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Assassinato de cantor pop etíope provoca revolta no país africano

Haacaaluu Hundeessaa, da etnia subjulgada oromo, apoiou o atual primeiro ministro Abiy Ahmed e fazia uma música pop que serviu como hino contra a repressão no continente

Dawit Endeshaw, REUTERS

24 de julho de 2020 | 14h22

AMBO, Etiópia - A casa branca de pedra com piso pavimentado se destaca na cidade etíope de Ambo, em uma região pobre onde as casas são construídas principalmente de madeira e barro. Mas a cerca ao redor está incompleta — um lembrete constante do filho mais famoso, o cantor e político Haacaaluu Hundeessaa, que foi morto a tiros por homens armados desconhecidos em Addis Abeba, no mês passado.

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“Meu filho era um herói como um leão, ele rugia por seu povo, mas foi devorado por ratos”, disse, chorando, Gudetu Hora, mãe de Haacaaluu, à Reuters. Haacaaluu, de 36 anos, era membro do grupo étnico oromo —o maior da Etiópia—, e suas canções eram hinos para jovens manifestantes que derrubaram um dos regimes mais repressivos da África.

A morte dele provocou protestos na capital, nos quais 178 pessoas foram mortas. Duas pessoas, incluindo o suspeito, foram presas pelo assassinato de Haacaaluu. “Meu coração não vai se curar até o dia em que me juntar a ele”, afirmou Hundeessaa Bonsa, pai do falecido músico. “Minha ferida vive como está, não vai curar. Haacaaluu era o filho brilhante da casa.”

As músicas de Haacaaluu, gravadas na língua oromo, foram a trilha sonora de uma geração de manifestantes cujos três anos de protestos antigovernamentais finalmente forçaram a renúncia do primeiro-ministro em 2018 e sua substituição por Abiy Ahmed, cujo pai é oromo.

Expoente da moderna música pop etíope, Hachalu Hundessa, 36 anos, foi morto a tiros em um condomínio em Adis Abeba, capital da Etiópia.  Os relatos são de que ele teria sido vítima do conflito entre grupos étnicos que tomam o país africano. Vários suspeitos foram presos e estão sendo investigados. “A Etiópia perdeu uma vida preciosa”, afirmou o ministro Abiy Ahmed em comunicado à emissora estatal Fana. "Vamos expressar nossas condolências, mantendo-nos seguros e evitando novos crimes."

Hachalu, que havia sido prisioneiro político, cantou a favor da ascensão de Abiy após a renúncia do ministro anterior, Hailemariam Desalegn, herdeiro de Meles Zenawi, em 2018. Ele era membro de uma etnia historicamente subjugada no país, que hoje tem representações no governo e comanda medidas de abertura política e liberdades democráticas.

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