Antônio Menezes toca com Orquestra do Mercosul

Antônio Menezes afirma encontrar-se, neste momento, numa fase de transição. O violoncelista brasileiro de fama internacional, que se apresenta hoje, em São Paulo, com a Orquestra Jovem do Mercosul, falou ao Estado a respeito do estágio atual de sua carreira: "Ainda não sei exatamente em que isso vai dar mas, agora, que acabei de completar 45 anos, sinto que muita coisa está mudando e meu trabalho se encaminha num sentido inteiramente novo."Uma influência decisiva nesse sentido, admite Menezes, é a da estreita colaboração que ele vem desenvolvendo com o trio Beaux Arts, "que também está numa fase importante de reformulação, pois acaba de admitir um violinista novo, Daniel Hope, um talentoso protegido de Yehudi Menuhin".Menezes, que empresta o prestígio de seu nome à turnê dos 70 jovens que integram a Orquestra do Mercosul, enfatiza a importância da experiência camerística para seu desempenho como solista."Não há nada melhor, na carreira de um músico, do que o momento em que ele sente que está aprendendo muito. Tocar com o Beaux Arts está me permitindo focalizar melhor o que sinto, está me abrindo possibilidades novas. Existe uma diferença muito grande entre os convites ocasionais para tocar música de câmara com este ou aquele conjunto, e o trabalho conseqüente, de pesquisa e aprofundamento das técnicas de execução, com uma mesma formação, uma coisa sistemática que dá o sentido de continuidade."Isso se estende também aos pianistas com os quais gosta de colaborar: a brasileira Cristina Ortiz, por exemplo, com quem Menezes gravou um belo disco com as peças de Villa-Lobos para violoncelo e piano. Ou o suíço Gerard Wyss, com quem acaba de lançar, pelo selo Pan Classics, um CD de peças curtas - do tipo que se executa como bis, nos concertos - que está fazendo muito sucesso, neste momento, na Europa.Com Wyss, Menezes pretende gravar, em breve, a integral das sonatas de Mendelssohn - divulgação de um setor pouco conhecido e muitíssimo gratificante da obra desse compositor. Menezes fará também, a partir de fevereiro, excursões executando as sonatas de Beethoven para violoncelo e piano - programa que pretende apresentar em São Paulo trazido pela Cultura Artística.Ele se diz muito satisfeito com o resultado desse "trabalho muito bonito com jovens que estão cheios de vontade de tocar e, por isso, o fazem com todo entusiasmo". Formada em 1998, com o objetivo de promover o intercâmbio entre os estudantes de música do continente, a Orquestra do Mercosul já se apresentou, em anos anteriores, com os maestros Fábio Mecchetti e Sílvio Barbato.Desta vez, quem está à sua frente é Moshe Atzmon, de origem húngara, que estudou em Tel-Aviv e Jerusalém, foi aluno de Antal Doráti e fez carreira apresentando-se em Berlim, Hamburgo, Londres, e gravando para os selos Decca, EMI e Deutsche Grammophon. De comum acordo com Atzmon e os jovens músicos, diz Menezes, foi escolhido o Concerto em Si Menor de Antonín Dvorák - uma das grandes páginas da literatura para violoncelo e orquestra - que foi considerado apropriado para o tamanho da orquestra e a sensibilidade de seus executantes.A turnê começou no Teatro Trianon de Campos dos Goytacazes, no Estado do Rio, e prosseguiu no Teatro Colón, de Buenos Aires, e na sede do Mercosul, em Montevidéu, ocasiões em que, segundo Menezes, foi muito favorável a reação do público à atuação da orquestra. Hoje, os jovens músicos se apresentam na Sala São Paulo. Atzmon abre o programa com a execução de uma peça brasileira: o prelúdio das Bachianas Basileiras n.º 4, de Villa-Lobos.Na segunda parte, a orquestra executará uma peça muito apreciada pelo público de concertos, a Sinfonia n.º 5 op. 64, de Piotr Ilítch Tchaikóvski.A turnê da Orquestra Jovem do Mercosul conta com o apoio da Ação Social pela Música, entidade não-governamental voltada para a difusão continental dessa modalidade artística. Graças aos patrocínios coordenados pela ASM, a orquestra já gravou dois CDs com peças de seu repertório e publicou um álbum de documentação do trabalho que vem desenvolvendoOrquestra Jovem do Mercosul. Hoje, às 21 horas. Grátis. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, s/n.º, tel. 3337-5414.

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