Julio Maria
Julio Maria

Artistas brasileiros ganham espaço em New Orleans

Festival leva nomes desconhecidos que batalham para seduzir a plateia

Julio Maria/ New Orleans, O Estado de S. Paulo

02 de maio de 2014 | 12h56

O Brasil fica logo ali, à esquerda do Congo Stage, o palco africano, e à direita da tenda do blues, paralelo ao espaço do jazz contemporâneo, a alguns metros adiante do jazz tradicional. Para quem sai da Tenda Kids, basta atravessar a vila do folk e passar pelo espaço de dança dos indígenas. É o único país que o New Orleans Jazz & Heritage Festival homenageia neste ano e ao qual faz referências entre os 700 shows que passam por um dos maiores festivais de jazz do mundo. Além de colocar mais atrações brasileiras do que geralmente faz, o festival ergueu a Casa do Brasil para abrigar uma programação 100% brasileira. Ou quase.

O Brasil que está em New Orleans não é conhecido pelo Brasil. Por aqui não há porta-estandartes como Gilberto Gil ou Milton Nascimento, e esta tem se revelado uma estratégia arriscada. As atrações que vieram sobretudo do nordeste do País, negociadas em contatos da organização do festival com os governos dos Estados, podem encontrar por aqui o calor dos aplausos da surpresa dos norte-americanos ou a mais completa indiferença.

João do Pife penou nesta quinta-feira como atração da Tenda Kids. Quando começou seu show, às 16h25, havia sete pessoas na plateia e três crianças na pista. João é uma lenda de Caruaru. Faz seus próprios pífanos, as flautas rústicas de madeira que vende nos shows, porque o pai dizia que músico bom devia construir seu instrumento. Ele ficou ali firmel, falando com as pessoas como se estivesse diante de uma multidão. E tocou, apenas acompanhado por outro pifanista, sua bela A Briga do Cão com a Onça. Pena não haver mais testemunhas.

O cantor Tizumba e seu grupo Tambor Mineiro chegou sob o mesmo anonimato à Tenda Blues. Sua congada, de tambores tocados por seis mulheres de roupas e maquiagem cheias de cor, seduziram a plateia aos poucos até torná-la cúmplice de uma sonoridade crua e de alto impacto. Tizumba é um showman que sabe virar o jogo. Ao final, a plateia o aplaudiu de pé.

Quando o Estado chegou à Casa do Brasil, ritmistas tocavam um samba enredo para mulheres dançarem com fantasias de Carnaval. Mas algo não encaixava. Havia falta de energia nas caixas, de pegada na voz. O surdo soava morno, sem vibração. E algo ia mal também no salto das sambistas. Seria cansaço da viagem? "Eles são norte-americanos que gostam de samba", disse uma atendente que trabalhava vendendo artigos do Brasil. Enquanto isso, turistas tiravam fotos sorridentes ao lado das passistas brasileiras. Ou quase. 

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