JEFF KOWALSKY / AFP
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Aretha Franklin é celebrada em Detroit, cidade que escolheu para si

Rainha do Soul escolheu a cidade no norte dos EUA e lá estabeleceu raízes

AFP

17 de agosto de 2018 | 15h42

DETROIT — Quando a morte de Aretha Franklin, nesta quinta-feira, 16, foi anunciada no sistema de som da fábrica de carros de Detroit em que trabalha Maurice Black, a emoção foi tão grande que a linha de produção foi interrompida.

"A expressão em todos os rostos era desoladora", disse o homem de 53 anos diante da Igreja Bautista New Bethel, onde Aretha começou a cantar gospel quando era criança e onde seu pai era pastor do templo.

A emoção foi intensa porque muitos trabalhadores recordaram a visita da cantora à fábrica alguns anos antes. "Quando ela veio, todos gritaram Aretha, Aretha! Rainha do soul". Aretha Franklin morreu nesta quinta, 16, aos 76 anos, em decorrência de um câncer no pâncreas.

Os carros e a "Rainha do soul" são símbolos de Detroit, a maior cidade de Michigan, conhecida como "Cidade do Motor" por seu grande vínculo com a indústria automobilística.

Maurice Black cresceu na vizinhança da igreja, onde desfrutou das receitas preparadas por Aretha durante as abundantes refeições que ofereceu à comunidade e aos desabrigados nos dias de Ação de Graças e Natal.

"Ela fazia a melhor sopa de rabada, com um pão de milho, que era de matar", recorda. "Era tanta comida que você não sabia o que fazer."

No bairro, os moradores não escondem o orgulho com o fato de uma estrela da música ter escolhido continuar próxima de suas raízes, e não em cidades mais famosas como Los Angeles ou Nova York.

As pessoas que saíram de casa na quinta-feira para homenagear Aretha Franklin, desafiando a chuva, recordavam não apenas sua música, mas também a personalidade pé no chão.

"Sei que era rica, mas nunca demonstrava que era rica", lembra o pastor Charles Turner, cujo pai já administrou a igreja. "Ela sempre demonstrava respeito por você. Quando você se aproximava dela, deixava que a abraçasse e sempre sorria quando falava com você."

"Ela era o tipo de pessoa que sempre falava com todos", confirma Black, que a viu na igreja pela última vez no ano passado, quando a cantora começou a perder peso e ele percebeu que Aretha estava doente.

"Ela fazia você pular de alegria", explica.

Para Jerome Greear, 52 anos e engenheiro de som, o funeral de Aretha deveria ser "presidencial", para estar à altura da artista.

"As pessoas a amavam", afirma, antes de apontar para a antiga igreja do pai de Aretha: "Não é grande o suficiente para ela. Este edifício não é grande o suficiente".

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