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Anelis Assumpção homenageia disco clássico de Peter Tosh

Em São Paulo, cantora executará na íntegra o álbum ‘Legalize It’, lançado pelo jamaicano há 40 anos

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2015 | 03h00

Anelis Assumpção só tinha ouvidos para Usuário, álbum histórico do Planet Hemp, lançado em 1995. Era adolescente, com 14, 15 anos, e a contravenção de Marcelo D2, BNegão e toda a trupe deles pegou a garota de jeito. O pai dela, Itamar Assumpção, divertia-se com o discurso de Legalize Já, terceira faixa do álbum. “Peter Tosh já falava disso há muitos anos”, dizia ele para ela. Pai e filha tinham o costume de ir à loja de discos Baratos e Afins, no centro de São Paulo. Itamar levava seus discos para serem vendidos, trocava por alguns outros. Foi ali que a adolescente Anelis colocou as mãos no bolachão de Legalize It, de Tosh, disco esse que completa 40 anos em 2015. “Naquela época, a fervura do Planet Hemp me provocava mais”, conta ela. “Aos 20 e poucos anos, fui ouvindo os discos que tinha em casa e entendi a importância do Legalize It.”

A ligação tão próxima e pessoal da artista com o disco em questão só colaborou para ela embarcar no projeto do Sesc Santana chamado 75 Rotações, que chama artistas contemporâneos para revisitarem álbuns com 40 anos de idade. O recém-transformado em quarentão Legalize It foi sugerido a Anelis, executado em agosto, no Sesc, e ganhará uma nova visita neste sábado, 19, no Centro Cultural Rio Verde. “Achei que a escolha do disco tem muito a ver comigo. Tem muito da minha essência, do reggae”, ela conta. “Me descola um pouco do meu pai em um sentido e me situa dentro de uma musicalidade que sempre gostei de navegar.”

Ela explica que, por focar no trabalho autoral, com o mais recente e ótimo disco Anelis Assumpção e os Amigos Imaginários, o projeto de revisitar a obra seminal de Tosh, a estreia solo dele sem a companhia de Bob Marley e a banda The Wailers, ficou em segundo plano. “Às vezes, o trabalho autoral fica um pouco de lado por causa desses projetos”, ela justifica. “Quando me dei conta que o ano estava acabando, dei um jeito de tentar um novo show. Não queria que acabasse o ano sem revistar esse disco de novo.”

No palco do Centro Cultural Rio Verde, Anelis está acompanhada por uma banda de 11 pessoas, número maior do que ela está acostumada a trabalhar, com quatro backing vocals, dois teclados e um par de trombones. Por ser um disco curto, com 41 minutos de duração e 10 músicas, ela acrescentará outras duas faixas de Tosh e algumas de autoria própria.

A mensagem de Tosh, evidenciada já no título do disco, buscava o fim da proibição da maconha, um processo já avançado na Jamaica, na época, mas ainda discutido no Brasil como algo distante. Anelis abraça a mensagem de Tosh, é a favor da descriminalização, embora não consiga enxergar a possibilidade em um curto período de tempo. “Acho que deveríamos começar com a abertura para pesquisas”, ela comenta.

O assunto também evoca na cantora uma nova lembrança do pai, assim como a compra do disco de Tosh e os comentários de Itamar sobre as letras do Planet Hemp. “Eu não sou usuária, o que é curioso porque meu pai sempre fumou muita maconha, sempre convivi com isso”, ela diz. “Infelizmente, não me tornei uma maconheira.”

ANELIS CANTA ‘LEGALIZE IT’ 

Centro Cultural Rio Verde. Rua Belmiro Braga, 181, Vila Madalena. Sáb. (19), às 23h. R$ 20 (lote promocional)/R$ 50 (na porta) 

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