Artistas consagrados roubam a cena no TIM Festival

O TIM Festival reuniu 25 mil pessoas de sexta a domingo no Jockey Club de São Paulo para prestigiarem 32 atrações da música brasileira e internacional com destaque para os já consagrados Brian Wilson, Primal Scream, Pet Shop Boys e Kraftwerk - que fizeram os melhores e mais lotados shows do festival, em que o público jovem predominou - além de apresentar boas novidades, como Kinky e os Libertines, e trazer a inglesa PJ Harvey, figura marcante do indie rock dos anos 90. Os shows aconteceram em quatro palcos diferentes: o TIM Stage, o TIM Lab, o TIM Club e o Palco Motomix.O grupo alemão Kraftwerk, surgido em Düsseldorf no fim dos anos 60, esteve no Brasil em 1998 e voltou a causar impacto na platéia do TIM Stage na noite de sexta-feira, com o show Tour de France. O Kraftwerk é reconhecido como o inventor da música eletrônica tal como a conhecemos hoje, e sua influência é imensa. Quando surgiram no palco, com quadrados vermelhos e pretos se sobrepondo no telão (eles também de ternos pretos com camisa vermelha por baixo, evocando o abstracionismo geométrico mais radical de Malevich), a platéia ficou assombrada. Ao mesmo tempo em que refazem a crítica da civilização maquinista em Man Machine, exalam certa "nostalgia da modernidade". "Estamos funcionando automaticamente e estamos dançando mecanicamente. Nós somos os robôs", cantam, na clássica We´re the Robots, que fechou a noite.Pouca gente teve o prazer de ver a ótima performance do Kinky, na sexta-feira, no TIM Lab. Figura certa no lugar errado, o grupo mexicano foi uma das boas revelações do festival, com sua mescla de rock, ritmos latinos e eletrônica. Além do repertório de seu disco homônimo, recentemente lançado no Brasil, eles garantiram a diversão com guinadas surpreendentes a cada música, incluindo um cover de Oye Como Va, de Tito Puente, bem à moda de Santana. Mereciam ter dividido espaço do TIM Stage ao lado dos belgas do 2 Many DJs, uma das unanimidades positivas de público.No sábado, Bebel Gilberto subiu ao TIM Lab e deixou a impressão de que é melhor para se ouvir em casa. Um tanto deslocada no ambiente, ela cantou sucessos de seus dois álbuns-solo, acompanhada de uma banda instável. Samba de gringo para gringo em show chocho. Outra decepção foi a veterana Nancy Wilson, que terminou seu show no TIM Club sexta às moscas.A cantora inglesa PJ Harvey, que está em turnê com seu sétimo álbum, Uh Huh Her, ficou embasbacada com o entusiasmo da platéia, também no sábado, no TIM Stage. "Nunca vi tantos rostos sorridentes", afirmou. Fez um showzaço. Ela é doce e é violenta, com seu vestidinho vermelho de um ombro só (outdoor de seu próprio disco), as botinhas vermelhas de cowgirl, a boca grandíssima e os olhos tristes. Empunha verdades pessoais, em Shame, e agita maracas inúteis sob um clima pós-punk em Uh Huh Her. Na seqüência, subiram ao palco do TIM Stage os escoceses do Primal Scream, que fizeram um show inesquecível agitando a platéia com sucessos como 99th Floor, Kill All Hipies e Swastika Eyes.Uma das mais esperadas atrações do festival foi o veterano Brian Wilson, de 62 anos, criador da surf music, lendário líder dos Beach Boys. Bastou uma única nota de Sloop John "B", do mitológico álbum Pet Sounds, dos Beach Boys, para Brian Wilson e sua fabulosa banda de dez integrantes levantarem os ânimos de quase 2 mil fanáticos, que lotaram o TIM Stage na última noite do Tim Festival, ontem. Brian mostrou os melhores hits da surf music dos anos 60, como Surfin´ USA, Barbara Ann e Fun, Fun, Fun. Todo mundo que tinha ouvido falar na "nova grande banda" inglesa estava lá na platéia do TIM Lab para conferir o som dos britânicos do Libertines. Com um set rápido, o homem de poucas palavras Carl Bârat consolida-se como o novo darling do rock, escoltado na linha de frente pela guitarra nervosa de Anthony Rossamundo e pelo baixista cool John Hassall (só um sorriso na noitada).De chapeuzinho e cigarro no canto da boca, Carl abriu a noite com The Delaney e mandou um set de 19 canções, misturando seus únicos dois discos. Na quarta e mais reconhecível música, Can´t Stand Me Now, a platéia já estava no bolso.Na madrugada, no Palco Motomix, outros 3 mil fãs pularam e urraram com o tecnopop dos Pet Shop Boys. Foi um desfecho digno da importância do evento. Acompanhados de um trio de baixo, guitarra e percussão, Chris Lowe (teclados) e Neil Tennant (vocal) apresentaram hits como Rent, It´s a Sin e Se a Vida É.

Agencia Estado,

08 de novembro de 2004 | 18h31

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.