Antônio Meneses toca Villa-Lobos no Rio e prepara disco com músicas de Tom Jobim

O violoncelista Antônio Meneses está devolta ao Brasil, com o concerto que faz nesta quinta-feira à noite na SalaCecília Meireles, com a pianista Cristina Ortiz, tocando HeitorVilla-Lobos. Serão seis peças do início de sua carreira, paravioloncelo e piano, com exceção das Bachianas Brasileiras n.º2 (da qual faz parte O Trenzinho do Caipira), feitaoriginalmente para orquestra e depois reescrita para essaformação. Completa o programa a Sonata em Sol Menor Op. 19,de Rachmaninoff.O espetáculo marca o lançamento do disco que Cristina e Menesesgravaram no ano passado, com 19 peças de Villa-Lobos, compatrocínio da Petrobras e do Fundo Nacional de Cultura, paradistribuição restrita. "Mas esse é o projeto de uma vida,apesar de eu já ter gravado essas peças antes. Encaro como umamissão, pois só parte da imensa obra de Villa-Lobos é conhecida.As pessoas têm de saber que sua herança vai além dasBachiannas", diz Meneses. "Escolhi composições do início desua carreira em que se tem a impressão de que ele escreveu parasi mesmo. Não há grandes dificuldades técnicas, mas suagenialidade já está ali."Tal como Meneses, Villa-Lobos era violoncelista, embora nãotenha alcançado a fama e o virtuosismo do instrumentista."Também ele não se dedicou, pois logo se tornou compositor emaestro", justifica Meneses. "Essas peças são do início doséculo passado, antes de ele ir morar em Paris. Ainda procuravaseu caminho, usava estruturas européias, é mais melódico querítmico, mas sua brasilidade já estava ali."O concerto é especial para Meneses, que tem se apresentado comCristina Ortiz no exterior. Mesmo incluindo peças de Villa-Lobos, a dupla tem de tocar outros autores do repertório para violoncelo epiano. "Só no Brasil é possível dedicar-lhe um concerto inteiro, embora eu não pretenda abandonar os compositores europeus",esclarece o músico. "Nunca deixarei de tocar Bach e Beethoven,que são uma missão para toda vida. Cada vez que se executa umapeça deles se descobre um detalhe novo."De toda forma, Meneses está mais voltado para a músicabrasileira. Tanto que já planeja, para o ano que vem, gravar umdisco com músicas de Tom Jobim, iniciando assim sua viagem pelorepertório popular. Até aqui, ele não tinha se interessado,alegando não receber propostas atraentes. No entanto, no últimofim de semana, o projeto de unir os dois Antônios (seria esse otítulo do disco), tornou-se mais real, com o encontro de PauloJobim, filho do compositor, com Meneses. "Ainda não quero falarmuito para não criar expectativas, mas creio que vou combinar osestilos de Tom, o que ele tem de popular e a raiz erudita de suamúsica, que remonta a Villa-Lobos", explica. "Comercialmente,é um trabalho mais fácil, mas nada garante que dará certo, poisa música popular tem suas particularidades e ainda não pensei emcomo lidar com elas."De concreto, há apenas uma lista de cerca de 20 músicas quePaulo Jobim sugeriu a Meneses, número que pode crescer nodecorrer deste ano, mas certamente diminuirá na hora dagravação. As canções de Tom Jobim estão entre as mais tocadas nomundo inteiro, mas ele tem uma obra instrumental, especialmentenos discos dos anos 70, como Urubu e Matita Perê, quebeira o erudito. Paulo Jobim deve escrever os arranjos de comumacordo com Meneses. "Não penso em um disco pesado, com muitaorquestra, mas em formações mais simples, como violoncelo epiano ou só com flauta", adianta Jobim. "Mas seria legalmisturar as músicas instrumentais com as canções, pois Menesesdaria seu toque especial a essas últimas."

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