André Hawk
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Ator Ícaro Silva viaja pela black music de várias épocas

Em ‘Ícaro and the Black Stars’, que estreia nesta sexta, 16, ator e intérprete pilota show em que dialoga com nomes sagrados da black music, como James Brown

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

16 de agosto de 2019 | 06h00

Ícaro Silva é um ator versátil – já foi Jair Rodrigues, em Elis – A Musical (2014), e Wilson Simonal, em S’Imbora – O Musical (2015). Na versão do clássico shakespeariano Romeu e Julieta (2018), ele foi um dos destaques ao oferecer uma interessante androginia para compor o personagem Mercuccio. Mas faltava algo, que ressaltasse seu talento como intérprete. Não mais: em Ícaro and the Black Stars, que estreia nesta sexta, 16, no Teatro Novo, ele homenageia um punhado de monstros sagrados da música negra.

“Sempre tive o desejo de louvar algumas estrelas, que me envolvem de forma mais próxima com a canção”, conta ele que, no palco, apresenta clássicos de artistas como Michael Jackson, Bob Marley, Tim Maia, Wilson Simonal, Beyoncé e James Brown. Não se trata, porém, de um show convencional – para se entender melhor, convém voltar um pouco no tempo.

Afinado com o dramaturgo e diretor Pedro Brício, além do produtor musical Alexandre Elias (dupla com quem trabalhou em S’Imbora e Show em Simonal), Ícaro sonhava em desafios maiores. “Eu já desejava fazer um show que se parecesse com um musical, enquanto Pedro pensava em fazer um espetáculo que apresentasse ícones da canção negra”, conta. “Juntamos as ideias e nasceu o Ícaro and the Black Stars."

O espetáculo, segundo sua própria definição, é vintage: em cena, ele interpreta o comandante Ícaro, piloto de uma nave espacial que aterrissa em diversos pontos do planeta e em distintas épocas, sempre em busca dos grandes nomes da black music internacional e nacional. “A inspiração vem de seriados de ficção científica, como Star Trek, daquela forma bem particular de se contar uma história. Ou seja, é uma brincadeira com a fronteira que separa a realidade da ficção.”

Ícaro apressa-se a dizer que, embora carregue seu nome, o personagem não é inspirado inteiramente em sua história – é apenas uma forma de expressar esse seu desejo de se envolver de forma mais próxima com a música. Ele também não imita seus homenageados, mas se apodera, em alguns casos, das características mais marcantes para criar um novo tipo. E nem todos aparecem cantando. “Há artistas, como Seu Jorge, que eu me refiro como o dono de uma loja de discos onde eu compro meus álbuns.”

O roteiro de Pedro Brício oferece surpresas, que vão desde o preciosismo histórico – como o momento em que se apresenta Bob Marley, por meio de seu clássico No Woman No Cry – até a situações hilariantes, como quando apresenta uma homenagem muito particular a Beyoncé (revelar mais seria spoiler). “Posso apenas adiantar que me divirto demais vivendo essa parte do show”, comenta ele, cuja voz soa familiar para os fãs da nova versão de O Rei Leão, na qual dubla Simba.

Ícaro, o personagem, não viaja sozinho, mas acompanhado das black stars Cássia Raquel e Hananza. “São as ‘copilotas’ nessa viagem vanguardista, em que conto histórias que atravessam a vida desses artistas e também a minha. Ser um artista negro já me confere uma potência artística e uma potência política, social”, argumenta ele, que conta ainda com a coreografia de Victor Maia.

O próprio Ícaro prefere não definir com exatidão o espetáculo, que tem elementos teatrais, mas em formato de show, ou seja, une uma “dramaturgia documental” com recursos animados, como video mapping, ou seja, projeções de imagens em objetos ou superfícies irregulares. “Um trabalho lúdico e megalomaníaco”, diverte-se o ator, que conta ainda com a cumplicidade do público. “Busco estabelecer aquela convenção entre artista e plateia, em que quase tudo é sugerido, mas perfeitamente aceito como verdadeiro.”

ÍCARO AND THE BLACK STARS

Teatro Novo. Rua Domingos de Morais, 348. Tel.: 2155-0665. 6ª e sáb., 21h30. Dom., 19h. R$ 70 / 

R$ 80. Até dia 6/10

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