Werther Santna/ Estadão
Werther Santna/ Estadão

Aplausos e a bandeira do Santos no adeus a Champignon

Músico foi encontrado morto na madrugada de segunda-feira

Zuleide de Barros / Santos, O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2013 | 20h15

Os fãs fizeram fila desde as primeiras horas da manhã de terça para dar o último adeus a Luiz Carlos Leão Duarte Júnior, o Champignon, que foi enterrado às 15 horas, no Cemitério Memorial Necrópole Ecumênica, localizado no bairro do Marapé, em Santos. Sob forte emoção, a mãe do ex-baixista da banda Charlie Brown Jr., que foi encontrado morto, com um tiro na cabeça, na madrugada de domingo em seu apartamento no Morumbi, zona oeste da capital, não se cansava de agradecer a Deus pelos 35 anos que teve o privilégio de conviver com o filho, “um menino muito carinhoso”, como dizia a todo instante. O pai, também bastante emocionado, arrematava: “Vamos pra casa chorar. Agora é com Deus”.

Sob aplausos de familiares e amigos, o músico foi enterrado com a bandeira do Santos FC e do Brasil. O filho do Chorão, Alexandre Magno, também compareceu ao enterro. Ele fez questão de depositar um agasalho de moletom no peito de Champignon, com o identificação da banda Charlie Brown Jr., que indicava “la família 013”, como eram conhecidos os músicos.

Companheiros de A Banca, o novo grupo formado após a morte de Chorão, compareceram à cerimônia, como Marcão e o baterista Bruno Graveto. Integrantes de outras bandas, como o vocalista Caniço, dos Raimundos, também esteve presente. Graveto afirmou, em entrevista na entrada do cemitério, que Champignon não estava deprimido, como alguns familiares chegaram a comentar. “Ele estava apenas chateado com as críticas que vinha recebendo de alguns fãs do CBJr, pela formação da Banca. Mas eu jamais iria imaginar que ele fosse dar um tiro na cabeça, como ficou comprovado pela polícia”, argumentou ainda. Segundo o baterista, todos estavam otimistas com a parceria com o grupo O Rappa, com o qual já tinham marcado vários shows. E foi com Marcelo Falcão, vocalista de O Rappa, que Champignon subiu pela última vez no palco, no sábado, em um apresentação em Lorena, interior de SP.

O inconformismo com a morte do ídolo era maior entre os fãs, que se aglomeravam na porta do Memorial. Rafael de Toledo, vigilante de 28 anos, afirmava que conhecia todos os rapazes desde a primeira formação da banda. “Era superfã do Charlie Brown Jr. e achei que o trabalho do Chorão deveria continuar com a Banca.” Para Rafael, as letras das músicas eram “uma coisa muito séria para se refletir”. Ele disse também que a música Dias de Luta, Dias de Glória, do Chorão, se transformou no seu lema de vida. “Eu já fui um dependente químico, que não dava a menor importância para a minha saúde. Por isso, dou valor para os versos do Chorão: hoje dou valor de verdade para minha saúde e para a minha liberdade”, completou.

Outro fã e amigo pessoal do grupo há 25 anos era o socorrista Fábio Andrade, de 37 anos, que fez questão de dar o último adeus ao Champ junto com a filha Bruna Galvão Andrade, de 8 anos. Há seis meses, pai e filha também compareceram ao enterro do Chorão, no mesmo cemitério. Alexandre Magno Abrão, o Chorão, morreu no dia 6 de março, vítima de uma overdose de cocaína. A empresária da Banca, Samantha de Jesus, também se mostrava bastante emocionada. Ela afirmou ainda não ter discutido o futuro do grupo, que tinha Champignon como vocalista.

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