Apresentações da última noite levantaram o público

Ninguém arredou o pé do Palace enquanto Stefon Harris não tocou a útlima nota da última música de seu show. O garotão, 27 anos, vibrafonista de extremo talento, foi impecável. Não parou por um minuto. Quando não estava martelando seu vibrafone, arriscava-se tocando percussão. Sacodiu o público presente e foi aplaudio de pé, sob inúmeros pedidos de bis. Saiu, voltou, tocou e agradeceu a hospitalidade. Harris conquistou os brasileiros logo no início do show. Com uma lata de guaraná na mão, apresentou um por um os músicos de sua banda dizendo: "He love´s guananá (Ele adora guananá)". Repetiu o bordão por inúmeras vezes e executou uma composição, que disse ter escrito inspirado no tal do guananá. Fechou o Chivas Jazz Festival com chave de ouro, deixando todos a espera da edição 2001 do evento. Antes de Harris, segundo show da noite, apresentaram-se Mal Waldron e Steve Lacy, músicos da "velha guarda" do jazz americano. Fizeram um espetáculo longo, mas intenso. De todos os que foram realizados neste Chivas, o show de Waldron e Lacy foi o que exigiu maior concentração por parte do público. Abriram com Monk´s Dream, de Thelonious Monk, número que mereceu o seguinte comentário de Lacy: "Esta é uma música dos anos 50. Do século passado, portanto". No decorrer da apresentação, homenagearam o poeta português Fernando Pessoa. Steve Lacy, confortável no palco, apresentou as peças e não perdeu uma chance de elogiar Waldron, um dos mais importantes pianistas de jazz de todos os tempos. Por fim, um espetáculo intimista, que cansou grande parte do público, mas deliciou os amantes do puro jazz.Boa surpresa, o guitarrista Charlie Hunter abriu a última noite com um show simples. Sentou, tocou e conquistou quem esteve presente. Acompanhado apenas de bateria e percussão, fez sua guitarra de oito cordas soar, em determinados momentos como contra-baixo, em outros como cuíca. O som é fusion de jazz, rock, pop e música latina, nada de inovador. Simpático, tentou falar com o público apenas em português, acabou se safando. Só não foi perdoado pela platéia quando arriscou tocar um sambinha no pandeiro. Ficou bem claro que ainda falta muito para o Tio Sam ´sacar´ o que é a nossa batucada.

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