Aos 100 anos, Coleman Hawkins ainda é referência

Neste sábado, o jazz comemora o centenário do saxofonista norte-americano Coleman Hawkins, considerado ?O pai de todos os saxofonistas?. Ele começou com o piano, depois o cello e, ao nove anos, passou para o sax tenor. Aos 12, Hawkins já tocava profissionalmente em Kansas City, quando foi descoberto e contratado por Mamie Smith. De 1924 a 1934, trabalhou na orquestra de Fletcher Henderson, onde era uma das principais atrações.Após deixar a orquestra de Henderson, ele foi para a Europa, onde trabalhou e gravou por seis anos com dezenas de músicos como Benny Carter, Django Reinhardt e Stephane Grappelli. Com a chegada da II Guerra Mundial, ele voltou aos Estados Unidos, onde encontrou o saxofonista Lester Young brilhando e dominando o cenário musical. Hawkins, então, surpreende o mundo do jazz e grava uma versão arrasadora, em 1939, de ?Body and Soul?, dando ao saxofone uma sonoridade nunca antes atingida.Nessa época, o be bop dava seus primeiros passos e Hawkins foi um dos incentivadores do gênero, protagonizando a primeira gravação do bebop ao lado dos jovens Max Roach, Dizzy Gillespie, Don Byas e Thelonius Monk. Em 1948, protagonizou a primeira gravação solo de um sax, com a música ?Picasso?. Nos anos 50, ele perdeu um pouco de espaço com a invasão dos boppers, mas continuou gravando e influenciando dezenas de músicos como Sonny Rollins, Roy Eldridge e J.J. Johnson. Em 57, grava um disco ao lado de outra lenda do sax, Ben Webster. No início da década de 60, grava com Duke Ellington e lança um disco de bossa nova, Desafinado. Nos últimos anos de vida, doente e com sérios problemas de alcoolismo, Hawkins produziu pouco, mas continuou na ativa até um mês antes de sua morte, em 19 de maio de 1969.Centenário em CD Para comemorar o centenário do músico, a gravadora Bluebird lançou em agosto o CD The Centennial Collection, com 20 faixas e um DVD bônus, com apresentações históricas de Hawkins ao lado de feras como o saxofonista Lester Young. O CD, que abrange o período entre 1929 e 1963, traz duas versões de ?Body and Soul?, a original, de 39, e uma de 56, acompanhado por uma orquestra, além de performances com Lionel Hampton, Sonny Rollins e com a orquestra de Fletcher Henderson. O CD ainda tem clássicos como ?April in Paris? e ?There Will Never Be Another You?. Não há previsão de lançamento no Brasil.

Agencia Estado,

19 de novembro de 2004 | 02h49

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