Alexandre Calderero / Divulgação Selo Sesc)
Alexandre Calderero / Divulgação Selo Sesc)

Apresentações vão 'reproduzir' eventos da 'Semana de 22'

‘Toda Semana: Música e Literatura na Semana de Arte Moderna’ vai mostrar obras executadas no Municipal em 1922

João Luiz Sampaio, Especial para o Estadão

07 de fevereiro de 2022 | 20h00

No centenário da Semana de Arte Moderna, uma série de concertos propõe ao público o retorno às apresentações realizadas em 1922 no Teatro Municipal de São Paulo. Idealizado por Camila Fresca, Flavia Toni e Claudia Toni, o projeto nasceu da realização de Toda Semana: Música e Literatura na Semana de Arte Moderna, que reúne gravações das obras musicais interpretadas e uma seleção de poemas e conferências.

“A Semana carrega uma pulsão de criar e modernizar daquele grupo de jovens em São Paulo. E o que buscamos fazer no projeto foi mostrar a concretude do que aconteceu naquele momento, fazer uma fotografia da Semana”, explica Fresca, que prepara para a Todavia uma biografia do compositor Heitor Villa-Lobos.

Teve início então um trabalho de pesquisa que mergulhou nos documentos do período e deu origem à Toda Semana, que o Selo Sesc lança nas principais plataformas de streaming no dia 9. “O levantamento das apresentações musicais foi facilitado pelo fato dos programas apresentados nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922 estarem registrados. Assim, dá para saber tudo o que foi tocado e por quem. Mas, no que diz respeito às palestras ou leituras de poemas, a dificuldade foi maior. Nos programas, está escrito que além da música haverá leituras de poemas, por exemplo. Mas não há indicação de que poemas e por quem eles serão lidos”, diz a jornalista e pesquisadora.

“No aspecto puramente musical, havia um consenso sobre a importância de podermos escutar todas as obras então tocadas, para que possam circular mais e por aquilo que revelam, por exemplo, sobre a criação de Villa-Lobos. Mas outro aspecto importante diz respeito às outras artes, ou seja, alinhar esse repertório para entender como era o diálogo entre ele e outras coisas que fizeram parte da Semana”, afirma Flavia Toni, professora do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. Para Toni, a combinação entre diferentes formas de manifestação artística era um dos objetivos dos modernistas da Semana. 

Com direção musical do maestro e violinista Claudio Cruz, os concertos no Sesc Vila Mariana, que marcam o lançamento de Toda Semana, tentam reproduzir essa ideia. No dia 9, serão apresentadas peças de Erik Satie, Francis Poulenc, Villa-Lobos e Debussy, por músicos como o pianista Cristian Budu, o violoncelista Robson Fonseca e os integrantes do Quarteto Carlos Gomes; e o ator Antonio Salvador lerá trechos da conferência A Emoção Estética na Arte Moderna, de Graça Aranha, e poemas de Guilherme de Almeida e Luiz Aranha.

No dia 16, a apresentação começa com trechos da conferência Arte Moderna, de Menotti Del Picchia, e segue com obras de Villa-Lobos. Entre elas estão as Danças Características Africanas, com Claudio Cruz, Amanda Martins, Soraya Landim, Raiff Dantas Barreto, Ana Valéria Poles, Claudia Nascimento, Luca Raele e Leandro Roverso; uma série de canções a partir de poemas de Ronald de Carvalho, com interpretação do pianista Ricardo Ballestero e dos cantores Monica Salmaso e Homero Velho; e o Quarteto Simbólico, com Liuba Kletsova, Leandro Roverso, Claudia Nascimento e Guilherme Rodrigues, além de coro feminino preparado pela maestrina Maíra Ferreira. Antonio Salvador vai ler poemas de Sergio Miliet, Mário de Andrade e Manuel Bandeira.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.