Ao vivo, Mark Murphy mostra toda sua versatilidade

Quem pôde acompanhar as apresentações do cantor norte-americano Mark Murphy, no ano passado, em São Paulo, teve o privilégio de ouvir um dos mais inventivos nomes da história do jazz. Com 72 anos, ele continua sendo a versão masculina de Ella Fitzgerald, que também aprovava a maneira criativa e particular de cantar de Murphy.O ritmo e a facilidade de criar novas nuanças para clássico do jazz fazem do cantor uma espécie rara. É isso que o ouvinte vai poder constatar em seu novo disco, Bop For Miles, uma homenagem ao genial Miles Davis. Gravado ao vivo na Áustria, Murphy está muito À vontade em um habitat que freqüenta há mais de 40 anos. Ao seu lado, músicos de categoria e sintonizados com a performance do cantor.O CD abre com um dos maiores clássicos de Davis, "All Blues", do disco Kind of Blue. Quem conhece esta música vai perceber que o riff tocado originalmente pelo sax de John Coltrane está presente, mas apenas como coadjuvante para as pertinentes incursões do cantor. Essa mesma precisão também acontece em "Goodbye Pork Pie Hat", de Charles Mingus, e "Autumn Leaves".O domínio do scat fica explícito em três pauladas de tirar o fôlego, "Bye Bye Blackbird", "Milestones" e na versão inspirada de "Parker´s Mood", de Charlie Parker, com destaque para o sax de Allan Praskin. O repertório ainda inclui "Summertime" e "On Green Dolphin", gravado originalmente por Murphy em 1961.À primeira vista, ou melhor, audição, Mark Murphy poderá parecer cansativo ou afetado. Isso, às vezes, acontece. Mas depois de ouvir o álbum inteiro não será possível ficar indiferente ao talento do mestre do improviso.

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