Armandinho, Paulo Moura e Yamandú, juntos

Pode-se ver com estranheza o fato de esses três estarem juntos numa jornada, por assim dizer, multidisciplinar de música em São Paulo esta noite. Mas todos têm uma origem comum, apesar de representarem três gerações e estilos diferentes da música. O maestro Paulo Moura, de 72 anos, começou a tocar aos 9 em sua São José do Rio Preto natal e, aos 13 anos, já animava festas e bailes com o conjunto do pai, o mestre-de-banda, carpinteiro e clarinetista Pedro Moura. A ligação com a cidade natal prossegue até hoje - ele dirige lá o Festival Paulo Moura de Música Instrumental. Um dos seus inesquecíveis álbuns gravados é a parceria com o violonista Raphael Rabello, já morto. O guitarrista Armando Macedo, o Armandinho, de 51 anos, já animava o carnaval de Salvador quando tinha 9 anos, a bordo do seu Trio Elétrico Mirim - uma orgulhosa derivação do conjunto no qual seu pai famoso militava, o Trio Elétrico de Osmar e Dodô (ele é filho do Osmar). Foi integrante do grupo A Cor do Som. O gaúcho Yamandú Costa, prodígio festejado, um guri insolente de 23 anos, também não foi uma presa precoce dos conservatórios. "Eu me criei tocando em baile. Vanerão, claro. Mas também toquei em alguns carnavais", lembra o violonista, um dos mais premiados das últimas temporadas de festivais de música no Brasil, como o Prêmio Visa. Apesar de militarem hoje em dia em ramos opostos - o dionisíaco do carnaval e o apolíneo, quase camerístico das salas de concerto -, eles crêem que têm em comum pelo menos um gênero: o choro. "Cada um tem uma concepção do choro, mas, acima disso, devemos lembrar que a linguagem da música é compreensível por todos, é democrática e comum a todo mundo", diz o maestro Paulo Moura. Moura e Yamandú Costa, por sinal, têm muito mais pontos de conexão. Planejam lançar juntos um disco, já gravado, com músicas do cancioneiro latino-americano, música popular latino-americana, nos próximos meses. E anunciaram que devem tocar algumas composições desse disco, que leva o título de El Negro del Blanco. Mas não falam mais sobre isso. "Ainda não é hora, ainda é cedo", diz Yamandú. Por sua vez, Armandinho, virtuoso guitarrista das multidões, há muito corteja o som de Yamandú. "Ele já me convidou algumas vezes para tocar no carnaval da Bahia, mas não achei tempo até agora", diz Yamandú, que vive há dois anos no Rio, mas é quase um artista-residente em São Paulo. Os dois devem tocar juntos Bahia X Grêmio, declaração de fé na bola e pé no solo (musical). Para o show desta noite, os músicos tinham apenas alguns números decididos, sozinhos, em dupla ou em trio. Pensam em fazer algumas surpresas, decidir um pouco antes, mas adiantaram que certamente o repertório abarcará obras de Pixinguinha, Radamés Gnattali, Vinícius de Moraes e Baden Powell, Jacob do Bandolim, Caetano Veloso, Paulinho Nogueira, Vadico e Noel Rosa. Como regra geral, Armandinho tocará bandolim, Yamandú tocará o violão de sete cordas e Paulo Moura ataca na clarineta. Mas poderá haver alternância de instrumentos durante o show. O show é beneficente, com a renda inteiramente revertida para o Berçário Naar Yisrael, uma entidade sem fins lucrativos vinculada à Instituição Beneficente Israelita Ten Yad. Mantido com doações de pessoas físicas e jurídicas, o Naar Yisrael tem apoio gratuito do Hospital Israelita Albert Einstein para atendimento médico de emergência. Paulo Moura, Armandinho e Yamandú Costa - Hoje, às 21 horas. De R$ 50 a R$ 90. Teatro Cultura Artística - Sala Esther Mesquita. Rua Nestor Pestana, 196, tel.: 3258-3616 ou 3258-3344

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