Arlindo Cruz reverencia mestres em novo disco

Sambista também fala de temas da atualidade, como redes sociais

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

13 Setembro 2014 | 16h00

RIO - Com mais de três décadas de uma carreira dedicada ao samba, Arlindo Cruz segue sendo descoberto por novos fãs. As gravações com Marcelo D2, as interpretações de Maria Rita e, especialmente, a presença no elenco fixo do programa dominical Esquenta!, de Regina Casé, na TV Globo, há três anos, têm popularizado a imagem do cantor e compositor dos clássicos do gênero O Show Tem Que Continuar, Bagaço da Laranja e o mais recente Meu Lugar

“Tenho percebido nos shows muita gente nas primeiras filas que não sabe cantar nem os refrãos dos sucessos. São fãs novos, que acabam pesquisando e conhecendo melhor o meu trabalho”, observa Arlindo, que, depois do sucesso do álbum Batuques do Meu Lugar (2012), se prepara para viajar com o novo CD, Herança Popular, em que mostra um pouco do que ganhou com a experiência televisiva. No Rio, o show será no dia 4 de outubro e, em São Paulo, duas semanas depois, no dia 18.

Tecnológico. São 15 composições, a maior parte recentes, e impregnadas de referências à mistura vivida no Esquenta!: com participação do funkeiro Mr Catra, Ela Sambou, Eu Dancei (Arlindo/Acyr Marques/Geraldão), cita a sensação Anitta e a dança do “quadradinho”; O Surfista e o Sambista (parceria com Rogê) foi em homenagem a Pedro Scooby, surfista de ondas grandes que conheceu no programa.

Em WhatsAppiei pra ela (Arlindo/Maurição/Junior Dom), ele atualiza o eterno desacordo entre homem e mulher, agora via redes sociais. “Sou um compositor popular, um cronista do dia a dia. No tempo do Donga e do Noel Rosa, eles já falavam das transformações tecnológicas. Donga criou o primeiro samba gravado, Pelo Telefone, e agora falamos pelo WhatsApp... Criei principalmente para falar com minha filha de 11 anos, mas ela me ignora”, brinca Arlindo.

A tecnologia avançou, mas o método de compor preferido ainda é o tradicional: encontrar os amigos, tomar cerveja, fazer um churrasco e bater papo. “Gosto do fundo do quintal”, conta, aludindo ao grupo do qual fez parte por 12 anos, de 1981 a 1993. 

“A gente brinca de compor. Gosto disso, de me inspirar e de transpirar. É um hábito: se fico duas semanas sem compor, fico tenso. Já são mais de 700 músicas gravadas, por mim e por outros compositores.”

A regravação do samba romântico Somente Sombras, parceria com o amigo Zeca Pagodinho, que participa do registro no CD, é uma homenagem a Jair Rodrigues - o cantor, que morreu há quatro meses, a gravou nos anos 1980. “Essa é da época em que a gente era duro e andava de ônibus e trem, e eu era bancário da Caixa Econômica.”

É um dos melhores momentos do disco, assim como Paixão e Prazer (Arlindo/Fred Camacho/Marcelinho Moreira), dividida com Maria Rita, que o chama de “meu compositor” (já foram nove músicas gravadas, em dois CDs). E a faixa de abertura, Herança Popular (com Fábio Henrique e Nailson Mota), na qual enumera os mestres que o precederam - Candeia, Cartola, Lupicínio, Caymmi - e os contemporâneos - Zeca, Almir Guineto, Sombrinha, Jorge Aragão.

Mais conteúdo sobre:
Arlindo Cruzsamba

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.