As apostas da música brasileira para 2001

2000 foi o ano dos relançamentos, das coletâneas de gosto duvidoso, da consolidação da cultura hip hop, da música eletrônica, da queda do pagode romântico e da volta de Caetano Veloso aos discos de carreira. Nos últimos 365 dias do século 20, e do segundo milênio, Gil encontrou Milton, filhos de ilustres músicos mostraram para que vieram ao mundo, a Trama abalou o mercado fonográfico e as pequenas gravadoras, como a Acari Records, se destacaram. Em 2000 foram lembrados o centenário de Pixinguinha, os 90 anos de nascimento de Noel Rosa, os 20 da morte de Cartola, entre outras efemérides. Não há profeta que se arrisque a dizer como será a MPB em 2001. Um reflexo de 2000? Talvez. De concreto, no entanto, podem-se destacar alguns lançamentos previamente anunciados por músicos e gravadoras, algumas boas apostas para 2001.Entre elas, o novo trabalho de Lenine, previsto para junho. Com Na Pressão, de 1999, o músico pernambucano marcou seu nome entre os grandes da MPB. Sua estética mutante vai além de misturar música tradicional e eletrônica. A música de Lenine é um caldeirão. Nela cabem referências e sonoridades de todos os cantos do mundo. Por isso, talvez seja a que melhor aproxima a música brasileira do futuro. Rita Ribeito também anuncia novo disco para 2001. A cantora maranhense, do excelente Pérola aos Povos, de 1999, ainda não fez a opção, mas pretende homenagear um grande compositor nordestino em seu próximo trabalho. Entre os nomes, João do Vale e Jackson do Pandeiro. Zélia Duncan também é nome certo na prateleira de lançamentos neste ano, pois está em estúdio desde o final do ano passado.Outros renovadores da MPB que têm discos anunciados para 2001 são o irregular Paulinho Moska, cujo último álbum é Móbile, de 1999, e Otto, que em maio coloca nas lojas Condom Black, disco em que pretende ressaltar as características regionais e percussivas de sua música. Quem também aposta nos novos nomes da MPB é o MPB 4. Miltinho, Magro, Ruy e Aquiles lançam no final do mês seu primeiro trabalho pela Abril Music, cantando Zélia Duncan, Lenine, Zeca Baleiro, Chico César, entre outros compositores que se destacaram na década de 90.Dos nomes que debutaram com grande destaque em 2000, está Max de Castro. Por Samba Raro, ele, um dos responsáveis por arquitetar a aproximação da MPB com o rap e a música eletrônica, foi bem recebido por público e crítica. Para 2001 promete dar seqüência ao trabalho, e pretende intensificar algumas de suas características, entre elas, o engajamento social.Max é também o produtor de um dos discos que Lobão prepara para este ano. Após o sucesso de A Vida é Doce, de 1999, que vendeu mais de 100 mil cópias e gerou uma das mais produtivas discussões do ano devido a seu sistema independente de distribuição, o músico lançou na Internet uma nova versão de Decadence avec Elegance e solta em breve um disco duplo ao vivo. O Pavilhão 9, um dos principais nomes do rap nacional, também está com disco novo pronto. Fato importante: este disco comprova que as grandes gravadoras já estão mais atentas à música produzida na periferia: o novo Pavilhão 9 sai pela Warner.Arrigo Barnabé, depois de relançar dois de seus clássicos - Clara Crocodilo e Tubarões Voadores - em 2000, prepara um trabalho dedicado às baladas que escreveu nestes 20 anos de carreira. Contemporânea a Arrigo, Ná Ozetti, vencedora do Festival da Música Popular Brasileira na categoria intérprete, prepara o disco que ganhou da Som Livre.Carlinhos Brown lança seu terceiro álbum solo. No site do cantor e compositor baiano, www.carlinhosbrown.com.br, que está em fase de reestruturação, é possível ouvir o primeiro single, Trabalhador do Carnaval e obter outras informações.O samba começa o ano com o lançamento do novo disco do cavaquinista Dudu Nobre. O segundo álbum do músico, companheiro de Zeca Pagodinho, traz a primeira parceria entre ele e Aldir Blanc. Pacote aguardado desde o ano passado é o que a pequena Lua Discos anunciou. Nele estão Jards Macalé cantando Moreira da Silva, Guilherme de Brito e Casquinha. Outro sambista que está em estúdio, para alegria dos amantes do gênero, é Elton Medeiros. Desde 1996 sem gravar, o músico carioca montou um repertório com antigos e novos sambas. Entre os novos, parcerias com Décio Carvalho e Paulinho da Viola.Guinga, considerado o grande compositor brasileiro da atualidade, também lança novo disco em 2001. Seu último trabalho é Suíte Leopoldina, de 1999. De contrato renovado com a Velas, que lançou seus quatro primeiros trabalhos e lançará os próximos quatro, o músico entra em estúdio ainda neste mês para dar início às gravações. A produção será novamente de Paulo Albuquerque.Não há previsão de data, mas se depender das promessas, feitas no decorrer do ano passado, Gilberto Gil lança neste ano seu álbum dedicado a Bob Marley. Nesta mesma onda, é possível que Caetano enfim dê cabo de sua homenagem a Cole Porter, que ficou de gravar em 2000. Não concluiu o projeto porque Noites do Norte, seu novo e polêmico disco, se impôs. Menos incerto, é o disco de Zé Ramalho cantando Raul Seixas. Zé Ramalho canta Raul Seixas está em adiantada fase de pré-produção. Outros nomes de peso, que há tempos não lançam novos álbuns de carreira são Djavan, Paulinho da Viola, Maria Bethânia e Gal Costa. É esperar para ver.

Agencia Estado,

02 de janeiro de 2001 | 20h30

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