Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Artistas lamentam a morte de Aldir Blanc, vítima do coronavírus

Compositor de 'O Bêbado e a Equilibrista', ele estava internado no Rio de Janeiro e morreu na madrugada desta segunda, 4, aos 73 anos

Redação, O Estado de S. Paulo

04 de maio de 2020 | 09h42
Atualizado 04 de maio de 2020 | 16h20

A morte do músico e compositor Aldir Blanc aos 73 anos, na madrugada desta segunda-feira, 4, por complicações do coronavírus, foi lamentada por artistas, intelectuais e personalidades nas redes sociais e por meio de notas.

Aldir Blanc criou uma das obras mais consistentes da MPB e deixou clássicos como O Bêbado e a Equilibrista, de 1979, assumida pelo País como uma espécie de hino contra a ditadura militar para celebrar a volta dos exilados políticos ao Brasil com a garantia de que não seriam presos pelos militares; Resposta ao Tempo, O Mestre dos Mares Incomaptibilidade de Gênios, entre muitas outras compostas também em parceria com João Bosco.

 

Veja a repercussão da morte de Aldir Blanc

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Os sambas de #AldirBlanc com @joaoboscoreal são marco histórico da nossa música popular. Pós bossa nova e pós renascença do samba carioca - também pós @gilbertogil - esses sambas já se mostraram, desde suas primeiras encarnações, uma força estética irresistível. Clementina de Jesus cantando "Incompatibilidade de gênios" - naquele disco fundamental para minha formação da maturidade, aquele disco luminoso, que revelava e ocultava o ser da canção do Brasil, aquele apresentado como sendo um disco de Clementina com Carlos Cachaça - é uma dessas coisas que a gente absorve com a certeza que diz "isso é tudo para mim". A faixa iluminava o que há de bom e profundo em "De frente pro crime", "Mestre-sala dos mares", "Bala com bala"... E influiu no modo de Bosco cantar seus próprios sambas. Aldir e Guinga compuseram todo o repertório do Catavento e Girassol de @leilapinheiro. Exuberância. E ninguém é brasileiro sem sentir emoção indescritível diante do canto de Nana em "Resposta ao Tempo". É comovente saber que Blanc morreu na Vila Isabel. Esse nome de princesa continuará marcando a batida do nosso andamento. Não falo em "O bêbado e a equilibrista" porque este é samba que fala demais por si mesmo e também porque dele se fala já muito. Só registro que não me agradou muito quando foi lançado. Mas hoje entendo quando pesquisas midiáticas dizem que ele está sempre entre "as melhores canções brasileira de todos os tempos". Em geral no topo. Quando esse samba apareceu, me lembro de ter dito a Antonio Cicero que eu o achava enjoativo. E de que Cicero respondeu enfaticamente: "Eu acho lindo!". Hoje saco. Mas fico sempre mais com "Incompatibilidade de Gênios". Se eu tivesse guardado a carta que Elis me escreveu do camarim para plateia do Trem Azul, eu teria aqui um meio de falar em incompatibilidade de gênios sem maiúscula e sem aspas. Mas Aldir deixa só saudade e encantamento. . Foto 1: Fábio Motta, 2014. Foto 2 e 3: Luis Paulo Machado, 1977 . #CaetanoVeloso #RIP #AldirBlanc

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É com muita tristeza que publico esse texto do nosso Boscão hoje. Neste momento, peço a todos que respeitem a família do Aldir, sua dor e seu recolhimento. Nosso coração está com eles. (EJB)

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Maria Bethânia disse ter perdido um amigo fiel e franco. "A música perde um grande compositor. Muito triste, muito cedo, fora de hora. Ele escreveu uma das mais lindas canções do meu repertório, Medalha de São Jorge, e tantas outras comoventes , sensíveis, lindas. Além do compositor perdemos um amigo fiel e franco. Triste tudo isso. Deus o receba em pura luz. "

Presidente da Fundação Perseu Abramo, Aloizio Mercadante divulgou nota de pesar em que escreveu: "Uma perda dessa dimensão exige de nós uma profunda reflexão sobre o quanto é fundamental mantermos o distanciamento social para evitar o colapso do sistema de saúde, que já se encontra no limite. Quantos pobres e anônimos poderão morrer sem ao menos chegar a um leito de hospital? Neste momento de tristeza, nos solidarizamos com toda a família de Aldir Blanc, em especial com sua esposa Mari Blanc, também diagnosticada com a covid-19."

Guinga, parceiro de Aldir em canções como Catavento e Girassol, ressalta a importância dele. "Eu tinha uma esperança de que Aldir ia se salvar. Achei que ele ia se superar, havia uma determinada certeza. Hoje quando soube da notícia fiquei meio órfão. Aldir foi um pai musical para mim e me ajudou muito. O pouco que eu sou eu devo a ele." 


 


 

 

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