Clóvis Ferreira/Estadão
Tom Jobim continua sendo gravado em todo o mundo Clóvis Ferreira/Estadão

Após 25 anos da morte de Tom Jobim, legado do artista é celebrado em projetos previstos para 2020

Filme contará a história do disco 'Elis & Tom' e Nana Caymmi faz álbum dedicado ao compositor

Renato Vieira, O Estado de S. Paulo

08 de dezembro de 2019 | 06h00

Em 8 de dezembro de 1994, Tom Jobim morreu em um hospital de Nova York. Após uma cirurgia para retirar um tumor na bexiga, sofreu uma parada cardíaca. A inesperada notícia deixou os amigos em choque. 

Exatos 25 anos depois, eles continuam se lembrando da falta que o ‘maestro soberano’, assim chamado por Chico Buarque na música Paratodos, faz. Mas a obra de Jobim nunca deixou de despertar interesse. No ano que vem, dois projetos irão celebrar momentos importantes da trajetória do compositor. 

Um documentário previsto para 2020 contará a história do disco Elis & Tom. Com roteiro de Nelson Motta, a produção terá como base filmagens inéditas que o diretor Roberto de Oliveira, à época empresário de Elis Regina, fez durante as gravações do álbum em Los Angeles, no início de 1974.

Os bastidores do álbum foram atribulados. Elis e os músicos foram para os EUA, onde Jobim morava, para convidá-lo a gravar um disco. A princípio, ele não queria Cesar Camargo Mariano, pianista casado com a cantora, como arranjador. Vencidas as primeiras resistências, Cesar começou a fazer os arranjos. Quando os músicos chegaram ao estúdio com instrumentos elétricos, que Jobim não gostava, o compositor disse que “a conta de luz do estúdio ia ficar um absurdo”. 

Ele também implicou com o fato de Cesar chamar o piano acústico de piano de pau. “Aloysio, me socorre”, disse Jobim ao produtor Aloysio de Oliveira. Os ânimos foram aplacados e Elis e Jobim lançaram o disco em grandiosas apresentações no Rio e em São Paulo.

Nos primeiros meses de 2020, será lançado, pelo Selo Sesc, um álbum com Nana Caymmi interpretando músicas do compositor. Dori Caymmi assina os arranjos, que contam com orquestra. A cantora afirma que o repertório foi inspirado em dois álbuns clássicos dedicados a músicas de Jobim e letras de Vinicius de Moraes – Canção do Amor Demais (1958), de Elizeth Cardoso, e Por Toda Minha Vida (1959), de Lenita Bruno. Entre as faixas que Nana gravou estão Eu Sei Que Vou Te Amar, Sem Você e Soneto da Separação

Nana conta que Jobim é uma “paixão antiga”. Durante décadas, os dois foram próximos. “É uma tristeza imensa a ausência dele. Tom gostava de bolero pra caramba, como eu gosto, a gente conversava muito sobre os grandes compositores. Tenho muita saudade, na vida da minha família ele era muito presente”, afirma Nana. Ela reforça que está cansada de fazer shows. Mesmo assim, volta aos palcos em 2020 interpretando Jobim. 

A viúva do compositor, Ana Lontra Jobim, revela que material inédito pode sair em breve. “Vamos nos dedicar ao que foi gravado em vídeo. Há também alguns áudios muito bons.” Ela administra as obras do compositor por meio das editoras Jobim Music, no Brasil, e Corcovado Music, nos EUA. Graças ao papel dela, todos os discos de carreira de Jobim estão disponíveis nas plataformas digitais. “Temos uma equipe pequena e eficiente. Manter a obra dele nas mídias é um trabalho que tem que ter uma atenção permanente”, afirma Ana. 

O cuidado com a imagem de Jobim é a principal preocupação de Ana. Músicas dele não são autorizadas para uso em propagandas partidárias nem de bebidas alcoólicas. Ela não tem uma estimativa do volume de gravações e execuções das canções do maestro, já que no Brasil não se exige autorização prévia para registrá-las em disco. Nos EUA, é diferente, com o pedido feito para a Corcovado Music.

Mas uma consulta rápida ao site All Music, plataforma de dados sobre música, mostra 21 discos lançados este ano na Europa e nos EUA que contam com músicas de Jobim. Mike Love, fundador dos Beach Boys, gravou Garota de Ipanema em inglês e português. Chrissie Hynde, vocalista da banda The Pretenders, fez um álbum de jazz com uma versão de Once I Loved (O Amor em Paz). Depois de 25 anos de sua morte, Jobim continua sendo do mundo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Fernanda Takai lança DVD em que interpreta músicas de Tom Jobim

Cantora fez registro audiovisual em hotel do Rio de Janeiro, ao lado de Marcos Valle e Roberto Menescal

Renato Vieira, O Estado de S. Paulo

06 de dezembro de 2019 | 10h00

Fernanda Takai volta a mergulhar no universo de Tom Jobim no DVD O Tom da Takai Ao Vivo. Neste trabalho, já disponível também nas plataformas digitais, a cantora volta a estar perto de Roberto Menescal e Marcos Valle, ícones da Bossa Nova que produziram e fizeram os arranjos de O Tom da Takai, álbum de estúdio lançado no ano passado. Thiago Delegado (violão), Fernando Merlino (teclado), Diego Mancini (baixo) e Caio Plínio (bateria) fazem parte do grupo que os acompanha.

O registro audiovisual não segue o padrão comum de shows filmados. Takai encontrou um hotel na Joatinga, no Rio, em que conseguiu reproduzir a atmosfera dos encontros intimistas da Bossa Nova, no fim dos anos 1950. Ela conta que o encontro com Valle e Menescal foi determinante para que ela optasse pela gravação do DVD. “Queria registrar esse momento com eles. Já tinha o registro de estúdio, mas estar junto deles ali e perceber que eles fizeram parte da minha história musical foi muito importante, pelo que eles representam. Os dois são muito animados e topam tudo”. Entre as faixas, os três conversam e contam histórias sobre as composições.

Fernanda Takai canta a música Olha Pro Céu

 

 

O repertório, assim como o do álbum de estúdio, foge do óbvio. Takai conta que ela, Valle e Menescal passaram um dia ouvindo várias músicas de Jobim, levando em conta os parceiros de cada uma delas e a quantidade de gravações. Entre elas estão as pouco lembradas Olha Pro Céu e Samba Torto. Há espaço até para uma instrumental, The Red Blouse, conhecida no meio jazzístico. Takai faz vocalises no tema, sugerido por Valle.

Takai também celebra a obra de Valle e Menescal. O primeiro canta com ela Samba de Verão, uma de suas músicas mais conhecidas mundo afora. O Barquinho, de Menescal e Ronaldo Bôscoli, é interpretada em duas línguas, português e japonês - a versão foi feita por Ryosuke Itoh, dono de uma loja em Tóquio dedicada a discos de música brasileira. 

Fernanda Takai canta a música Bonita

 

 

Para a cantora, a obra de Tom continuará a ser lembrada ao longo dos anos, pela força e importância. “Tom é o artista brasileiro mais conhecido do mundo. Na sua música, está impresso o DNA brasileiro, um jeito que é só do Brasil. A obra dele é muito consistente. Gosto muito de ver as entrevistas do Tom e e saber pelas pessoas que conviveram com ele que o Tom era uma pessoa bacana”.

Em São Paulo, a cantora apresenta no Blue Note o show O Tom da Takai no dia 21 de dezembro, com sessões às 20h e às 22h30. Os ingressos vão de R$ 100 a R$ 140, vendidos pelo site www.tudus.com.br

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Amigos e produtores falam sobre a convivência com Tom Jobim

Nomes como Gal Costa falam sobre a importância do maestro na semana em que se completam 25 anos de sua morte

Renato Vieira, O Estado de S. Paulo

05 de dezembro de 2019 | 10h00

A morte de Tom Jobim não foi suficiente para apagar as boas memórias que amigos, parceiros e produtores têm do compositor. Engraçado, carinhoso e perfeccionista, Jobim deixou saudade entre as pessoas que trabalharam com ele. O Estado colheu depoimentos de importantes nomes da música brasileira sobre o 'maestro soberano', na semana em que se completam 25 anos de sua morte.

Gal Costa, cantora e amiga que fez um disco em homenagem a Jobim em 1999

Eu conheci a música do Tom na adolescência em Salvador, ouvindo os discos de João Gilberto. Sabia os arranjos que ele fez para esses discos de cor. O conheci pessoalmente no Rio e fiquei grande amiga dele. Fizemos muitos shows, muito mais nos Estados Unidos do que no Brasil. O Tom tem uma influência muito grande por causa da Bossa Nova. Ele era um melodista extraordinário. Fiz um show cantando só canções dele, em todo o mundo. Em qualquer lugar, as pessoas sabem as músicas dele.

Conviver com Tom foi muito bom, porque ele tinha um humor muito engraçado, era muito irônico e carinhoso. Ele é o maior compositor brasileiro, porque a música dele é sofisticadíssima, mas ao mesmo tempo muito palatável e fácil de se aprender. Há algumas mais difíceis, mas de modo geral são muito fáceis. Ele influenciou toda a minha geração com uma música muito sofisticada.

Joyce Moreno, cantora e compositora. Gravou três discos em homenagem a Jobim

Eu o conheci entre os 19 e 20 anos. Fui levada por Márcia Rodrigues, minha aluna de violão que tinha sido escolhida para o papel principal do filme Garota de Ipanema. Eu estava aparecendo nos festivais e ficamos amigos imediatamente. Tom era uma pessoa muito engraçada e um intelectual sem a pose do intelectual. Ele sabia sobre a fauna do Brasil, literatura, filosofia, filologia. 

Ele morava numa casa em formato de navio na rua Codajás, no Leblon. No andar de cima, era onde ficava o piano e onde ele recebia os amigos. Embaixo, havia um varandão onde ficavam os mais novos, a turma do Paulinho (Jobim, filho de Tom). Mas os mais novos também subiam, a gente mostrava as coisas pra ele e ele mostrava as coisas pra nós. Vi composições saindo do forno. Numa festa na casa dos pais da Olivia Hime, ele estava terminando Águas de Março, com versos que depois tirou. Eu estava grávida e ele fez uma brincadeira cantando 'é a promessa de vida na barriga da Joyce'.

Joyce Moreno canta Insensatez (Tom Jobim/Vinicius de Moraes)

Quis gravar um disco com músicas do Tom quando ele ia fazer 60 anos. A imprensa não estava dando atenção a ele e, quando dava, dava de um jeito negativo. Ele estava chateado com isso e ficou contente com a ideia do disco. Convidei o Gilson Peranzzetta para ser o pianista do disco. O Tom fez um texto para a contracapa. Depois fiz outro disco com músicas dele, ao lado do Toninho Horta. Toninho era meu convidado da temporada anual no Blue Note do Japão e tinha uma hora que a gente ficava só no palco, improvisando. Todas as noites, a gente acabava tocando algo do Tom. Lá chegou a notícia da morte e ficamos muito mexidos. Na volta, passamos em Nova York e em uma noite a gente gravou esse disco, ainda impactados pela perda. Depois, fiz um disco na Alemanha com big band quando ele faria 80 anos.

Ele foi o grande compositor brasileiro, ao lado de Villa-Lobos. É a cara brasileira no mundo, o cartão postal do Brasil no século XX foi a música do Tom. Ele deixou um legado universal. Todos os lugares por onde eu passo as pessoas o conhecem. Quando dou workshops em universidades na Europa e nos Estados Unidos, as pessoas conhecem esse repertório. É lindo ver como essa música é apreciada. No Brasil, são outros quinhentos. É como se não tivesse acontecido nada disso. Não há acesso democrático a essa cultura. O grosso da população não sabe que existiu essa pessoa. 

Danilo Caymmi, amigo e músico que fez parte da banda de Jobim

Ele e meu pai (Dorival Caymmi) tinham uma amizade muito sólida. Uma época, meu pai estava com gota e Tom que trazia o remédio, que só tinha nos Estados Unidos. Eles também trocavam cartões postais. Papai o chamava de 'Tonico Abóbora D'água' e o Tom assinava 'Antonio Claustrofobim'. Tom gravou Maricotinha e Maracangalha. Presenciei inúmeras vezes o Tom pegar o papai em casa para ir ao Parque da Cidade conversar. Sempre se consultaram. E sou praticamente da família, porque sou padrinho de casamento do Paulo Jobim e padrinho da Maria Luiza (filha de Jobim).

Danilo Caymmi canta Água de Beber (Tom Jobim/Vinicius de Moraes)

Eu o conheci nos ensaios para o disco Caymmi visita Tom (1964), produzido pelo Aloysio de Oliveira.  O que me impressionou foi o trabalho do Tom, muito jazzístico. Fiquei impressionado com a harmonização e o improviso dele, quase minimalista. Passaram-se os anos e em 1983 comecei a participar da Banda Nova. Meu trabalho ali era cuidar dos ensaios. Primeiro a gente ensaiava os vocais, depois o instrumental. Foi um privilégio trabalhar com grandes músicos. Fizemos muitos concertos e era um sucesso no mundo inteiro. Na hora do palco, o Tom me delegava essa função. 

Ele era extremamente disciplinado. Às vezes, para um concerto só, a gente ensaiava 16, 17 dias. Os arranjos todos passavam por ele. Na estrada, ele não era muito de sair, ficava muito no hotel. O negócio dele era com o Brasil, sempre foi. Ele não gostava de viajar. Ele previu essa destruição das florestas que estamos vendo. Acho que ele estaria muito triste com o que está acontecendo hoje com a Mata Atlântica.

Recebi a notícia da morte em Brasília. Foi muito triste porque eu estava com o neto dele, Daniel. Foi o próprio Daniel que me contou. Sabia-se que ele havia alguma coisa em relação à saúde do Tom, mas ele era muito na dele. Ele gostava muito de Nova York e dos médicos de lá. Foi um choque muito grande. O amor dele pelo Brasil era profundo.

Eduardo Athayde, músico e produtor do álbum Matita Perê (1973)

Em 1965, eu fazia parte do conjunto vocal Quarteto 004. Gravamos um compacto duplo e o Roberto Menescal escreveu a contracapa. Ele nos levou à casa do Tom para ele ouvir nossa versão de O Morro Não Tem Vez. Ficamos amigos e ele foi pros Estados Unidos. De lá, ele me ligou dizendo que tinha alugado uma casa em Ubatuba, na beira da praia, mas estava chovendo e ele queria um lugar para ficar quietinho. Uma amiga que morava em Itacoatiara, em Niterói, ia para a Europa e eu pedi para ela me emprestar a casa. Ele foi para lá de mala e cuia com a família. 

Ele chamou o grupo para gravar Wave e eu ia diariamente à casa dele na rua Codajás. Fomos fazer um show no Teatro Toneleros em 1968 e o convenci a se apresentar com a gente. Desde 1962 ele não fazia show. Essa apresentação saiu no LP Discomunal, com Chico Buarque, Baden Powell e Millôr Fernandes. Quando ele foi para o palco, foi uma apoteose. 

Um dia, ele me ligou de Petrópolis, alucinado, dizendo que tinha feito algo extraordinário. Ele veio ao Rio e me mostrou Águas de Março. Na época, eu estava bem perto do pessoal do jornal O Pasquim. Sérgio Ricardo havia criado o projeto Disco de Bolso, que acompanhava o jornal. O primeiro volume foi com Tom cantando Águas de Março e o João Bosco, que estava sendo lançado, com Agnus Sei. Nessa gravação de Águas de Março, eu que toco violão. A amizade foi ficando cada vez mais sólida. Ele era a pessoa mais engraçada que você possa supor, de uma inteligência brutal. 

Antes de fazer o Matita Perê, ele estava muito receoso. André Midani (diretor da gravadora Phonogram) pediu que eu produzisse o disco e o Tom concordou. Fui direto para a casa dele. Cheguei lá e falei: "Como que eu vou produzir um disco seu? Se eu falar pra tirar uma nota, você vai me mandar à m****". Ele disse: "A gente é muito amigo e você não vai deixar ninguém fazer besteira comigo".

Ouça abaixo a faixa Matita Perê (Tom Jobim/Paulo César Pinheiro)

Fomos para um estúdio no centro do Rio. Ele não gostou do estúdio e fomos tomar um chope. Ele disse que não daria para gravar lá e pediu para eu avisar ao André que não daria para fazer. Avisei o André, que falou: “Mas e o orçamento?”.  Falei com o Tom que o negócio era a grana. “Então eu pago outro estúdio, mas não quero fazer o disco dessa maneira aqui”, disse o Tom. 

Aí ele foi para Nova York, com os arranjos prontos, e gravou o Matita Perê lá. Eu não fui. Os americanos queriam tirar o meu nome do crédito de produção do disco. Tom não deixou, disse que eu era amigo dele e que eles não iam fazer isso. Fizemos o lançamento do disco no Clube Caiçaras. Carlos Drummond de Andrade, Mário Palmério, autores daquela literatura que o Tom tanto gostava, foram ao lançamento. Matita Perê é um disco que representa a nossa amizade. 

Arnaldo DeSouteiro, jornalista que fez roteiro e textos do especial da TV Globo João & Antonio, que reuniu João Gilberto e Tom Jobim em 1992, e produtor da última gravação do compositor

Quando saiu o disco Terra Brasilis (1980), eu estava começando a escrever em jornais, eu era muito jovem. Escrevi sobre o LP e peguei o catálogo telefônico. Naquele tempo, você achava as pessoas no catálogo. Eu liguei para ele e ele foi muito gentil, pediu para eu levar o artigo na casa dele. Voltei a encontrá-lo anos depois, porque o violonista Carlos Barbosa-Lima, que morava nos EUA, tinha feito um disco com músicas dele e do Gershwin. Nessa época, 1983, Tom estava recluso e não tinha voltado a fazer shows. Carlos era meu amigo, ficava na minha casa e o Tom ia encontrá-lo lá. Produzi reedições de discos dele como o Stone Flower (1971), em 1990. 

Uma das últimas gravações dele, em outubro de 1994, eu que produzi. Foi para o disco Rio Vermelho, da Ithamara Koorax. A gente gravou três músicas e ele gostou de É Preciso Dizer Adeus, sugerida pelo próprio Tom. As outras duas ficaram de fora. Ele disse que estava indo para os Estados Unidos e que, quando voltasse, a gente faria a gravação definitiva dessas outras duas. Só que ele não voltou. Em dezembro, ele morreu. 

Ouça a última gravação de Tom Jobim, com a cantora Ithamara Koorax. Eles gravaram É Preciso Dizer Adeus (Tom Jobim e Vinicius de Moraes). Jobim toca piano na faixa.

 

No estúdio, ele era perfeccionista. Queria que ele tivesse usado um piano Fender Rhodes na gravação, mas ele preferiu o piano acústico. Tom era muito divertido, com umas tiradas sensacionais. Foi uma gravação que eu não queria que acabasse. Gravamos de manhã e depois o levei para almoçar na churrascaria Plataforma. Apesar de ele ser muito educado, era intimidador estar diante de um gigante.

O especial de TV João e Antonio foi um marco, porque eles não tocavam juntos há 30 anos. João Gilberto, com quem trabalhei muito, estava com ótimo humor. Era um tempo que ele estava saindo mais. Foram dois shows: um do João no Rio, com participação do Tom, e um do Tom com a Banda Nova em São Paulo, com o João. Quando fomos fazer a pós-produção para o especial de TV, acabamos tendo que usar apenas uma música da apresentação do Rio. Uma pessoa da produção do Rio esqueceu de conectar o fio de um dos microfones do piano e o fio ficou solto em cima do instrumento. Desse show, só conseguimos salvar Chega de Saudade.  No segundo show, tomamos um cuidado maior. Rezei mais, inclusive.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Encontro de gerações: Claudette Soares e Ayrton Montarroyos reverenciam Tom Jobim

Dupla se reúne para falar do compositor na semana em que se completam 25 anos de sua morte

Renato Vieira, O Estado de S. Paulo

04 de dezembro de 2019 | 10h00

A música de Tom Jobim influencia cantores brasileiros de todas as gerações. Na semana em que se completam 25 anos da morte do compositor, o Estado promove um encontro de gerações, reunindo Claudette Soares –  uma das principais intérpretes da Bossa Nova – e o jovem Ayrton Montarroyos. Os dois falam do legado de Jobim e interpretam alguns clássicos dele.

Nascida no Rio de Janeiro e radicada em São Paulo desde o início dos anos 1960, Claudette conheceu Jobim por meio da amiga e cantora Sylvia Telles. Desde então, Claudette não deixa de incluir clássicos de Jobim em seu repertório. Em 2007, ela gravou o disco Foi a Noite - Canções de Tom Jobim, com releituras de Inútil Paisagem, Esquecendo Você, Retrato em Branco e Preto, entre outras músicas. 

Em vídeo, Claudette Soares fala sobre como conheceu Tom Jobim

 

 

A cantora também apresentou no estúdio da TV Estadão uma versão exclusiva de Este Seu Olhar.

 

 

Nascido em 1995, um ano depois da morte de Jobim, Ayrton é grande admirador das músicas do compositor. No show que vem fazendo por várias cidades do Brasil, Um Mergulho no Nada, ele apresenta releitura de Brigas Nunca Mais, de Jobim e Vinicius de Moraes. Na entrevista abaixo, Ayrton fala sobre a importância do autor de Garota de Ipanema.

 

 

Ayrton também interpreta Estrada do Sol, de Jobim e Dolores Duran.

 

 

Juntos, Claudette e Ayrton interpretam Eu Sei que Vou te Amar, escrita por Jobim e Vinicius de Moraes.

 

 

Quem acompanha Claudette e Ayrton ao violão é o músico Gabriel Deodato. O instrumentista apresenta uma releitura instrumental de Samba do Avião.

 

 

Ayrton e Claudette estão em cartaz em São Paulo com o show Natal Bem Brasileiro, ao lado de Maria Alcina. Há apresentações marcadas para 10, 17 e 18 de dezembro, às 21h, no Teatro Arthur Azevedo (Av. Paes de Barros, 995, Mooca). A entrada é gratuita. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.