Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

Arnaldo Antunes diz que volta dos Tribalistas é especulação

Músico fala do seu novo DVD gravado em Portugal

Entrevista com

Arnaldo Antunes

Adriana Del Ré, Impresso

12 Maio 2017 | 07h00

Com seu novo DVD registrado em Lisboa, Arnaldo Antunes revisitou o formato ao vivo – ele já havia feito projetos do gênero como Ao Vivo Lá em Casa –, mas, mesmo assim, se sentiu desafiado. “Sempre gosto de fazer uma coisa que não fiz ainda, nunca tinha gravado um show ao vivo fora do Brasil”, diz o cantor e compositor, em entrevista ao Estado, em sua casa, em São Paulo.

O Ao Vivo em Lisboa, que também traz cenas de making of dessa passagem dele pelo país, foi gravado em novembro do ano passado no Teatro São Luiz, um dos mais importantes locais da cidade. Antes de chegarem àquele palco, no entanto, Arnaldo e sua banda, formada por Chico Salem, André Lima, Betão Aguiar e Curumin, já tinham passado por outras cidades portuguesas, onde fizeram uma espécie de aquecimento para esse projeto ao vivo. “Portugal é um país para onde costumo ir com uma certa periodicidade, costumo me apresentar lá”, conta. “Isso desde os Titãs. A primeira vez que fui a Portugal acho que era em 1987, 88, a gente fez uma excursão com Xutos & Pontapés, uma banda de rock famosa de lá, e passamos por várias cidades, abrindo o show deles. Depois, na carreira solo, já fui muitas vezes.”

Arnaldo lançou seus discos por lá e também estabeleceu boas parcerias, como com a banda Clã. E os portugueses Hélder Gonçalves e Manuela Azevedo, integrantes do grupo, fazem participação especial no Ao Vivo em Lisboa em Naturalmente, Naturalmente (do disco Já É, de Arnaldo, que na versão portuguesa contou com dueto com Manuela) e H2omem (parceria deles). A cantora portuguesa Carminho é outra convidada do DVD, nas canções Vilarejo (que ela já tinha cantado) e Do Vento (inédita na voz dela). “A Carminho é uma amizade recente. Conheci primeiro o trabalho dela, através da Marisa (Monte), que gravou com ela uma parceria nossa (Chuva no Mar), e fiquei já ligado na voz dela, achei uma beleza. Depois, quando assisti pela primeira vez a um show dela, fiquei arrebatado com a forma como ela se entrega à música. Quando nos encontramos, logo ficamos amigos. Claro, convidei ela e o pessoal do Clã, com quem eu já tenho uma parceria mais antiga, desde os anos 1990. Sou muito fã do Hélder, da Manuela, da banda toda.”

No bis, todos se juntam para cantar Velha Infância, dos Tribalistas, que ganhou uma levada reggae para a turnê de Já É. Aliás, o repertório de Ao Vivo em Lisboa vem do tour de Já É, mas com novidades. “Colocamos coisas que a gente nunca tinha gravado nesse formato ao vivo, coisas antigas como Do Vento, ou coisas do Disco, anterior ao Já É”, explica. “Fizemos um roteiro especial, mas parcialmente era o show que a gente vinha fazendo há um ano do Já É. Desde que gravamos em Portugal que pegamos essas alterações. É um show que está na estrada, vai se transformando.”

Com direção do português André Tentugal, Ao Vivo em Lisboa será lançado em show nesta sexta, 12, no Circo Voador, no Rio, e será apresentado em São Paulo, entre os dias 22 e 25 de junho, no Sesc Pompeia. O projeto dá novo fôlego à turnê, que deve seguir até o fim do ano. Paralelamente, Arnaldo inaugura em São Paulo a mostra Luzescrita, com os também artistas Fernando Laszlo e Walter Silveira, no Espaço Cultural Porto Seguro, no próximo dia 19. “A gente se reuniu para fazer um trabalho de poesia escrita com luz.” Sua outra exposição, Palavra em Movimento, continua circulando pelo País, e sua próxima parada será Florianópolis.

Está em seus planos lançar uma caixa reunindo seus CDs e compilando materiais raros e gravações para projetos. “O CD hoje em dia tem pouca venda, mas tem uma coisa gráfica que acho tão bacana, pensei em pôr os releases de cada disco. Junto com os discos da carreira solo, queria lançar cinco CDs. Teria um com faixas para crianças, em que canto Pequeno Cidadão, tem coisas para o Palavra Cantada; um de duetos; um comigo interpretando músicas de outras pessoas em songbooks; um de trilhas para cinema, TV e dança; e um de raridades, com sobra de estúdio, uma música que fiz em parceria com o Tunga para uma performance dele, Joga Arroz, gravação dos Tribalistas para defender o casamento gay, que saiu só na internet...”

Mas seus projetos não impedem que Arnaldo mantenha sua rotina contínua de composição. “Fiz letra para uma melodia do João Bosco, fiquei muito feliz, primeira parceria”, revela. Dos antigos parceiros, continua a fazer música com Carlinhos Brown e Marisa Monte, o que recentemente levantou boatos de que os Tribalistas voltariam. Verdade ou mito? “Verdade e mito”, Arnaldo dá risada. “Os Tribalistas nunca acabaram, a gente sempre se encontra para compor. Você pega os nossos discos pós-disco dos Tribalistas e tem pelo menos umas 30 músicas de nós três espalhadas por esses discos, fora outras pessoas que gravaram coisas nossas: Rita Lee, Cássia Eller. O desejo de fazer alguma coisa existe, mas não tem plano, prazo, não tem projeto. A especulação sempre existe, tem uma expectativa que a gente entende”, afirma ele. “Acho que tem uma química ali que deu muito certo. E acho que isso inevitavelmente passa para o público. Agora fica todo mundo muito carente de Tribalistas.”

ARNALDO ANTUNES - AO VIVO EM LISBOA

Lançamento: Sony Music

Preço: R$ 47,90 (CD + DVD)

 

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