WILTON JUNIOR/ESTADÃO
WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Atrações do Sunset não surpreendem no Rock In Rio 2015

Com clássicos da bossa nova, Al Jarreau e Marcos Valle fizeram o melhor show da última noite no palco secundário

GUILHERME SOBOTA, JOÃO PAULO CARVALHO E PEDRO ANTUNES, O Estado de S. Paulo

28 de setembro de 2015 | 01h00

Diferentemente dos anos anteriores, o Palco Sunset não trouxe nenhuma apresentação muito surpreendente ou inovadora nesta edição do Rock in Rio. A exceção ficou por conta de Baby do Brasil e Pepeu Gomes, que fizeram um show épico no primeiro fim de semana. Eles não dividiam o mesmo palco há 27 anos. Fora isso, no geral, o que se viu foi pouca criatividade e alguns encontros costurados, que não deram liga.

No domingo, 27, o cenário melhorou levemente. Al Jarreau e Marcos Valle penúltima performance do festival, tocaram juntos clássicos da bossa nova e encantaram o público.

Você pode até não se lembrar, mas Al Jarreau está bem longe de ser uma figurinha inédita no Rock in Rio. O músico tocou no festival em 1985 na mesma noite de George Benson e James Taylor. Naquela ocasião, fez um grande show. E Jarreau repetiu a dose de 30 anos atrás. Sua performance no Palco Sunset foi digna dos grandes mestres.

Único a vencer o Grammy em três categorias diferentes (jazz, pop e R&B), o artista de 75 anos mostrou que sua voz continua intacta e de longo alcance. Isso ficou nítido em Your Song, de Elton John. A versão de Al arrancou suspiros do público.

Al Jarreau é incansável, mesmo com um banquinho estrategicamente posto à disposição para que ele não se canse. “Tristeza não tem fim. Felicidade sim”, brincou ao cantarolar A Felicidade, de Tom e Vinicius, com um português meio enrolado. “A bossa nova é algo muito importante na minha carreira. Quero convidar um amigo para cantar essa comigo”, disse, antes de convocar Marcos Valle.

Convidado especial do show, Valle foi chamado para cantar o clássico da bossa nova, Samba de Verão. Al fez muitas brincadeiras com o nome do amigo e até improvisou uma música no palco. Marcos Valle ainda voltaria para uma versão especial de Os Grilos.

Mais cedo, o Suricato fez uma apresentação certinha. Destaques no reality musical Superstar, da TV Globo, em 2014, o quarteto carioca contou com a participação do instrumentista Raul Midón, que deu mais qualidade sonora à performance. Instrumentos esquisitos aos olhos dos leigos, como o didgeridoo (objeto de sopro) e a mala-bumbo deram um toque refinado ao show. O repertório do Suricato não teve hits, mas conseguiu atingir em cheio o fã de música pop. O set foi baseado no disco Sol-te.

Com voz poderosa de diva do soul, a portuguesa Aurea, hit no país europeu, e o rapper Boss AC, de ascendência cabo-verdiana, fizeram uma festa de R&B e hip hop. 

A parceria talvez tenha sido a que funcionou com maior naturalidade entre as propostas do festival até aqui: sempre junta no palco, a dupla foi ganhando o público que transitava entre a entrada da montanha russa e as lanchonetes do lado do Sunset com a mistura de “boas vibes” e um flerte inocente que rolava solto entre os dois. “Tenho aqui a meu lado uma princesa”, disse AC antes de uma canção.

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