Após as demissões, é tenso o clima na Osesp

Após as demissões de sete músicosda Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a Osesp,ocorridas ontem, o ambiente de trabalho no grupoparece não ser dos melhores. A direção da orquestra mantém adecisão de não se pronunciar sobre a questão por enquanto, umavez que os maestros estão ocupados preparando os concertos destasemana e a turnê da semana que vem pelo interior de São Paulo.Além disso, a reportagem não recebeu autorização para assistirao ensaio de hoje à tarde.Segundo uma fonte na orquestra, que prefere não seridentificada, os músicos foram proibidos de permanecer na SalaSão Paulo para estudar ou ensaiar com suas formações de câmara,após o período regulamentar dos ensaios oficiais dos concertosda semana. A mesma fonte chama a atenção para o fato de queameaças de demissão continuam dentro do grupo, em especial noque diz respeito às mulheres de dois dos músicos demitidos, quecontinuam na orquestra.No ensaio da manhã de terça-feira, o maestro JohnNeschling teria dito que estaria disponível para conversar comqualquer músico da orquestra a respeito do que havia ocorrido.No entanto, segundo garante essa mesma fonte, alguns músicos nãoforam recebidos. Neschling teria preferido adiar algumasconversas para o fim da turnê da orquestra.Carta - A divulgação de uma carta com a assinatura de 12músicos não-demitidos (que negam a autenticidade doabaixo-assinado em protesto à atitude autoritária do diretor eentregue a Neschling em 10 de julho) provocou a reação de FábioCury, um dos demitidos e ex-presidente da associação de músicosda Osesp.Segundo ele, não é impossível que os músicos tenham sidocoagidos a escrevê-la. "Além disso, alguns músicos queassinaram essa carta reclamando do abaixo-assinado nem chegarama aderir a ele e, mesmo que o tivessem feito, 12 ante os 70outros músicos é um número pequeno." Cury disse à reportagemque pretende entrar na justiça contra os autores da carta.A carta também chama a atenção para o fato de que ooboísta Joel Gisiger - que teria sido suspenso, na semanapassada, de modo irregular pela direção da orquestra, provocandoa reação da associação dos músicos, o que, por sua vez, teriaresultado nas demissões - resolveu a situação com o maestroRoberto Minczuck, retratando-se e aceitando a suspensão. "Essefato não poderia ser utilizado como motivo ou pretexto paradesestabilizar o projeto da orquestra", diz o texto. Gisigernão foi encontrado pela reportagem. Na sua casa, foi dada ainformação de que ele está viajando.

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