Reuters/Jeff Zelevansky
Reuters/Jeff Zelevansky

Aretha Franklin e mais 200 artistas em New Orleans

Jazzfest anuncia sua programação com B.B. King, Gil Scott Heron, o ator Steve Martin e outros

Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo,

07 de janeiro de 2010 | 05h00

Algum dia teremos um festival desse porte? No primeiro fim de semana, de 23 a 25 de abril, estarão em cena George Clinton and Parliament/Funkadelic, Lionel Richie, Anita Baker, Allman Brothers Band, My Morning Jacket, Dr. John, Darius Rucker (líder do grupo Hootie & the Blowfish), The Black Crowes, Blind Boys of Alabama, Terence Blanchard, Steel Pulse, Jonny Lang, Drake, o senegalês Baaba Maal e mais uns 200 artistas.

 

Achou pouco? Pois no segundo fim de semana do 41º New Orleans Jazz and Heritage Festival (de 29 de abril a 2 de maio), cuja programação foi anunciada esta semana, comparecem Pearl Jam, Aretha Franklin (que deu ‘cano’ no ano passado, sendo substituída por Neil Young), Van Morrison, B.B. King, Irma Thomas, Jeff Beck, The Neville Brothers, The Dead Weather, Elvis Costello & the Sugarcanes, Gil Scott Heron, entre outros mais de 200 artistas.

 

Comemorando suas quatro primeiras décadas de existência (a primeira edição foi em abril de 1970), o Jazzfest de New Orleans está cheio de velhos ativistas das causas sociais e raciais e também de excentricidades musicais (caso do ator Steve Martin, tocando banjo e cantando, que se apresenta com sua banda Steep Canyon Rangers).

 

Além da Rainha do Soul, Aretha Franklin, e do baixinho irlandês Van Morrison, que são estrelas de primeira grandeza e já frequentaram os palcos dos festivais, há vários estreantes. A banda Pearl Jam, liderada por Eddie Vedder, é um deles, além de My Morning Jacket, Anita Baker, Gipsy Kings, The Levon Helm Band, o rapper Drake e o guitarrista Jonny Lang. Outro estreante é Darius Rucker (o líder do grupo Hootie & the Blowfish), que mudou de rumo na carreira-solo e se tornou o segundo negro na História a ganhar um prêmio (também está indicado para um Grammy) na categoria de Country Music (o outro foi Charley Pride, premiado em 1971 e 1972).

 

Escritor e músico, Gil Scott Heron, autor do hino contracultural Revolution Will Not Be Televised e do livro Abutre, é uma das muitas estrelas oriundas do ativismo na afirmação racial. "É muito bacana que o Jazz Fest esteja apto a abraçar todas essas coisas diferentes, esses diferentes artistas", disse Quint Davis, o organizador do festival, às agências internacionais. Do jazz ao rock, do pop ao gospel, do R&B à música eletrônica, o cardápio é sempre muito variado. "Temos jazz no nome, mas não é só jazz", diz Davis. Mais de 80% das atrações são artistas oriundos da Louisiana, como os The Neville Brothers, Irma Thomas, Pete Fountain, Dr. John, o rapper Juvenile, Trombone Shorty e Buckwheat Zydeco.

 

Velhos fregueses do festival, The Allman Brothers Band, Widespread Panic, The Black Crowes e B.B. King fazem turnês internacionais (o octogenário King já tem data de retorno marcada ao Brasil, por sinal). Haverá ainda um tributo ao cantor, compositor e trompetista Louis Prima, nascido em 1910, e outro para Mahalia Jackson (este conduzido pela cantora Irma Thomas). A homenagem a Prima será conduzida pelo seu filho, o cantor Prima Jr., e por Keely Smith.

 

Desta vez, Aretha Franklin está "100% confirmada", segundo a organização. No ano passado, ela cancelou sua participação para cantar na festa da posse de Barack Obama. A artista, considerada pela revista Rolling Stone a maior cantora de todos os tempos (em votação de 2008), foi a primeira mulher a ser entronizada no Hall da Fama do Rock and Roll.

 

O Jazzfest é um festival superfamília, é realizado durante a tarde no hipódromo de New Orleans, e os pais passeiam com seus bebês, os netos levam os avós, tudo regado à melhor tradição musical americana (são 11 palcos e shows simultâneos). São habituais os folclóricos "funeral parades" e festivais de comidas típicas da região, como o jambalaya.

 

A estratégia do festival é colocar lado a lado nomes de ponta do jazz, do R&B e do soul ao lado dos novos fenômenos do pop e do rock. Dessa forma, as novas gerações acabam tendo contato com a tradição musical que cimenta o caminho da música nova. Assim, é comum emparelharem nomes como Stevie Wonder e Kings of Leon, ou Irma Thomas e Bon Jovi.

 

O New Orleans Jazz & Heritage Festival foi criado em 1970 pelo empresário George Wein, que já organizava desde 1954 o Newport Jazz Festival e também o famoso Newport Folk Festival - aquele mesmo no qual Bob Dylan tocou folk com guitarra elétrica, em 1965, escandalizando os puristas. Wein foi a New Orleans justificando que ali estava "a mais rica herança musical da América do Norte", e que investir em cultura era um ótimo negócio.

 

Wein estava mais que certo. Estima-se que, atualmente, o festival, que envolve investimentos de cerca de US$ 10 milhões, tenha um impacto econômico de aproximadamente US$ 300 milhões na Louisiana. Essas projeções são levadas a sério nos Estados Unidos. Um estudo das autoridades americanas mostrou que a cidade de São Francisco, em 2005, investiu US$ 56 milhões no setor cultural, e isso acarretou um impacto econômico de US$ 706 milhões.

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