Artistas nacionais roubam a cena de 50 Cent

A apresentação do rapper norte-americano 50 Cent, na madrugada de ontem no Pacaembu, confirmou a impressão que o rapper americano já havia deixado com seu disco de estréia, Get Rich or Die Trying (Enriqueça ou Morra Tentando), de 2003. Só podia ter vendido 10 milhões de cópias nos Estados Unidos. O título expressa o que o rapper é e quer do negócio sonoro do qual faz parte: moeda fácil. 50 Cent passou uma hora soltando palavrões, fazendo gestos pornográficos e repetindo irritantemente a frase de efeito "everybody put your hands up" (todo mundo ponha as mãos para cima). Teve mais público do que merecia, entre 15 e 20 mil pessoas. A chuva pesada que caiu às 17 horas, horário marcado para a entrada de Negra Li, fez atrasar em mais de meia hora todos os shows do Chimera Music Festival. Negra Li cantou uma mistura suingada de soul, reggae e funk e mostrou que tem potencial para se tornar a nova estrela do soul brasileiro. Depois de um longo intervalo Rappin´ Hood entrou com tudo. Acompanhado de um MC, um DJ e um percussionista, fez os fãs dançarem com sucessos como Sou Negrão, Rap do Bom. No telão, palavras de ordem como "respeito" e "humildade", tradução da filosofia dos rappers do bem que venceram com talento e conscientização o mano rico. Marcelo D2 e sua banda fez o melhor show da noite. Recebeu rappers e b-boys de São Paulo e fez todo mundo gritar os versos de Qual É? e Queimando Tudo. Deu a primeira alfinetada da noite ao dizer que, embora achasse bom 50 Cent ter vindo, gostaria de ver o público lotando um estádio para ver apenas expressões do hip hop nacional. "Desculpem, foi só um desabafo." O Rappa - que de hip hop mostrou uma mínima fatia num bom e pesado show de rock - foi mais contundente. Falcão, um dos melhores vocalistas do pop brasileiro, vociferou contra George W. Bush antes de tocar Ninguém Regula a América, um dos picos da noite. No telão, imagens do "poder do mal": a bandeira norte-americana pichada com os símbolos anarquista e nazista, Hitler, Bush, cadáveres empilhados e o World Trade Center em chamas. O show teve até homenagem ao produtor Tom Capone, morto em acidente de moto nos Estados Unidos no início deste mês. O Rappa confirmou sua importância e popularidade, fazendo som de raça contra a insignificância de 50 Cent, que viria a seguir. Pelos brasileiros, valeu a pena.

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