Anos voltam com tudo às pistas

"O gênero tomou conta da Alemanha!" A frase é do DJ alemão Chris Liebing, a respeito do tipo de música eletrônica que vem conquistando as pistas da Europa e EUA. Mas quem pensa que se trata de algum novo estilo, engana-se. A tendência de que Liebing fala é o electro, nascido na década de 80, com a difusão do uso dos sintetizadores na produção musical. New Order, Erasure e Depeche Mode são alguns exemplos. Passados 20 anos, o estilo foi reciclado, se fundiu ao techno e ao house, e foi ganhando espaço nas casas noturnas ao redor do mundo - Alemanha, França, Inglaterra, Canadá e Estados Unidos. Os DJs brasileiros não escaparam do revival, aderiram ao estilo e, atualmente, são vários os projetos de electro, ou synthcore, como foi rebatizado pelos iniciados, que ocupam as pistas de São Paulo. Atualmente, são sete projetos (confira no quadro abaixo) onde é possível dançar a noite toda ao som de vocais andróginos e sintetizadores - analógicos ou digitais. Julien Depeyre, estilista da Ellus, é um dos novos adeptos do som neo-oitentista. Seus 23 anos não lhe permitiram viver o início do estilo musical, mas apesar disso já possui mais de 100 CDs do gênero. "É uma música mais primária, não é pesada, tem um tom básico." Outros jovens têm aderido à tendência. A jornalista Luciana Stábile, 25 anos, foi conferir as novas produções de electro no ´Elektra City´, do Orbital, e aprovou. "A música eletrônica de hoje dá dor de cabeça. Gosto mais deste estilo dos anos 80, dá para cantar junto." O SuperClub inaugurou recentemente o quinzenal ´Electroshock´, nos sábados. Resultado: pista cheia. "O som te envolve", desabafa Fabiana Ares, estudante de turismo. "E mesmo sem ter vivido os anos 80, a música mexe comigo." Outro projeto que vem atraindo o público notívago é o ´Transition´, do Pix, iniciado em julho por Pil Marques, André Juliani e George Actv. "Eram 2h, e não tinha ninguém. De repente, a casa lotou", lembra Luma Assis, promoter da noite. O designer gráfico Bruno Veloso presenciou os momentos de casa cheia. "São dois tipos de público: os nostálgicos, que querem lembrar dos anos 80, e aqueles que acompanham o estilo pelo que é, como qualquer outro tipo de música eletrônica." Há também projetos que resistem à onda, e preferem se ater aos clássicos daquela década. É o caso do mensal Autobahn, do Gotham, que, há 9 anos mantém a casa lotada nas sextas. Segundo Flávio Oliveira, proprietário da casa, "foi uma década de muito glamour musical: teve punk, dark, e foi o começo da cena alternativa no Brasil." Luccas Lauri - Atuando nas pistas desde 1994, o DJ Luca Lauri assumiu a residência do ?Electroshock?, projeto totalmente voltado para o movimento synthcore, que acontece quinzenalmente aos sábados, no SuperClub. "É uma música com bastante atitude, bem sexy e provocante. E é mais pop que outros tipos de música eletrônica, como o tecno e o house, por ter vocais e refrão." O público de suas noites reúne pessoas dos mais variados tipos "muita gente nova, e também um público mais iniciado na e-music. Afinal, já faz 20 anos que tudo aconteceu, dá para ter um olhar menos preconceituoso." Márcio Zanzi - Márcio Zanzi, da agência Hypno, é residente das quintas na Lôca ao lado de Oscar Bueno, e vê nos vocais a explicação para o sucesso do electro. "A parte do vocalista é o que atrai, não é tão frio, o pessoal gosta", explica o DJ, que monta set hoje na Subway (R. Capitão Avelino Carneiro, 359, tel.: 9670-1464). "É um tipo de música que atrai os adeptos do rock e da música eletrônica." Outro forte apelo do synthcore é a atitude dos produtores atuais. "São fãs de champanhe, bons carros e hotéis luxuosos."Fábio Spavieri - Precursor do revival, Fábio Spavieri já trabalha com prooduções eletrônicas dos anos 80 desde 95, quando começou seu projeto ?I Like Mondays? no extinto Cha Cha Cha, onde o DJ Magal tocava hits eletrônicos dos anos 80 para os descolados de então. "Não havia nenhuma casa bacana na época tocando anos 80." O DJ, atualmente nas picapes do Orbital na terça e na organização do Cio 80s do Ultra na quarta, também monta seus sets às sextas no lounge da Lôca, com proposta retrô. Spavieri também é partidário da idéia de que atualmente "falta melodia, refrão que fique na cabeça".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.