Após transição, Municipal anuncia temporada

Um repertório mais amplo, uma maiorparticipação da Orquestra Experimental de Repertório e ainclusão do Balé da Cidade na temporada de assinaturas. Sãoessas algumas das principais novidades do Teatro Municipal deSão Paulo para 2003. A abertura oficial da temporada será no dia9, com concertos da Orquestra Sinfônica Municipal que têm opianista Nelson Freire como solista.O teatro terá seis óperas - Falstaff, Lohengrin,Édipo Rei, Os Contos de Hoffman, O Chapéu de Palha deFlorença e Salomé - títulos que serão interpretados pelaSinfônica Municipal e pela Orquestra Experimental de Repertório.Os dois grupos também dividem a temporada de concertossinfônicos, centrada basicamente em Prokofiev, Berlioz eStravinski. O Balé da Cidade terá quatro apresentações. Ospreços para toda a temporada variam entre R$ 150 e R$ 860 e maisinformações podem ser obtidas pelo telefone (0--11) 3334-1165.Este é o terceiro ano de gestão de Lúcia Camargo comodiretora administrativa do teatro. E o segundo do maestro IraLevin como diretor artístico. Contratado no fim de 2001, eleassumiu o cargo em abril do ano passado falando na reformulaçãodo modo de trabalho do teatro e na busca por uma maior atividadedos corpos estáveis. Levin falou ao Estado de Dusseldorf, naAlemanha, e tratou de temas como a reformulação da SinfônicaMunicipal e o conceito da programação deste ano.O sr. enfrentou, no ano passado,cancelamentos e mudanças na programação inicial do teatro. Éseguro dizer que, em 2003, esses problemas ficaram para trás?Ira Levin - Não vejo porque não. Em 2002, os problemassurgiram por causa do cancelamento, por parte do Municipal doRio, da produção de La Gioconda e por problemas com o TeatroColón, do qual emprestaríamos a produção das Bodas deFígaro. Estou ansioso para me encontrar com o novo secretáriode Cultura e acertar com ele um modo de trabalharmos juntos paragarantir que o teatro seja a instituição de ponta que deve ser.Qual o conceito por trás da programação de 2003?A intenção é continuar trazendo obras que nuncaforam tocadas em São Paulo, muitas delas reconhecidasinternacionalmente, ao lado de outras já conhecidas e apreciadaspelo público. Vamos lembrar o aniversário de 200 anos de Berlioz, com seu magnífico Réquiem, e os 50 anos da morte deProkofiev, com seus concertos para violino, entre outras obras.Entre as primeiras audições em São Paulo estarão a Sinfonia nº4, de Shostakovich, a Quinta, de Nielsen, e a MissaGlagolítica, de Janácek.Quais os solistas que o sr. pretende utilizar nesteano, seja na temporada de concertos ou na de ópera que, no anopassado, foi formada basicamente de cantores estrangeiros?Entre os solistas estarão Nelson Freire, BorisBelkin, Claudio Cruz, assim como músicos da própria orquestra.Para as óperas, pretendo trazer convidados para os papéis-títulode Falstaff, Lohengrin e Salomé, e também para os papéis deOrtrud, Elsa, Jochanaan e Herodes. Tentei incluir o maior númeropossível de brasileiros. Não concordo com a idéia de que devemosapenas apresentar óperas que possam ser cantadas por brasileiros, o que exclui muitas peças do repertório. Em uma casa do tamanhodo Municipal, temos de pensar numa escala diferente da de Manaus, por exemplo, com centenas de lugares a menos.Ao longo do ano passado, o sr. fez algumas mudançasna Sinfônica Municipal, que também perdeu seu spalla, LuizAmato. Quais foram elas ? O sr. tem outras em mente?Fiz as mudanças após pedir a alguns músicos quepassassem por novas audições. Como resultado, temos uma seção decordas mais forte e a diferença já pode ser sentida por qualquerpessoa que não esteja interessada em polêmicas gratuitas ou emcomparações com outras orquestras, o que não tem a menorrelevância para o nosso trabalho. O novo spalla será anunciadono fim da semana. Pretendo aumentar o número de músicos. Pensoque a orquestra tem mostrado uma sensível melhora e tenhocerteza de que este processo vai continuar.Quais as principais dificuldades que o sr.enfrentou ao longo deste primeiro ano no teatro?O grande problema foi me acostumar com o modocomo as coisas acontecem por aqui. Fico feliz de ter conseguido,ao lado de Lúcia Camargo e de meu assistente Henrique Lian, dapequena revolução no planejamento da vida do teatro. Conseguimos, por exemplo, dizer aos músicos antes do Natal tudo o que elesvão tocar em 2003. Além disso, foi um grande choque culturalchegar a um novo País, entrar em contato com uma nova língua ecom um teatro que não estava no auge de sua forma, tendo demudar a mentalidade das pessoas que trabalham nele. Isso se somaàs intrigas freqüentes com relação a novos "chefes". Acho que2002 foi um ano de transição e que 2003 será a primeiratemporada na qual sei exatamente com o que estou lidando.

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