Jack Plunkett/Invision/AP
Jack Plunkett/Invision/AP

Arctic Monkeys volta ao Brasil no seu momento de maior sucesso

Banda inglesa toca na noite desta sexta-feira, 14, no Anhembi, em São Paulo

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

14 de novembro de 2014 | 03h00

Uma banda de rock pode experimentar o auge duas vezes? Dez anos após seu início, o grupo inglês Arctic Monkeys vive justamente esse momento de redescoberta. Recentemente, lotaram o Madison Square Garden em Nova York, privilégio reservado a poucos grupos. Mudaram-se de Londres para Los Angeles, onde colecionam motocicletas e modelos (e, dizem as más línguas, escapolem do fisco britânico). Três deles moram em Los Feliz, bairro onde Charles Bukowski reinou. Como num conto de J. M. Barrie, correm de garotas de 13 anos que querem agarrá-los e também têm piratas de 45 anos atrás de si, idolatrando-os do mesmo jeito que fizeram com Led e Beatles.

Exagero? Na noite desta sexta, 14, São Paulo poderá conferir em seu ansiado show no Anhembi. A segunda vida do Arctic Monkeys (Alex Turner, Jamie Cook, Matt Helders e Nick O’Malley) veio com o disco mais recente, AM (2013), seu quinto álbum, no qual experimentaram com enxertos de R&B americano e batidas que vêm do campo mais pop. Muitos fãs pensam que AM é sua estreia, tal o impacto do disco.

“Eles não se deixam aprisionar em nenhum estilo”, analisou o poeta John Cooper Clarke, de quem os Arctic Monkeys musicaram um poema, I Wanna Be Yours. Seu ar blasé e seu sotaque Yorkshire (eles são de Sheffield) fazem o resto do serviço. “Não nos entendem metade do tempo. Acham que somos australianos”, diverte-se o baixista Nick O’Malley.

Parte do ar “distanciado” do vocalista, Alex Turner, tinha a ver com sua dolorosa timidez. “Eu não gostava nem mesmo de abrir meus presentes de aniversário na frente dos convidados”, contou. Mas isso foi no início. Hoje, após casos com mulheres de sonhos (como Alexa Chung e Arielle Vandenberg, modelo com quem andou saindo e para quem teria composto a música Arabella – mistura de Arielle e Barbarella, o filme com Jane Fonda), Alex consegue falar com segurança de Nabokov e Camus numa entrevista e até virou colecionador de fotografia.

Banda de espírito gregário, típico de gangue (como as melhores da História), os Arctic Monkeys se conheceram ainda na escola, a Stocksbridge High School, em Sheffield. Lançaram seu primeiro álbum, Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, em 2006, pela Domino Records. Vieram ao Brasil para o TIM Festival logo em 2007, no auge de sua popularidade inicial, quando estavam ainda em seus 21 anos.

O retorno ao Brasil (tiveram uma passagem pelo Lollapalooza, em 2012, mas sem a expectativa de agora) traz um grupo saboreando o momento de maior sucesso de sua carreira. O que traz grandes alegrias e também grandes responsabilidades: recentemente, uma fã brasileira chamada Clara se matou no País, numa crise de depressão, e os fãs-clubes começaram um movimento para pedir para a banda dedicar uma canção à moça no show desta noite. 

Alex Turner detesta que enquadrem o grupo como porta-voz de qualquer coisa, muito menos de uma geração. “Nunca me senti como representante de nada. Talvez eu seja, mas isso depende do que cada um quer ouvir. Esse negócio de voz de comando é baboseira. O que eu faço é só incrementar alguns temas que as pessoas acham familiares numa banda de rock, mas que não têm nada a ver com conteúdo político”, disse, há dois anos.

ARCTIC MONKEYS

Arena Anhembi. Avenida Olavo Fontoura, 1.209, Santana, tel. 2226-0400. Sexta, 14, às 21h30. R$ 220/R$ 700. 

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