Artistas de Pernambuco tocam em SP

Três feras musicais pernambucanas vão se reunir domingo na cidade. O percussionista e compositor Naná Vasconcelos vai se revezar no palco com a banda sensação do momento, o Cordel do Fogo Encantado, e com a dupla de emboladores Castanha e Caju. O show, que será realizado às 11 h, no Sesc Interlagos, com entrada franca, será exibido ao vivo no programa Bem Brasil, da TV Cultura. Segundo o diretor-musical do Bem Brasil, Marcelo Amiki, foi natural unir os três no mesmo show. Além de serem todos de Pernambuco, o percussionista Naná e a banda de maracatu pernambucana Cordel do Fogo Encantado têm afinidades musicais. A banda, uma espécie de ?afilhada? de Naná, apresentou-se em São Paulo em turnê entre maio e julho, para mostrar seu maracatu. Castanha e Caju foram convidados também para suprir uma demanda: o Bem Brasil nunca apresentou emboladores. "Acho que com um percussionista como o Naná, o público vai gostar de ouvir os emboladores", acredita Amiki. No palco, eles se revezarão: primeiro entra a dupla Castanha e Caju, com os sucessos do último disco, Vindo Lá da Lagoa, e dois pot-pourris de sucessos antigos. Para se ter uma idéia, o primeiro disco gravado da dupla é de 1978, quando eles tinham 5 e 7 anos de idade. A raridade chegou a ser encontrada pelo também pernambucano Lenine no Japão. Depois, entra Naná, com repertório do último álbum, Contaminação. O cantor, cuja carreira começou na Banda Marcial da prefeitura do Recife, conquistou o mundo com seu talento na percussão. Em Contaminação, seu 16.º álbum, ele entoa os versos do maracatu Science, com letra de Mércia Rangel e música de Naná e Vinícius Cantuária, numa homenagem a Chico Science. Daí para puxar ao palco o maracatu do Cordel é só um passo. Naná e o Cordel fecham o show juntos. A afinidade musical entre Naná e o Cordel levou Antonio Gutierrez, produtor do Cordel do Fogo Encantado, a convidar o percussionista para produzir musicalmente o primeiro álbum do Cordel. A banda entra no estúdio no Recife em agosto.Naturais de Arcoverde, no sertão de Pernambuco, os integrantes capricham na percussão. Há apenas um instrumento harmônico, um violão elétrico. As composições são de autoria de Lirinha (vocal) e de Clayton Barro (violão). A apresentação do grupo é permeada por leituras de literatura de cordel, de versos da autoria de poetas como os paraibanos Chico Pedrosa, Zé de Cazuza e o pernambucano, já morto, José do Egito. Gutierrez conta que descobriu os músicos por acidente, "como todas as boas bandas". Foi buscar a namorada num teatro e assistiu à apresentação dos garotos do sertão pernambucano. Como produz o festival Rec-beat, de percussão no Recife, convidou em 99 os músicos a participar. Desde então, a banda não parou parou.

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