Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Anitta, ou a vitória de quem está no lugar e hora certos

Cantora prova que não é apenas uma funkeira, mas uma empresária que sabe muito bem cuidar de sua carreira

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

27 de novembro de 2017 | 06h00

Não é só isso, é claro, mas a dança sincronizada entre Anitta e o mercado desde o estouro dela (com Show das Poderosas, cinco anos atrás) é bonita de ver. Previram ser um sucesso de verão e erraram – é claro. Porque Anitta não era uma funkeira, apenas – e ser só funkeiro não é demérito, entenda. Seu surgimento se deu em um momento, no início desta década, no qual a cultura da periferia voltava a ter a atenção em um movimento cíclico. Anitta era a principal figura a surgir dali, com um hit chiclete (sim, estamos falando de Show das Poderosas), de batida envolvente, coreografia jeitosa e não tão difícil, e, principalmente, que se alinhava ao discurso de empoderar as mulheres no baile funk machista tão acostumado a objetificar o sexo feminino. Ou seja, Anitta já começou bem. E a sagaz abertura da maior emissora de TV do País, a TV Globo, para a cultura do funk encontrou, em Anitta, a figura central dessa reaproximação com o público que vinha perdendo. Era preciso encontrar uma figura que poderia ser consumida pela massa. De novo, lá estava a carioca do bairro Honório Gurgel. 

Se o disco de 2013, chamado Anitta, serviu para estabelecer o funk de beats fincados e os vocais melódicos dela, o sucessor, Ritmo Perfeito, do ano seguinte, evidencia o processo de abertura de Anitta. Tem menos força que seu antecessor, o ritmo se dilui e falta-lhe um hit. Mas, na época, a cantora já era onipresente nas rádios e fazia shows em um ritmo frenético pelo País, com até três por noite. 

A cartada definitiva, aquela que leva a bolada da mesa num jogo de pôquer, veio com o terceiro disco, Bang. O funk voltou. O discurso da mulher forte, também. Principalmente, Anitta foi estudar o mercado norte-americano das divas pop e voltou com músicas caprichadas, de acabamento cristalino, criadas por um time de produtores e compositores de primeira, cheio de videoclipes lindos. 

De novo, no lugar e hora certos, Anitta é, em 2017, a maior artista da música pop do País, o maior da América do Sul, no momento no qual os Estados Unidos de Donald Trump passaram a consumir músicas produzidas por latinos como nunca antes – Despacido, de Luiz Fonsi, é só um exemplo. As parcerias com os gringos no exterior é uma consequência do momento e dos bons acordos comerciais. O sucesso era tão previsível que os números estratosféricos sequer surpreendem. Não bastasse isso tudo, Anitta se aperfeiçoou. Hoje, sabe colocar sua voz nas canções, entende células rítmicas e entrega o que promete: funk pop para noites de sexta-feira, convidativo à pista, ao aconchego, à euforia. 

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