depois, foi visto do lado de fora do tribunal, falando com expressão preocupada ao celular, até que o cantor chegasse, minutos antes de terminar o prazo estipulado pelo juiz.O pop star chegou com mais de uma hora de atraso e dois minutos antes de terminar o prazo dado pelo juiz para que ele comparecesse à corte se não quisesse ser preso. Jackson chegou vestido com simplicidade, aparentando estar de pijama, com um blazer por cima, às 9h37 locais, cerca de 14h37 em Brasília. Os advogados se reuniram em particular com o juiz antes de o julgamento ser reiniciado e Melville se dirigir ao júri. "O senhor Jackson teve um problema de saúde e foi preciso que eu ordenasse sua apresentação", disse Melville. Ele disse que não queria que os jurados tirassem conclusões negativas do fato.A porta-voz de Jackson, Raymone K. Bain disse, fora da corte, que o cantor acordou por volta das 4h30 (9h30 de Brasília) com problema na coluna. Ela disse que ele avisou seu advogado e foi levado para o pronto-socorro do hospital, onde chegou às 5h45 (10h56 de Brasília). Ela disse que Jackson queria ir à corte, para ouvir o segundo dia de testemunho de seu acusador. "Ele sabe a seriedade disto. Ele não está fingindo", ela disse.O jovem de 14 anos testemunhou sobre o documentário de TV no qual ele aparece com Jackson de mãos dadas e colocando a cabeça nos ombros do cantor. O garoto tinha 13 anos e sofria de um câncer no estômago, na época.O documentário, exibido em 6 de fevereiro de 2003, causou furor por que Jackson disse que ele costumava compartilhar sua cama com crianças. A promotoria acusa Jackson de ter molestado o garoto depois da exibição do documentário e conspirado para manter sua família cativa a fim de refutar o documentário.O irmão do acusador testemunhou dizendo que Jackson molestou seu irmão por duas vezes enquanto ele estava dormindo em sua cama no rancho do cantor Neverland (Terra do Nunca).O acusador testemunhou que Jackson sugeriu que eles dessem as mãos durante o documentário e que ele colocou a cabeça em seu ombro espontaneamente. "Eu estava realmente muito próximo de Michael ele era meu melhor amigo. Eu pus minha cabeça em seu ombro", disse.O garoto disse ainda que Jackson o convidou para ir a Miami porque o queria junto dele quando ele falasse à imprensa em resposta ao documentário.Disse ainda que Jackson ficou inicialmente relutante para deixar sua mãe ir junto, mas aceitou, quando o menino disse que ele não poderia ir se não fosse assim.Ele descreveu vários encontros privados com Jackson em Miami no dia em que o documentário foi ao ar, incluindo um no qual ele fez um "teste" para o cantor, em que fingia ser um estudante com problemas enquanto Jackson interpretava o diretor.Disse também que Jackson deu vinho a ele em uma lata de Coca-cola diet, dizendo que o ajudaria a relaxar do stress causado pela repercussão do documentário na mídia."Ele me perguntou se eu já tinha ouvido falar alguma vez no suco de Jesus. Perguntou se eu sabia que Jesus bebia vinho e disse que "nós o chamamos de suco de Jesus", contou o jovem."Eu bebi um pouco e disse a ele que tinha um gosto ruim... Ele disse que sabia que eu estava estressado com o que a mídia estava fazendo e que o suco de Jesus ia me relaxar". O garoto disse que já tinha tomado vinho em um cerimônia na igreja.A testemunha disse que também dividiu a lata de Coca em um vôo no avião particular de Jackson na volta de Miami. Ele disse que Jackson ofereceu-lhe a bebida após dizer que tinha medo de avião. "Ele me disse para beber o suco de Jesus, que isso iria me relaxar", disse o garoto, acrescentando que eles também deram a lata para seu irmão.Ele disse que Jackson deu a ele uma jaqueta quando eles deixaram o hotel em Miami e um relógio no avião. "Ele me disse para não dizer nada a ninguém sobre o suco de Jesus. Ele disse que este era um sinal de amizade entre eles", disse a testemunha.O garoto falou que deu o relógio para o advogado, Larry Feldman, que representou sua família depois que eles deixaram Neverland pela última vez.Foi perguntado a ele se o empregado de Jackson, Dieter Wiesner, tentou pegar o relógio de volta e o jovem disse que não. Seu irmão testemunhou previamente que Wiesner tentou tomar o relógio de volta. O nome de Wiesner consta no processo como um dos responsáveis pela conspiração para prender a família do garoto.

Agencia Estado,

10 de março de 2005 | 18h37

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