Wilton Júnior / Estadão
Wilton Júnior / Estadão

Arthur Verocai, Racionais MC's e Mykki Blanco estrelam edição do Red Bull Music Academy em São Paulo

Evento será realizado em diferentes localidades do centro da cidade entre os dias 2 a 11 de junho

Pedro Antunes , O Estado de S.Paulo

18 Abril 2017 | 04h00

“Espero que o show seja bem aceito pelos jovens”, brinca o maestro e arranjador Arthur Verocai. O carioca de 71 anos, cujo primeiro disco, de 1972, foi ignorado e, anos depois, considerado um dos mais belos álbuns de sua época, colocará à prova o seu No Voo do Urubu, trabalho que interrompeu um longo hiato distante da composição autoral. O repertório do álbum, lançado pelo Selo Sesc no ano passado, será exibido no centro de São Paulo, como parte integrante do inédito Red Bull Music Academy Festival, um evento realizado entre 2 e 11 de junho, cujo conteúdo inclui apresentações, workshops, palestras e exposições espalhados por diferentes localidades da cidade. 

Verocai representa a antiga vanguarda, em uma programação musical cujo intuito é dar visibilidade a “mentes transformadoras”, como gosta de dizer Many Ameri, criador e curador do Red Bull Music Academy. Valores dos ingressos de cada atividade, assim como a data delas, será anunciado em breve. O Estado apurou que a apresentação de Verocai será gratuita e realizada no dia 4 de junho, um domingo. 

Além de Verocai, integram o festival artistas como Mykki Blanco, ícone do queer rap, Racionais MC’s, maior e mais importante grupo de rap do País. Produtores e criadores de música eletrônica do mundo engrossam o caldo e trazem ao evento intersecções peculiares. 

Serão dez dias com encontros e desencontros (propositais, obviamente). Uma das noites será o chamado Baile, na qual o funk carioca será examinado na sua essência, com a presença da batida de Grandmaster Raphael, sujeito que ajudou a criar as fundações nacionais do gênero, e de Egyptian Lover, nome artístico de Greg Broussard, figura fundamental da cena eletrônica dos anos 1980, cujas batidas podem ser sincronizadas com o gênero ressurgido nos bailes do Rio. Na essência, no centro disso tudo, está o ritmo. 

O desconforto desconcertante criado pela eletrônica da chinesa Pan Daijing, por exemplo, dividirá a noite com o house de graves bastante marcados da DJ Honey Dijon, cujas apresentações são requisitadíssimas no mundo da moda – e são saborosas. Ambas estrelam a noite chamada Zonas Limiares, uma festa com 12 horas de duração, duas pistas de dança e 20 artistas se apresentando, no total. 

Haverá a noite em que vasculham o experimentalismo eletrônico realizado no Brasil entre 1978 e 1992, o resultado do estudo do musicólogo londrino John Gómez, chamada Outro Tempo. Outra atração do festival será o Ruído em Progresso, que fará a união do pós-punk, do black metal e da música experimental. E há ainda o grupo de rap Racionais MC’s, que inicia a celebração dos 30 anos de carreira com uma performance com pegada intimista. 

Diante da programação criada pelo curador local Akin Bicudo, Verocai é modelo a ser seguido. “Não pensamos só em música nova. O que tem de mais quente. Vamos também atrás de pessoas que o público pode não conhecer diretamente, mas ouve artistas que beberam das fontes deles”, diz Ameri. Verocai dá a letra: “Não tenho compromisso com a caretice e em fazer o que todo mundo faz. Gosto de estar livre”. 

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