Murilo Busolin/Estadão
Murilo Busolin/Estadão

Ariana Grande apresenta pop 'maduro' em show pouco interativo em São Paulo

Popstar voltou ao País para dois shows, RJ e SP, após o atentado terrorista que matou 22 pessoas na apresentação em Manchester

Murilo Busolin, O Estado de S. Paulo

02 Julho 2017 | 01h57

Com seus recém-completados 24 anos, a cantora Ariana Grande se apresentou para uma legião de crianças e adolescentes na noite do último sábado, 1, no Allianz Parque, na capital paulistana.

Há cerca de dois meses, no final de seu show em Manchester (Reino Unido), um ataque terrorista com bombas matou 22 pessoas, entre fãs e seus familiares, o que fez com que Ariana desmarcasse alguns shows de sua turnê pela Europa, e que consequentemente pode ter afetado o seu carisma e interatividade com seus ‘arianators’, ponto negativo que ficou claramente exposto na sua apresentação em São Paulo.

Apesar dos poucos ‘obrigada’, ‘I Love you all’, e das repetidas vezes em que pegou a bandeira do Brasil por alguns segundos e devolveu para o público, Ariana Grande colocou seu potente vocal para jogo em uma coleção impecável de hits, como ‘One Last Time, ‘Into You’, ‘Side to Side’, ‘Break Free’, e até uma nova versão de ‘Problem’ – que não empolgou muito - demonstrando capacidade suficiente para se firmar com um dos nomes mais promissores do universo pop para os próximos anos.

A performer que lançou três álbuns até então, ‘Honeymoon Avenue', ‘My Everything’ e o mais recente ‘Dangerous Woman’, começou a sua carreira em um seriado infantil na TV, como sua amiga e também cantora Miley Cyrus, e após viralizar no Youtube fazendo cover de outros artistas, ganhou o seu contrato para o estrelato na indústria da música.

Ariana, que é a segunda pessoa mais seguida no Instagram (com 110 milhões de seguidores), veio para o Brasil pela primeira vez e para um único show em São Paulo, em 2015 – vale lembrar que a data coincidiu com a prova do ENEM - sem banda, com palco simples, e contou apenas com o apoio de um DJ reforçando a mixagem de suas músicas, além de seus bailarinos.

Na época a cantora, que já possuía alguns hits na manga, encantou o público de 22 mil pessoas com seus passos e trejeitos de uma novata do pop que ainda tinha muito para provar.

De lá pra cá, a cantora colecionou mais indicações ao Grammy, bilhões de visualizações e reproduções de seus vídeos e músicas nas plataformas digitais, fez uma participação no seriado ‘Scream Queens’, e se envolveu em um mini-escândalo, após ser filmada durante uma brincadeira com um grupo de amigos, lambendo donuts à venda em uma padaria e proferindo em tom de deboche: ‘Eu odeio a América’.

 

Não durou muito para que sua limpeza de imagem com o patriotismo dos americanos fosse colocado em prática, e a cantora emendou o seu terceiro e maduro disco Dangerous Woman’ (2016), arriscando em uma dose maior de sensualidade e letras que já não eram mais as mesmas de uma garotinha que cantava sobre paixonites passageiras, e que fazia com que sua legião de fãs usasse as mesmas orelhinhas de gato, que agora foram substituídas por orelhas 'fetiche' de coelho.

No show deste sábado poucas coisas mudaram desde 2015, com vozeirão e sem desafinar em qualquer momento, a cantora veio bem acompanhada de um grupo de bailarinos e uma banda, telões mais sofisticados, figurinos nem um pouco infantis, mas em contrapartida mostrou uma evolução em sua desenvoltura ao vivo com o acréscimo de seus mais recentes sucessos.

Pharrell Williams é um dos produtores do quarto disco da intérprete de ‘Love Me Harder’ e em recente entrevista revelou que o álbum ‘está maravilhoso’.  Só nos resta aguardar para ouvir o que Ariana Grande vai apresentar ao mundo após um ano recheado de conquistas, reconhecimento e de acontecimentos que marcarão a sua carreira para sempre.

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