Felipe Gabriel/Red Bull Content Pool
Felipe Gabriel/Red Bull Content Pool

Arthur Joly, mago dos sintetizadores, é atração de imersão musical no centro de SP

Arthur Joly conta como se apaixonou pelo instrumento que dominou o pop nos anos 1980

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

05 Abril 2018 | 06h00

Quando guri, o paulistano Arthur Joly sentia como se entrasse na fiação dos circuitos elétricos dos sintetizadores usados por Rick Wakeman, o tecladista virtuose e frito da banda progressiva Yes, no disco Viagem ao Centro da Terra. O pai de Joly colocava a agulha no sulco do vinil, deixava o álbum da obra baseada no livro de Jules Verne girar e o pequeno ouvia sons que lhe pareciam tão distintos daquele conhecido das rádios, de bandas como Beatles e Rolling Stones. O rapaz cresceu, tornou-se guitarrista, produtor, dono de selo fonográfico: “Para mim, o sintetizador sempre foi algo intrigante”. 

Porque, de fato, o instrumento parece uma geringonça difícil de entender. O som dos sintetizadores analógicos (ou synths, como são chamados de forma mais carinhosa) é produzido pela manipulação da corrente elétrica e foi importante para a música de vanguarda dos anos 1970. Na década seguinte, chegaram ao pop, ao new wave e ao som sintético que grupos com Depeche Mode buscavam para suas canções de letras sombrias. Dez anos depois, os synths caíram em desgraça – o universo da música passou a ser dividido entre aqueles guiados pelas guitarras e aqueles que faziam uso do autotune. Hoje, os instrumentos têm algo de vintage, causam curiosidade nos mais jovens e são apreciadíssimos por quem, como Joly, gosta de surfar por ondas sonoras distintas. 

Desde 2009, Joly deixou de comprar sintetizadores e, curioso, passou a criá-los. A partir de então, construiu mais de 50 aparelhos, vendeu boa parte deles – inclusive, um foi comprado por um amigo de Hans Zimmer para presentear o músico nove vezes indicado para o Oscar e vencedor da estatueta pela trilha sonora de O Rei Leão

Nove dos sintetizadores de Joly estão expostos na Recosynth, exibida no Red Bull Station, espaço dedicado ao fino da música e da expressão artística, criado no centro de São Paulo, como parte da programação do Red Bull Music Pulso, realizado do fim de março até o dia 28 de abril. O evento chega à terceira edição e propõe uma imersão criativa, com painéis, shows e workshops – toda a programação é gratuita e pode ser conferida no site oficial do evento. 

Joly é um dos destaques da programação. Na quarta-feira, 4, ele lançou seu novíssimo disco, Arthur Joly Apresenta: Música de Modular para Modular, gravado inteiramente com o sintetizador criado por ele, Jolymod 1, como uma despedida – ele havia vendido o instrumento. Joly também estrela o documentário Out of Frame, que será exibido hoje, 5, às 20h, seguido de um papo com o próprio músico. 

DESTAQUES DO PULSO

Workshop

A DJ chilena Valesuchi, bastante influente no meio da eletrônica underground, de batidas graves e impactantes, dará uma aula sobre produção musical e construção de set no dia 18h, às 20h 

Shows 

O Red Bull Pulso também é uma imersão criativa de quatro semanas para músicos selecionados por uma equipe de curadores, entre eles o duo Dois Africanos, o rapper Ramonzin, o DJ Chico Correa, entre outros. Eles exibirão o material produzido por lá nos dias 14 e 28, às 17h 

RECOSYNTH

Red Bull Station. Galeria principal. Praça da Bandeira, 137. 3ª a 6ª, das 11h às 20h. Sáb., das 11h às 19h. Grátis. Até 28/4

Exposição 

Além de bater um papo na quinta, 5, Joly cedeu nove dos sintetizadores criados por ele para a exposição Recosynth, aberta de terça a sábado, até o dia 28 

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