Anelis faz a quarta ficar mais pop

Há três meses, Edson Natale, coordenador do núcleo de música do Instituto Itaú Cultural, tocou o telefone na casa da cantora Anelis Assumpção. Na época, a filha de Anelis, Rubi, estava com apenas 20 dias de vida. O motivo da ligação de Natale: convidar Anelis para apresentar o projeto Quarta Pop - que estreou na semana passada e chega hoje à sua segunda edição."Em princípio fiquei em dúvida, pois durante a gravidez planejei ficar com a Rubi direto até ela completar seis meses", explica Anelis, filha do compositor Itamar Assumpção e casada com o percussionista Maurício, do Mestre Ambrósio. "Aí rolou o convite e me convenci de que era um desafio que eu tinha que encarar. É lindo fazer o plano ideal para se criar um filho, mas, para quem não tem grana, não rola."Convite aceito, Anelis, 22 anos, passou a fazer um intensivo de televisão. O Quarta Pop não é transmitido por nenhum canal, mas simula uma espécie de programa de auditório, com entrevistas e uma apresentação musical. Como todas as atividades do Instituto Itaú Cultural, o evento é aberto ao público. "É uma responsabilidade enorme apresentar um programa, fazer entrevistas. Eu fiquei nos últimos três meses fazendo laboratório", conta a cantora."Assisti muito aos programas da Adriane Galisteu, do Jô Soares. Até então eu nunca tinha parado para pensar em como se conduz uma entrevista, como cortar uma pessoa quando ela está se alongando muito."A primeira edição de Quarta Pop foi aberta com uma apresentação do Projeto Cru - dupla musical formada pela percussionista Simone Soul e o multinstrumentista DJ Tudo -, entrevistas com o compositor Chico César e o jornalista Bruno Paes Manso e encerramento com show do rapper Rappin´ Hood.Hoje, Anelis receberá novamente o Projeto Cru, a pesquisadora do Núcleo de Estudos de Violência da USP, Adriana Loche, e show do Clube do Balanço. "A atração nasceu da vontade de dar voz ao público jovem. Uma oportunidade para o pessoal ficar atento com o que acontece, debater vários assuntos - da escolha da profissão à violência nas cidades", explica Anelis.Além do trabalho à frente do Quarta Pop, ela canta e toca percussão na banda Dona Zica, com oito integrantes. "É uma mistura das tendências mais modernas com música brasileira, mas não tem um gênero que classifique o nosso som", diz. "Temos um CD demo e estamos batalhando para gravar independente, o que é mais difícil."Antes de se entregar definitivamente à música, Anelis desenvolveu na adolescência uma espécie de repulsa à profissão do pai. Decidida a trilhar um rumo profissional diferente, dedicou-se às artes plásticas. Um convite para cantar em um show da Alzira Espíndola, há cinco anos, acabou provocando mais um desvio de rota. "Havia uma cobrança em cima de mim por eu ser filha do Itamar e eu quis fugir da música, mas não teve jeito. O convite da Alzira acabou despertando algo que eu, no fundo, já sabia."Logo depois, Itamar integrou a filha em sua banda. Paralelamente, o projeto da Dona Zica amadureceu e Anelis viu-se cercada de trabalhos ligados à música. A gravidez - "não planejada", ela frisa - levou Anelis a encarar a antiga implicância com a carreira. "Tudo é para a Rubi", derrete-se.Já para Itamar, avô de primeira viagem, a Rubi é que é tudo. "Desde que disse a ele que estava grávida, ele compôs músicas e plantou árvores para a Rubi. Quando eu levo ela para casa dos meu pais, ele quer trocar a fralda dela", diz Anelis. "A gravidez veio em um momento difícil para ele. Meu pai estava internado, fez quimioterapia, removeu um câncer", lembra. "Ele estava em um processo de desistência e eu sentia que a vontade de ver a neta foi algo que fez ele lutar. Ele nunca se colocou dessa forma, mas eu sinto isso."

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