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Astros do auge do pós-punk, roqueiros do James chegam ao Brasil após 30 anos de estrada

Banda toca na próxima segunda em São Paulo e diz que dividem opiniões

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2012 | 21h00

Contemporâneos de U2, The Cure, Gang of Four, Echo and the Bunnymen e outras bandas pós-punk importantes dos anos 1980, os britânicos do grupo James foram encolhendo ao longo dos anos. Sua dedicação a um ideário de tragicidade e paixão exacerbada (além de um tempero folk) os levou a vender 25 milhões de discos nos anos 1990, mas também os empurrou para o córner do rock alternativo nos anos seguintes.

Eis que, 30 anos após surgir em Manchester, o James desembarca na segunda no novo templo alternativo de São Paulo, o Cine Joia. Eles tocaram no Lollapalooza Chile no ano passado, para mais de 15 mil pessoas, mas dizem que o que gostam mesmo de fazer é encarar o público de perto.

"Foi bacana tocar para todo aquele público em Santiago, mas nós tocamos só uma hora e geralmente fazemos shows de mais de 2 horas. Não é o ideal. A gente também gosta de mais intimidade com a plateia, e o clube de São Paulo parece um lugar bacana. É o tipo de show que você sabe que as pessoas que estão à sua frente realmente queriam estar ali, não estão na audiência só por causa do pacote todo", disse ao Estado o guitarrista, violinista e percussionista Saul Davies, no James desde 1988.

"James divide opiniões: não é uma banda técnica, é muito simples. Não ensaiamos antes das turnês, o colapso é parte da nossa estética. Não criamos um ambiente controlado, é tudo mais livre. Esse é o espírito da música indie", tenta explicar Davis, que morou 4 anos no Porto, em Portugal, e fala português fluentemente (mas só avisou isso no finalzinho da entrevista).

Um dos grandes trunfos do James é a voz do cantor Tim Booth ("Não há mais vozes como a dele no pop rock", diz Davies). Boot, que já foi expulso da banda no início dos anos 2000, reconciliou-se com os colegas e está de novo à frente do comboio. "James é uma banda muito britânica. Nós tocamos com muita paixão, é um abordagem sentimental, muito emocional. Em alguns países, isso causa reações opostas, há quem ame e quem deteste", admite.

O James não se inibe com as reações adversas, pelo contrário. "Tudo bem. De fato, não fazemos um tipo de música que vá agradar a um fã de Madonna, mas acho que as pessoas deviam experimentar, provar alguma coisa diferente", diz o guitarrista.

"Nossa intenção sempre foi fazer uma música desafiadora. Se você ouvir o nosso primeiro disco, Stutter (1994), vai ver que era muito naïf, não havia uma busca de profissionalismo. Acho que ainda mantemos essa ingenuidade, embora saibamos que é mais difícil para uma plateia, especialmente nos dias de hoje, apreciar essa busca de uma pureza."

De fato, eles não estão em busca de aclamação fácil. Tanto que, de todos os seus hits, talvez só toquem o maior deles, Laid. "Mas talvez não toquemos", emenda Davies. "Sabemos que todo mundo quer ouvir, mas nós consideramos que o James tem tantas músicas em outros discos, canções lentas, canções velozes. Sempre preferimos mostrar algo de nosso catálogo. Se a gente repete sempre as mesmas músicas, é como oferecer um fac-símile para o público. Tivemos 16 top hits na Inglaterra, tocar só as mesmas canções o tempo todo é até meio doloroso", diz o músico.

QUATRO TEMPOS

1. O single de Laid (1993), levou a banda a vender 600 mil cópias nos EUA e a virar hit número um das college radios americanas.

2. A banda tocou no Coachella Festival, na Califórnia em 14 de abril de 2011.

3. Um encalhe do James foi Millionaires, de 1999, que tem um porco com um colar na capa (produção de Brian Eno).

4. Com Golden Mother (1990), projetaram o movimento batizado de Madchester, que incluía Stone Roses, Charlatans e Happy Mondays, entre outros

JAMES EM SÃO PAULO

Cine Joia. Praça Carlos Gomes, 82, metrô Liberdade,. 3231-3705. 2ª, às 23h30. R$ 60/R$ 120.

Emotivo. Grupo persegue sentimento e estética naïf

 

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