Foto Thamiris Rezende/Ascom-FCS
Foto Thamiris Rezende/Ascom-FCS

Ateliê cria óperas baseadas em Fernando Sabino

Projeto da Fundação Clóvis Salgado inclui a estreia de cinco obras criadas a partir do livro ‘O Grande Mentecapto’

Luciana Medeiros, Especial para o Estadão

21 de dezembro de 2021 | 05h00

Cinco óperas breves que traduzem diferentes visões de um grande personagem da literatura brasileira sobem nesta terça, 21, ao Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, em Belo Horizonte, com solistas convidados, Orquestra Sinfônica e Coral Lírico de Minas Gerais. Baseadas em O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino, as obras reunidas sob o título Viramundo - Uma Ópera Contemporânea foram criadas no Ateliê de Dramaturgia promovido pela Fundação Clóvis Salgado. A apresentação será gravada e postada no Youtube da Fundação entre os dias 28 e 31 de dezembro.

O Ateliê, concebido e coordenado pela diretora Lívia Sabag e pelo regente Gabriel Rhein-Schirato, focou o desenvolvimento de libretistas brasileiros, num projeto pioneiro que envolveu mentoria, debate e criação para uma turma de 16 alunos ativos, mais 26 ouvintes. Cinco dos alunos foram selecionados para a criação do produto final, formando duplas com compositores convidados. É o que sobe à cena agora. 

As cinco óperas - As Três Mortes de Geraldo Viramundo, de Ricardo Severo e André Mehmari; Não Gosto de Corpo Acostumado, de Djalma Thürler e Denise Garcia; Viramundo, Viraflor de Julliano Mendes e Antonio Ribeiro; Circunvagantes, de Luiz Eduardo Frin e Maurício de Bonis; e O Julgamento, de Bruna Tameirão e Thais Montanari - ganharam direção de Rita Clemente e regência de Rhein-Schirato. 

Textos

“O libretista brasileiro é bicho raro”, avalia o maestro. “Ouvimos frequentemente de compositores interessados em escrever ópera que precisam de texto.” Lívia concorda. “E, partindo da criação do libreto, procuramos aproximar da ópera profissionais de muitos campos de criação, como escritores, encenadores, dramaturgos, jornalistas”, conta. 

Com encontros semanais por videoconferência entre agosto e outubro, os alunos tiveram módulos de orientação, debates e dinâmica, com palestrantes convidados de todas as áreas do universo lírico. Dos estrangeiros, destaque para o consagrado diretor Peter Sellars e Jelena Novak, pesquisadora da pós-ópera na Universidade Nova de Lisboa. A orientação para a criação dos libretos foi do poeta Geraldo Carneiro. 

Um dos módulos, o de jornalismo cultural e crítica, foi capitaneado por João Luiz Sampaio, colaborador do Estadão. “Pensar o futuro da ópera brasileira abrange também a reflexão sobre o jornalismo dedicado à música e à crítica.” O exercício analítico vai incluir a produção de críticas a respeito do espetáculo final.

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