Artistas traduzem música em imagens

Aceitando o desafio - difícil tarefa - de traduzir música em imagens, três iniciativas encontram-se à disposição do público. São duas exposições deartes plásticas (uma em São Paulo, outra no Rio) e um livro de fotos. Em São Paulo, inaugura-se amanhã a mostra Música Ilustrada, patrocinada pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e pelo jornal O Globo. São 12 imagens que tentam representar visualmente 12 gêneros musicais. Doze artistas foram escolhidos para dar forma visual ao choro, ao funk, ao forró, ao pop, clássico - e assim por diante.Os artistas plásticos trabalharam em dupla com músicosrepresentativos de cada gênero abordado. Esses músicosespecialistas elaboraram textos curtos, breve história do gênero, quase legendas, que acompanham as iconografias. RobertoMenescal escreveu sobre a bossa nova e Rui de Oliveirarepresentou o movimento surgido no Rio, no fim dos anos 50, coma imagem de uma moça levando consigo um violão, tendo emprimeiro plano um rapaz que toca seu piano e ao fundo a linha domar, com um morro que sobressai no horizonte; contra o morro, asvelas do barquinho que vai enquanto cai a tarde.O saxofonista e clarinetista Paulo Moura fez dupla com odesenhista Cesar Lobo, que desenhou uma roda choro; EdinoKrieger escreveu sobre clássico, com desenho de Maria Eugênia; oforró ficou a cargo do sanfoneiro Sivuca e de Jaca; o funk, deFernanda Abreu e Pepe Casals; o jazz, do saxofonista MauroSenise, em dupla com Mario Bag; a MPB ganhou texto do compositorJoão Bosco e aquarela de Elizabeth Tognato; o texto do pop foiescrito por Lulu Santos; e a ilustração coube a Orlando, quedesenhou uma espécie de caixa de sabão em pó, onde se lê:"Poder Radiante, Limpa e Diverte." Marcelo D2 e Axel Sandeficaram com o rap, Roberto Frejat e Cruz com o rock, Paulinho daViola e Fernando Lopes com o samba e Sérgio Reis e ElifasAndreato com o sertanejo.Música Ilustrada está em cartaz de amanhã ao dia 10,no hall de entrada do edifício-sede da Empresa Brasileira deCorreios e Telégrafos (Rua Mergenthaler, 592), com entradafranca. O horário de visitação vai das 8 às 17 horas. A mostranão abre aos sábados e domingos. A exposição esteve, em outubro,na sede dos Correios em Salvador e, no início do mês, no Recife;de São Paulo, segue para Brasília, onde fica de 23 de dezembro a10 de janeiro.No Paço Imperial, centro do Rio (Praça 15 de Novembro,48, tel. 0xx21 2533-4491), está em cartaz, desde quinta e até odia 16 de março, a quinta edição da série A Imagem do Som,que, desta vez, interpreta em imagens o rock-pop brasileiro. Ohorário da visitação é das 12 às 18 horas, de terça-feira adomingo, com entrada franca.Os curadores da A Imagem do Som do Rock PopBrasileiro, a produtora cultural Ana Luiza Marinho e o artistaplástico Felipe Taborda, são os mesmos que organizaram a mostraMúsica Ilustrada, em cartaz nos Correios de São Paulo.Em suas quatro primeiras edições, a série a Imagem doSom dedicou mostras às obras de quatro grandes artistas:Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil e Antônio CarlosJobim. De cada um deles foram escolhidas 80 composições; porsorteio, número igual de nomes importantes das artes gráficasficaram encarregados de traduzir em formas e cores canções comoAlegria, Alegria, de Caetano, A Banda, de Chico Buarque,Palco, de Gilberto Gil, ou Garota de Ipanema, de TomJobim e Vinícius de Moraes.A quinta edição, em vez de um artista, aborda um gênero,ou um composto genérico que abriga diversas tendências estéticas- o pop-rock (que os curadores preferiram chamar de rock-pop).Selecionaram 80 canções de 50 artistas e grupos da cena pop-rocke, mais uma vez, por sorteio, passaram a 52 artistas plásticos amissão de ilustrar as canções.A mostra não vem para o São Paulo, mas o catálogo estáchegando às livrarias, com chancela da Editora Globo, ao preçode R$ 55,00. Pelo planejamento, A Imagem do Som terá comotema, nos próximos anos, as obras de Dorival Caymmi e Roberto eErasmo Carlos.Por fim, mas não por último, os dois volumes da MúsicaPopular Brasileira, que somam mais de 700 páginas, trazemfotografias de Mário Luiz Thompson, um especialista em fotos depalco que começou a trabalhar juntando imagem e música em 1973 enunca mais parou. Thompson fez capas de discos importantes eclicou praticamente todos os nomes da MPB, montando o maisespetacular existente do formato. Com textos de músicosconhecidos e apresentação de Gilberto Gil, editados compatrocínio da IBM, os dois volumes da Música PopularBrasileira podem ser comprados diretamente com a produtora doartista, pelo telefone 0xx11 5093-8806 ou pelo e-mailmariothompson@uol.com.br. Custam R$ 160,00.

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