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As curiosidades de dentro (e fora) dos palcos do Rock in Rio

Três edições realizadas no Brasil foram marcadas por brigas, exigências e, claro, grandes shows

estadão.com.br,

15 de setembro de 2011 | 22h16

Um dos maiores festivais de música do mundo, o Rock In Rio, chega à sua terceira edição em terras brasileiras, depois de um hiato de dez longos anos longe do País. O festival será realizado nos dias 23, 24, 25, 29 e 30 de setembro e 1 e 2 de outubro, na Cidade do Rock, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, com direito a mais 100 atrações.  Tantos shows rendem histórias no mínimo curiosas em cada edição do Rock in Rio.

1985

O sino de meia tonelada do AC/DC e "paixão" de Ozzy pelo Flamengo

Ao contrário do que muitos fãs pessimistas do heavy metal afirmam, o Rock in Rio é, sim, sinônimo de música pesada, e das boas. A primeira edição do evento, em 1985, contou com uma noite bastante agitada. Em 11 de janeiro, o público ouviu de perto a potência do sino do vocalista da banda AC/DC, Brian Johnsonn, na canção Hells Bells.

O grupo australiano exigiu a presença de um sino de meia tonelada para tocar na noite do heavy metal. O objeto era tão pesado que precisou ser trazido de navio para o Rio de Janeiro.

O palco, entretanto, não suportou a estrutura do sino. Para atender as exigências dos rapazes, que só dariam o ar da graça ao público gigantesco, caso o objeto estivesse presente, os cenógrafos tiveram de improvisar um sino de gesso para a ocasião.

O show se tornou um dos mais memoráveis da história do festival, com direito às batidas ensurdecedoras de Brian Johnsonn no inesquecível artefato.

A parte final da apresentação do AC/DC foi marcada pelos disparos de dois canhões, um de cada lado do palco, em For those about rock.

Se o AC/DC tentou trazer seu sino de meia tonelada para a primeira edição do Rock in Rio, em 1985, o príncipe das trevas, Ozzy Osbourne, que recentemente se apresentou no Brasil, não deixou por menos.  Preocupado em se apresentar no mesmo dia do escocês Rod Stewart, Ozzy acreditava que seria vaiado pelo público, o que acabou não acontecendo.

Com o recém-lançado álbum Bark at the Moon, Ozzy fez de tudo no show, inclusive vestir uma camisa do Flamengo, atirada no palco.

Uma cláusula do contrato de Ozzy o impedia de morder qualquer tipo de animal vivo durante a apresentação. A equipe do Rock In Rio decidiu tomar esta atitude devido ao famoso episódio em que Ozzy mordeu a cabeça de um morcego em um show, no ano de 1982, e teve de ser levado às pressas para o hospital. É claro que um engraçadinho jogou uma galinha no palco. O príncipe das trevas, contudo, não repetiu o mesmo erro e ignorou o pobre bichinho.

1991

Rock In Rio no Maracanã, o menor público do festival

Diferentemente da primeira edição do Rock in Rio, realizada na cidade do rock, construída em Jacarepaguá, a segunda edição do festival aconteceu no estádio do Maracanã, em 1991. O gramado foi adaptado para receber o palco e os mais de 700 mil espectadores em nove dias.

Foi o menor público da história do Rock in Rio no Brasil. Em 1985, 1.380.000 pessoas foram ao evento. A terceira e última edição, em 2001, contou com 1.235.000 pessoas.

O público também assistiu aos shows das arquibancadas do estádio.  A estrutura do evento também aumentou. O palco tinha 85 metros de frente por 25 metros de profundidade e era ladeado por duas telas de 9 m de altura por 7 m de comprimento.

A banda norueguesa A-HA conseguiu até um recorde de maior público pagante da segunda edição com 198.000 pessoas.

2001

A troca de farpas entre Oasis e Guns N'Roses

Já é de conhecimento de todos que os irmãos Noel e Liam Gallagher, ex-Oasis, não são lá muito amigáveis. O que ninguém esperava, entretanto, é que eles falariam mal de uma das bandas mais aguardas do festival, o Guns N'Roses, na coletiva de imprensa do Rock In Rio.

Questionado sobre o que para ele seria um mundo melhor, Noel Gallagher foi categórico: "Um mundo com um ar mais puro e sem armas e rosas", fazendo uma analogia à banda de Axl Rose.

Guns N'Roses e Oasis tocariam na mesma noite, o que deixou o clima bastante hostil entre os fãs dos dois grupos.

Na apresentação da banda inglesa, os fãs de Axl gritavam o nome do Guns N'Roses . Antes do Oasis fechar o show com 'Rock 'n' Roll Star', o vocal Liam disse: "Esta vai para o Senhor Rose".

Quando o Guns N'Roses entrou em cena, depois de um longo tempo de espera, Axl não deixou por menos e gritou: "Agora que vocês já dormiram, é hora do rock and roll de verdade", esbravejou.A banda norueguesa A-HA conseguiu até um recorde de maior público pagante da segunda edição com 198.000 pessoas.

O boicote das bandas brasileiras

A edição de 2001 do Rock in Rio também foi marcada por um boicote de algumas bandas brasileiras.  Grandes nomes do rock brasileiro decidiram não participar, faltando apenas quatro meses para o início do festival.

Liderados pelo O Rappa, outras seis bandas decidiram não tocar no Rock In Rio devido a problemas com os organizadores do evento: Skank, Jota Quest, Raimundos, Charlie Brown Junior, Raimundos e Cidade Negra. Com esse boicote, o cast do festival teve que ser reformulado.

Ira! e Ultraje a Rigor, dois fortes nomes do rock nacional, não participaram da retaliação e subiram juntos ao palco, com direito a uma versão de Should I Stay Or Should I Go, do The Clash.

A apresentação ficou conhecida na época como "Recreio dos Bandeirantes" (em referência ao bairro vizinho a Jacarepaguá e ao palácio do governo do Estado de São Paulo).

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