As popozudas do Tio Sam

A linha de produção que cria peitos e bumbuns que cantam foi colocada em potência máxima nos Estados Unidos. A máquina sustentada por milhões de dólares, em um universo que não perde os cabelos com camelôs piratas, fabrica Mariah Careys, Shania Twains, Jennifer Lopez, Christina Aguileras, Alicia Keys, Deborah Cox e Toni Braxtons aos montes e, especialmente neste final de ano, com uma vistosa novidade: as garotas se libertaram de seus pudores. Querem todas ficar nuas nas fotos, estão insinuantes, ambiciosas e desafiadoras perante seus homens. Jennifer Lopez, na contracapa de seu disco This is Me...Then, só usa lingerie e lança seu olhar "te quero pra ontem".Toni Braxton tenta o mesmo em More than a Woman mas fica com cara de moça propaganda do Alisabel. Shania Twain, a voz dos boiadeiros modernos, está de blusinha roída por traças em Up! e com olhar convidativo. Não bastava e o designer Steven Cowland a colocou ainda em um mini pôster no interior do encarte.Ao contrário dos livros, capas de discos têm o poder de condená-los ou absolvê-los por antecipação. Shania, por exemplo, saiu na foto com jeito de menina sapeca que acabou de fazer bobagem. Quando giram faixas como a infantil Up, equilibradas por bases eletrônicas, comprova-se a primeira impressão. Deborah Cox, outro exemplo, olha indecisa em uma foto de recorte mal feito e fundo branco. Seu The Morning After, ainda que superior ao de Jennifer Lopez, traz mais da mesma e frígida black music eletrônica dos anos 90 que não tem mais para onde correr.Não é por falta de vontade que o festival de mulherões do pop norte-americano não é reproduzido por aqui. Quando uma Shania vende 14 milhões de discos nos Estados Unidos, sua gravadora faz uma reunião com representantes da América Latina para decidir quem será a Shania do Brasil, da Venezuela, do Paraguai. A cantora Paula Manga colocou um chapéu de boiadeiro e tentou ser nacional, mas gravou um disco de country e nada lhe aconteceu. Uma loira de nome Tania Mara tenta agora fazer o mesmo.Sandy seria a Britney Spears que canta em português se deixasse o irmão de lado, tirasse os vestidos de fada e aparecesse de lingerie na contracapa de seus discos. Mas resistiu às tentações e não se arrepende. Sem precisar mostrar um centímetro de sua coxa, angelical nas capas de seus álbuns, já vendeu 10 milhões de cópias e ainda atiça a imaginação dos marmanjos. Em eleição da Revista VIP, ficou entre as primeiras mais sexy do País.Se as americanas têm como aliados os melhores produtores, as brasileiras têm as crianças. O disco de Kelly Key, lançado no início do ano, tem capa comportada porque foi pensado para atrair o público infantil. Isso na época em que a ex-senhora Latino dizia o seguinte ao JT: "Não poso para a Playboy por nada. Me ofereceram uma quantia que dava para comprar dois carros importados e recusei porque tenho um compromisso com as crianças." O disco do grupo Rouge foi pelo mesmo caminho. Na lista dos 100 mais vendidos do mês da Revista Sucesso CD, Kelly Key está em 29º lugar. Rouge está em primeiro.Nos Estados Unidos as divas, como são chamadas, lucram mais mas são obrigadas a suportar um jogo baixo. A indústria de fofocas é poderosa e está sempre de óleo quente para fritá-las ao primeiro descuido. Esta semana escapou que Jennifer Lopez assinou um contrato pré-nupcial para se casar com Ben Affleck. O estranho é uma cláusula que obriga Affleck a "comparecer" quatro vezes por semana. Os jornais divulgaram também que o ator estará fadado a pagar US$ 1 milhão cada vez que mentir à patroa.Shania, uma musa de 37 anos para os caubóis americanos, tem história azarada de cantora de blues dos anos 40 mas nem por isso é preservada pelas páginas de fuxico. Na infância passou fome e cantou em bares. Há 15 anos perdeu seus pais em um acidente de carro e interrompeu a carreira para cuidar dos irmãos. Mas do dia em que se casou com o super produtor Robert "Mutt" Lange em diante, ouviu dizer que, como Mariah Carey, que também casou-se com um tubarão, tinha seu preço. Whitney Houston vem comportada. Seu Just Whitney... é menor em sua discografia mas não menos promissor para alguém que já vendeu 120 milhões de discos sem ter de fazer biquinho nas capas.

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