"Aquarela do Brasil" anima concerto burocrático

Plácido sambou, o maestro Marco Armiliato esqueceu de coordenar a Orquestra, o público acompanhou com palmas, aplaudiu, assobiou e até dançou. Com Aquarela do Brasil, seguida de queima de fogos de artifício, o espetáculo dos Três Tenores, no Estádio do Morumbi, terminou.Contrariando a expectativa da produção, apenas 42 mil ingressos foram vendidos. Contudo, quem esteve no espetáculo saiu contente. O bem escolhido repertório interpretado por Luciano Pavarotti, Plácido Domingo e José Carreras privilegiou as árias mais famosas e canções populares bastante conhecidas.Com apenas alguns minutos de atraso, a Orquestra Sinfônica Municipal, sob regência do maestro Marco Armiliato, abriu o espetáculo com trechos de O Guarani, da ópera de Carlos Gomes. Na seqüência, Carreras subiu ao palco e interpretou Io Conosco Um Giardino, de Petri; Plácido veio com Ch´ella Mi Creda, da La Fanciulla del West, de Puccini; Pavarotti, de braços abertos para o público brasileiro, atacou de Recondita Armonia, da Tosca, de Puccini. Nem mesmo Manhã de Carnaval, única composição brasileira prevista no repertório, de Luís Bonfá, foi capaz de fazer o público cantar. Só mesmo Aquarela do Brasil, que já estava prevista para o bis.Sem muitas novidades em relação ao que vêm fazendo nestes últimos dez anos, os Três Tenores fizeram um concerto em grande parte burocrático. E a platéia comportou-se como o esperado: em silêncio, aplaudindo uma ou outra nota mais aguda alcançada pelos tenores. Talvez um presente pelo bom comportamento, a chuva ameaçou mas não chegou a cair.A seqüência do programa teve Musica Proibita, de Gastaldon, com Carreras, No Puede Ser, zarzuela de Sorozabal, com Plácido e Granada, de Augustin Lara, com Pavarotti. Nesta, o público até arriscou os primeiros versos, mas parou por aí. No final do primeira parte os Três Tenores subiram juntos ao palco e cantaram o Medley Romântico.Dó-de-peito - O Morumbi foi todo transformado para esta apresentação, anunciada como o show do século. Foi equipado com luzes, raios laser e refletores coordenados com a iluminação do palco. Mas o som deixou a desejar: nas notas mais agudas, principalmente nas intervenções de Pavarotti, distorções atrapalhavam a audição das árias.Após um intervalo de vinte minutos, a seqüência anunciada anteriormente foi seguida à risca. Carreras interpretou Core ´Ngrato, de Cardillo, Plácido veio com Dein ist mein Ganzes herz, de Das Land Les Lachelns, de Leharo, só tocada pelos tenores na primeira apresentação, em 1990, e Pavarotti mostrou Caruso, de Lucio Dalla. Mais um descanso aos tenores, a Orquestra interpretou o Bacchanalle da ópera Sansão e Dalila, de Saint-Saens.Em seguida, Carreras, mesmo com muita dificuldade, cantou Intenditi con Dio, da Fosca, de Carlos Gomes. Primeira e única alteração no programa previamente divulgado. Plácido seguiu com E Lucevan le Stelle, da Tosca, de Puccini, e Pavarotti então lançou-se ao grande número de sua carreira e arrasou, com direito ao tão questionado dó-de-peito, em Nessum Dorma, do Turandot, também de Puccini. O medley final foi o esperado, sem qualquer alteração.Muito aplaudido, deixaram o palco pela primeira vez. E veio então o bis, quando cantaram em conjunto La Donna è Mobile, do Rigoleto, de Verdi e a canção napolitana Torna a Surriento. Saíram novamente e voltaram mais uma vez, para cair nos braços do público com O Sole Mio e Aquarela do Brasil.

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