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Atração do Lollapalooza, Cage the Elephant está de volta

Depois de surpreender em 2012, banda de Matt e Brad Shultz é um dos destaques do Festival

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2014 | 02h06

Atração do Lollapalooza Festival, o grupo norte-americano Cage the Elephant não vem mais ao País como uma incógnita. Todos sabem do que é capaz: em 2012, estrelou o mesmo festival em São Paulo e conquistou a plateia com sua performance extenuante, elétrica, insana.

Agora, dois anos depois, eles retornam com um novíssimo disco, Melophobia, e reputação cimentada. Abriram shows, nesse período, para Queens of the Stone Age, Black Keys, Foo Fighters, Stone Temple Pilots e outros. Tocam em abril numa mostra que terá estrelas vencedoras do último Grammy, como a cantora Lorde e as bandas Imagine Dragons e Vampire Weekend (além de Pixies, Phoenix, New Order e outros). A nova edição brasileira do lendário festival, fundado pelo líder da banda Jane's Addiction, Perry Farrell, será nos dias 5 e 6 de abril, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo.

Formado pelo irrequieto vocalista Matt Shultz, o guitarrista Brad Shultz, o baixista Daniel Tichnor, o guitarrista Lincoln Parish e o baterista Jared Champion, o grupo gravou o novo álbum no lendário St. Charles Studio, em Nashville. Originalmente, eles formaram o grupo em Bowling Green, Kentucky. As letras barrocas, como as de Shake me Down (hit alternativo número 1 nos EUA durante seis semanas), os consagraram. Continuam afiados nessa linha. "Cada vez que vou embora você dá um jeito de voltar por debaixo da minha pele. Então, não posso ajudar a mim mesmo, perdi minha auréola", canta Matt Shultz, em Halo.

O guitarrista Brad Shultz falou ao Estado na semana passada sobre seu retorno ao País. "Sentimos uma grande energia em São Paulo, as pessoas têm fome de música, de cultura".

É verdade que a música Come a Little Closer foi feita durante uma viagem entre Buenos Aires e São Paulo?

Na verdade, foi feita inteiramente no Brasil. A gente estava em um hotel. Acordei uma manhã e fui até a janela. Ainda estava escuro, e havia uma favela num morro. Imaginei aquilo como uma comunidade de formigas, tudo muito pequeno lá à distância. Logo, tive o insight da música, e eu o Matt escrevemos a letra. Vimos as crianças ali, jogando bola, e ficamos muito conectados com aquilo, à ideia de que as coisas são diferentes do que parecem à distância. Vai ser emocionante tocar de novo em São Paulo, e tocar essa música.

Na sua última apresentação aqui, Matt jogou-se diversas vezes na plateia, parecia que nem conseguiria ser resgatado. Ele faz sempre isso. Não tem sequelas?

Ele já quebrou duas costelas, fraturou o braço, teve ferimentos nas pernas. Ele definitivamente sofre com aquilo, mas não há jeito de fazê-lo parar.

O novo disco, Melophobia, é mais dark e lento do que os anteriores. Isso tende a tornar o show menos acelerado?

Nosso lance é paixão e energia. Uma mistura de material novo e material antigo dá o tom da apresentação, mas não há mudança. É o nosso show de sempre.

Neste mês, vocês estarão fazendo a abertura de shows da banda inglesa The Foals.

Sim, faremos shows com eles no Reino Unido e na Europa. É só por um período curto. Isso nos honra, porque eles são uma banda maravilhosa e inspiradora. Há quem os rotule de math rock, mas o rock trata mais de energia do que de estilo. Há muitos jeitos de definir a música, mas sinceramente acho a maioria deles ridículo. Eu me divirto com tantos tipos diferentes de música que não levo a sério esse papo de 'isso é gênero', 'isso é subgênero'. Para mim, só existe um grande gênero gigante, o rock'n'roll. Não importa se você usa eletrônica nele ou não. Mantemos o mesmo estilo, que é feito de crueza e entrega.

Já vi gente dizendo que vocês têm uma pegada grunge, o que os conectaria com aquele som de Seattle. De quantas maneiras já definiram vocês?

Não sei, cara. Não temos um só jeito de tocar. E, de disco a disco, mudamos, evoluímos. Não estamos presos a um dogma musical. Tocamos rock'n'roll, queremos mudar para a frente. O grunge foi uma grande fonte de inspiração para a gente, assim como o foram David Bowie e Ramones e Iggy Pop. Não queremos ser catalogados, mas apenas tocar com nossas almas.

Nesse novo disco vocês mudaram. Há instrumentos de sopro em algumas músicas, como por exemplo Black Widow.

Uma das coisas legais a respeito desse disco foi a chance de colaborar com gente maravilhosa, como o saxofonista Jeff Coffin (que tocou com Béla Fléck e com Dave Matthews). Queríamos manter a nossa energia, mas com um som mais compacto, e os sopros deram um clima muito abrasivo, interessante. Queríamos alcançar o ouvinte também fisicamente. Foi muito louco, especialmente em faixas como Teeth. Há uma dança ao redor da canção, um movimento de corpos.

Cage the Elephant é uma banda que tem dois irmãos à frente, você e Matt. Mas são irmãos de comportamentos opostos aos de Noel e Liam Gallagher, não?

De fato, não tem nada em comum (risos). Crescemos com meu pai tocando com a gente. Nunca pensamos nisso, sempre só quisemos tocar. A parceria saiu natural. Matt não toca instrumentos, embora tenha tido lições de violão. No início, as bandas só tocavam covers, as garotas adoravam covers. E nós tínhamos outros planos. Com 14, 15 anos começamos a compor juntos. Mas somos de espectros diferentes. No fim, há um ponto médio entre o que a gente pensa da música, e aprendemos muito com cada um, com as diferenças de cada um. Não há conflito.

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