JOTABE MEDEIROS/ESTADAO
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Ano de confirmações e raras revelações da música internacional no Brasil; veja a lista

Joan Baez, Arctic Monkeys, Eddie Vedder, Paul McCartney e Arcade Fire fizeram os espetáculos de maior destaque

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

26 Dezembro 2014 | 03h00

Os melhores shows, a revelação, as decepções, o maior mico. Quem arrisca a fechar o painel do ano com as sentenças categóricas de seus destaques? Tentaremos fazer isso a seguir.

Entre os melhores shows de 2014, pontificam os de Arctic Monkeys (com abertura sensacional dos suecos do Hives, no Anhembi); o primeiro dos dois shows de Paul McCartney na arena Allianz Parque; e a maravilhosa soirée política com Joan Baez e seu convidado Geraldo Vandré no Teatro Bradesco, espécie de mergulho sentimental nas protest songs dos anos 1970.

Na oferta prodigiosa dos festivais, alguns artistas mostraram-se mais perenes que outros. Foi o caso de Johnny Marr, ex-guitarrista dos Smiths. Fleumático, mínimo, melódico, ele trouxe ao Lollapalooza Brasil a lição inesgotável dos Smiths (ajudou o fato de ter convidado ao palco o próprio baixista dos Smiths, Andy Rourke). Sem contar sua fidelidade ao estilo “I don’t give a shit” eterno, um jeito de parecer que não estava nem aí que é próprio do britpop e sempre funciona.

Houve muitas confirmações na área do pop internacional. O grupo escocês Franz Ferdinand fez um rasante extraordinário no Espaço das Américas, em setembro, ratificando sua reputação de grande banda ao vivo. Foi uma espécie de piquenique indie: houve um momento em que toda a plateia sentou-se no chão, reverenciando o dance rock irresistível com a precisão de um bom scotch.

O grupo canadense Arcade Fire, que vitaminou seu som para obter um resultado que parece uma rave híbrida, foi bem-sucedido na dominação da noite, também no Lollapalooza, em abril.

Entre as grandes revelações da música, o homem-banda que se esconde atrás de uma máscara no Bloody Beetroots foi um dos espantos. O cérebro do projeto, o produtor e guitarrista italiano Cornelius Rifo, uniu-se em São Paulo ao brasileiro Iggor Cavalera e fez um show de massiva perturbação eletrônica, pesado e rock’n’roll.

O vocalista do Pearl Jam, Eddie Vedder, chegou à cidade sozinho, mas chegou armado. Munido de um ukulelê, subiu ao palco do Citibank Hall, em maio, e instaurou um clima de luau na praia em plena metrópole, um espetáculo de raro domínio de cena. No cenário, uma fogueira estilizada num canto do palco, um céu estrelado, violões, uma tenda no cenário, um velho gravador de rolo com o som do oceano gravado e muitas piadas e sarro com a plateia. Vedder tocou diversas e bonitas covers. Como a bela canção de Neil Young, The Needle and the Damage Done; cortou corações com Good Woman, de Cat Power, cantando no estilo dela; e ainda canções dos Ramones, Everly Brothers e outras.

Na área do jazz, pouca coisa mobilizou mais a plateia do que a passagem pelo País da Preservation Hall Jazz Band (PHJB), que é um pouco como a guarda suíça do Vaticano: instalada numa casa de madeira de 264 anos em New Orleans, cumpre a eles, há 53 anos, zelar para que a tradição do jazz nunca se perca de seu caminho. Em São Paulo, o fantástico conjunto que se especializou na leitura de standards do dixieland e traditionals, também surpreendeu com um show de composições originais, contidas em um novíssimo disco.

Um dos grandes micos do ano foi o cancelamento, por conta da chuva, de diversos shows internacionais de encerramento da Virada Cultural, em maio. Como o da cantora Martha Reeves, testemunha sonora da era da música negra da Motown, ponte pênsil entre o vintage e o contemporâneo, o r&b clássico e o moderno. Ela voltaria no final do ano, mas foi frustrante.

Outra decepção do ano foi o show Metal All-Stars, que reuniria 11 astros de bandas de heavy metal no Espaço das Américas, na Barra Funda. Houve problemas, alguns artistas não vieram, o show foi conturbado e gerou muitas críticas de fãs.

No final, 2014 foi o ano em que São Paulo ganhou sua primeira arena multiuso com um teste inquestionável: dois shows de Paul McCartney com 45 mil pessoas em cada um deles, em novembro. A arena Allianz Parque, sob chuva, passou pelo teste, apesar de pedir alguns aperfeiçoamentos.

No ano, o Brasil consolidou sua posição de líder em shows internacionais na América do Sul. Segundo estudo do Ministério do Turismo, o setor pode chegar a faturar quase meio bilhão de reais no fechamento deste ano (superando com folga os mercados vizinhos, pela ordem os de Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Equador).

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