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Após prêmio, chove na horta do Trio Corrente

Únicos brasileiros a levarem estatuetas na festa, eles viram interesse em shows aumentar e enfim farão uma turnê

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2014 | 18h38

O conjunto paulistano de jazz Trio Corrente, que ganhou o Grammy de melhor álbum de jazz latino anteontem (em parceria com o saxofonista cubano Paquito D’Rivera, no disco Song for Maura), deve fazer turnê em maio e outubro com o repertório do álbum, segundo informou ontem o francês Jacques Figueras, que produziu o trabalho.

Figueras diz que ainda não tem nada confirmado, mas o Grammy fez chover gente interessada em apresentações do trio e ele acaba de ganhar um edital para fazer 5 shows nos Centros Culturais da Caixa em Curitiba e Brasília. “É só achar a data na agenda do Paquito”, afirmou.

Song for Maura concorria em duas categorias: melhor solo improvisado e melhor álbum de jazz latino. Fábio Torres (piano), Edu Ribeiro (bateria) e Paulo Paulelli (baixo) são frequentadores assíduos de casas como o Jazz nos Fundos, em São Paulo. Lançado em julho de 2013 pelo selo Sunnyside/Paquito Records, Song for Maura recebeu nova prensagem e estará disponível aqui em fevereiro.

A parceria entre Paquito e o Trio Corrente nasceu no Festival Jazz e Blues de Guaramiranga, no Ceará, em 2010. A gravação do disco ocorreu em 3 dias, em outubro de 2012, e o nome do álbum é uma homenagem a Maura, mãe de Paquito, um expatriado cubano que detesta o regime castrista.

Paquito toca clarineta e sax alto no disco. As composições originais são todas de D’Rivera, Fabio Torres (arranjador de 11 das 13 faixas do disco) e Edu Ribeiro. O baixista Paulelli fez o arranjo da música Tem Dó. O álbum traz também releituras de standards como Chorinho para Você, Sonoroso ou 1X0. Recebeu elogios de publicações especializadas internacionais, como a Jazz Times.

O Trio Corrente era o único representante brasileiro no Grammy este ano e passou a integrar um grupo fechado de brasileiros que detêm a estatueta da indústria da música: antes deles, ganharam prêmios artistas como Gilberto Gil, Milton Nascimento, Tom Jobim e outros.

Por ver possibilidades musicais entre eles, o francês Figueras foi à luta e conseguiu convencer Paquito D’Rivera a se apresentar com o trio. “Antes de escutar as gravações do Trio Corrente, fui contatado uns anos atrás por seu manager, Jacques Figueras, um francês abrasileirado, que me chamou para dividir o palco com eles. Respondi que tinha tido péssimas experiências com músicos desconhecidos, e portanto gostaria de viajar com meu próprio grupo”, contou Paquito D’Rivera. Mas seu pianista, Alex Brown, ouviu a conversa e atestou a qualidade do Trio Corrente. “Então chamei Figueras novamente, e o resultado é uma série de shows internacionais e agora este disco, minha melhor homenagem ao Brasil e no mesmo tempo, um canção de amor à memoria da linda Maura, minha mãe.”

Figueras também produzirá o show do cantor Gregory Porter em São Paulo, no dia 4 de junho, na Sala São Paulo, dentro da série beneficente Concertos da Tucca. Porter, Grammy de melhor vocalista de jazz, virá com o trio do pianista Jacky Terrasson e com a cantora Cécile McLorin.

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