Asia, para alegria dos fãs de rock progressivo

Roger Waters monopoliza as atenções, mas muitos fãs do rock progressivo vão peregrinar um pouco além do Morumbi nesta sexta, 23, atrás da essência do gênero. Trata-se do show do primeiro supergrupo de rock dos anos 80, a banda Asia, no Credicard Hall. Pela primeira vez no Brasil com o line-up original (Steve Howe, John Wetton, Carl Palmer e Geoff Downes), eles farão um set de clássicos das bandas que já integraram: Yes, King Crimson e Emerson, Lake and Palmer.O baterista Carl Palmer, do famoso grupo Emerson, Lake and Palmer (que esteve no País em 1997), falou ao Estado, por telefone, da Cidade do México, sobre a reunião da superbanda. ?Essa reunião com os ex-colegas me pareceu natural. O Asia tem uma história muito forte na música, faz um som único, e também tem fãs fiéis. Teve um álbum que ficou durante 9 semanas no topo das paradas. Por que não recuperar isso??O Asia também toca alguma música mais erudita, como composições de Aaron Copland e Ginastera. E o grupo solo de Palmer vai ainda mais fundo nos clássicos. ?Você precisa entender que nós somos europeus, não americanos. Gostamos de verdade de música clássica, e é natural tentar tocar ou adaptar de um jeito original. Um grupo contemporâneo pode fazer as pessoas se interessarem e levá-las aos originais. Culturalmente, acho uma coisa boa?, diz ele. ?Gosto, claro, de Gene Kruppa e Buddy Rich. Em casa, meu pai ouvia jazz. Mas meu avô era violinista da Royal Academy, gostava de música erudita, e me influenciou.?Artes marciaisMas Carl Palmer, modelo de baterista para gerações, também se revela admirador de outros tipos de música. ?Gosto de Kaiser Chiefs, Blink 182, Green Day, Flaming Lips. Kaiser Chiefs é muito forte hoje na Inglaterra?. O músico, que praticou artes marciais (Jodori) durante 17 anos, disse que as técnicas orientais não se destinavam a melhorar sua performance nos palcos.?Não foram importante para a bateria, mas para a saúde, para o corpo e a mente. Mas não pratico mais, porque minhas mãos já não têm a mesma força?, afirmou, que já foi considerado por revistas especializadas como um ?farol? em sua especialidade. ?É legal quando dizem coisas legais sobre você, mas para ser honesto, não levo a sério. Eu sei quão bom eu sou e quando não sou bom. Entendo a opinião dos outros, mas ao final do dia é minha própria avaliação que conta.?Debochado, Palmer tira sarro até das vocações familiares. A filha, de 24 anos, formou-se advogada. ?Se isso é bom? É ótimo. Quando eu preciso de alguém para me defender, recorro a ela, é mais barato?, diz, rindo.O batera, que já integrou grupos como Atomic Rooster e hoje alterna-se entre Asia e The Carl Palmer Band, diz que sente-se confortável em todas essas formações. ?Tem sido fantástico. Claro, todos têm seus problemas, seus erros. Mas fico mais orgulhoso de manter tantas variações?. Em maio, seu próprio grupo toca na Itália.A respeito do Brasil, diz que suas informações se resumem às seções percussivas das escolas de samba. ?Também ouvi Airto Moreira e Flora Purim. Ele vive na América, não? Mas vou ser honesto: não gosto daquele som soft. É como música de elevador, um pouco chata?, disse. Além de Palmer, o Asia tem ainda o guitarrista Steve Howe e o tecladista Geoffrey Downes, que vieram do Yes (Downes também tocou no The Buggles); John Wetton, que foi o baixista do King Crimson (e também do Family e do Roxy Music). Em meados dos anos 80, o grupo viveu o auge de seu prestígio público e chegou a tocar no Budokan Theatre de Tóquio com transmissão via satélite para 20 milhões de espectadores.O show atual, segundo Palmer, dura cerca de duas horas e vai até a quarta música só com hits exclusivos do Asia (Heat of the Moment, Only Time Will Tell e Soul Survivor). A partir daí, eles tocaram também Roundabout, do Yes; In the Court of the Crimson King, do King Crimson; Video Killed the Radio Star (fabuloso hit pré-disco do Buggles), e a versão progressiva do Emerson Lake & Palmer para Fanfare for the Common Man, de Aaron Copland. Depois, Steve Howe ainda faz um solo em The Clap, do Yes.

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